Acidentes por animais peçonhentos: como agir?

Como sabemos, os casos de acidentes entre as espécies peçonhentas e os animais domésticos vêm aumentando significativamente, principalmente em épocas mais quentes. Sendo assim, é de extrema importância para você tutor saber como agir se esta fatalidade acontecer.

Há inúmeras espécies que podem, de alguma forma, causar toxicidade ao seu animal de estimação, e muitos destes estão cada vez expostos a áreas verdes, praças públicas e afins. Dentre as principais formas de ataque, o que mais vemos são picadas de serpentes, abelhas, e aranhas, não descartando que sapos e escorpiões também podem ser extremamente tóxicos.

CARACTERÍSTICAS

As serpentes normalmente atacam quando estão à procura de comida ou parceiro sexual, seja por picada ou compressão da presa. Os sapos por sua vez, expelem seu veneno quando se sentem comprimido-ameaçados, e isso acontece quando ingenuamente, o animal acha que o anfíbio é algum brinquedo e acabam mordendo-o.

No caso de picadas por aranhas, ocorre a mesma situação, estas só inoculam seu veneno quando pressionadas contra o corpo. Já os escorpiões não são agressivos, porém a inoculação maciça do veneno pode acarretar em graves manifestações sistêmicas.

SINAIS CLÍNICOS

Os animais de estimação ao serem picados ou envenenados, no geral, podem apresentar sinais clínicos como temperatura corporal elevada, dor à palpação, sialorréia (salivação excessiva), eritema (vermelhidão da pele), êmese (vômito), diarreia, dificuldade respiratória, e muitas vezes apenas lesão no local da picada. Os sinais podem evoluir para paralisia de membros, alterações neurológicas e/ou sistêmicas, levando muitas vezes o animal a óbito.

Ao observar essas alterações, apresentando ou não lesões características ou visíveis a olho nu, alterações de comportamento e suspeita que existe uma probabilidade de ter sido picado (passeio em locais, ou pátio que já foi observado presença desses animais peçonhentos), deve-se levar o animal imediatamente a um serviço de emergência veterinária, pois se não tratado precocemente, as consequências podem ser sérias. Estamos falando que uma simples picada de uma abelha, por exemplo, num animal de porte pequeno pode leva-lo à morte, caso não tratado imediatamente e corretamente.

IDENTIFICAÇÃO DO ANIMAL PEÇONHENTO

Para aumentar as chances de salvar o pet, é muito importante a identificação do animal peçonhento, pois cada um apresenta características de veneno diferentes e alguns tem tratamento específico. Se conseguir observar qual animal peçonhento atacou seu pet, sendo possível, capture ou tire uma foto e mostre ao veterinário.

ENCAMINHAMENTO AO VETERINÁRIO

No atendimento veterinário, o profissional irá avaliar a condição do quadro clínico do animal, podendo solicitar alguns exames como hemograma, testes de coagulação, avaliações bioquímicas para avaliações renais e hepáticas. Havendo trauma ou feridas profundas podem ser solicitados raio x e ultrassonografia.

TRATAMENTO

Ao confirmar acidente por animal peçonhento, o animal deverá ser internado. Estando sob cuidados médicos, o tratamento também varia, podendo ser apenas paliativo em certos casos, utilizando desde analgésicos, antissépticos locais, antibióticos, fluidoterapia, ou ainda tratamentos mais específicos quando se sabe qual é o animal peçonhento como: soros antiofídicos, antiaracnídicos (antídotos), e até mesmo precisar de um procedimento cirúrgico e/ou transfusão sanguínea.

PREVENÇÃO

Em épocas de calor e elevada umidade, esses animais crescem e se desenvolvem em maior número, portanto:

– Evitar que nossos animais passeiem em locais onde há campo muito alto ou matas fechadas;

– Manter a grama aparada, sempre recolhendo excesso de folhas do chão, evitar acumulo de matéria orgânica, sendo esses locais os de maior proliferação de animais peçonhentos;

– Dedetização em ambientes infestados, dentro de casas ou jardim (tomando cuidado para que seu pet não fique no local no momento).

Vendo ou desconfiando de qualquer alteração de comportamento no seu pet, não espere e faça algo imediatamente, uma atitude e você pode salvar a vida dele!

 

Mônica Sganzerla
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

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