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Viu algo, Faça algo! – 5º sinal clínico: Dificuldade de urinar ou ausência de urina

A dificuldade de urinar (incontinência/oligúria) ou ausência de urina (anúria) são sinais clínicos muito importantes que devem ser tratados como alerta. A nossa campanha Viu algo, Faça algo! irá auxiliar os tutores na tomada de decisões e saber o momento certo para tomar uma atitude e levá-lo ao veterinário.

Estas alterações podem estar relacionadas diretamente com o tempo de evolução da doença, são alterações comuns e podem nos levar a acreditar que o nosso animal simplesmente tem problemas de comportamento. Quando o quadro já está avançado, muitas vezes o dano causado é irreversível e o animal corre risco de óbito.

 Principais causas que levam a dificuldade de urinar ou ausência de urina

  • Cistite: Fêmeas tem a uretra mais curta e larga, o que facilita a entrada de bactérias e parasitos. Elas urinam muito menos que os machos, facilitando assim também a formação de cristais urinários.
  • Cálculos urinários: Mais comum em macho, pois tem a uretra mais longa e fina. Dependendo do tamanho, os cálculos podem obstruir canais como ureter e uretra, impedindo a passagem da urina.
  • Tumores benignos (pólipos e divertículos) ou tumores malignos podem obstruir parcial ou totalmente o canal urinário.
  • Insuficiência renal aguda: pode ocorrer nas obstruções, intoxicações (LEIA MAIS SOBRE INTOXICAÇÃO) ou infecções como leptospirose por exemplo (LEIA MAIS SOBRE LEPTOSPIROSE).
  • Outras causas menos comuns: lesões do sistema nervoso, mal-formações congênitas, lesões adquiridas na bexiga e nos esfíncteres (trauma), doenças prostáticas e desequilíbrios hormonais.

 

Quais são as principais alterações que os animais apresentam?

A mudança de comportamento do seu pet pode nos dizer de uma maneira ou outra, dando a entender que podem estar sofrendo:

  • Mudança na posição para urinar (sinal de dor)
  • Fica muito tempo em posição, mas urina pouco ou não consegue urinar. Isso pode acontecer por causa dos cálculos, que friccionam a parede do órgão, causando irritações, sangramentos e até o bloqueio parcial ou total do fluxo urinário.
  • Presença de sangue na urina
  • Urina que cheira pior do que o habitual (urina turva)
  • Apatia e Perda de apetite
  • Lamber repetitivamente a genitália (dor e inflamação)

Se perceber qualquer uma dessas alterações, leve-o ao veterinário.

Durante a avaliação clínica, o profissional vai determinar quais são as suspeitas ou até o diagnóstico clínico. Muito importante realizar exames de uma amostra de urina (avaliação qualitativa e urocultura com antibiograma). Podem ser solicitados exames de sangue, radiografia e ultrassonografia dependendo do caso. Se animal estiver obstruído será necessário realizar a sondagem uretral, que consiste em introduzir um pequeno tubo pelo aparelho urinário, com objetivo de desobstruir a passagem da urina. Muitas vezes pode ser necessário sedá-lo para realizar o procedimento.

O tratamento de maneira geral poderá se basear em uso de antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. O tratamento para os cálculos urinários vai depender do tipo, pois alguns podem ser dissolvidos com dieta e medicação, enquanto outros precisam ser removidos cirurgicamente.

Os tumores como pólipos e divertículos e até os tumores malignos algumas vezes podem ser removidos cirurgicamente e enviar a amostra para exame histopatológico (esta informação é muito importante para determinar o melhor tratamento para cada tipo de tumor).

Para o caso de insuficiência renal aguda, a terapia consiste no uso de fluidos (soro) e eletrólitos em medidas de purificação extra-renal (diálise peritoneal). Em alguns casos respondem bem à essas medidas terapêuticas, porém existem casos que são irreversíveis e o prognóstico é mais reservado.

E a prevenção?

No caso das cistites, não há prevenção específica. Entretanto, pode-se adotar alguns hábitos simples que podem diminuir bastante o risco do seu pet desenvolver a complicação.

  • Passear com os cães rotineiramente: pode ser uma boa ideia, pois além de deixá-lo mais tranquilo, você pode observar o seu comportamento enquanto ele urina e ver o quanto está urinando. Dessa forma ficará acostumado com o que é “normal”.
  • Estimular ingestão de água: sempre estimular a ingestão de água utilizando fontes (gatos) e bebedouros grandes.
  • Acompanhar comportamento de micção nos felinos. Sempre colocar uma caixa de areia extra para o número de gatos no ambiente. Exemplo, se existem 2 gatos no ambiente, colocar 3 caixas de areia a disposição.
  • Evitar dar rações de baixa qualidade e alimentação inadequada, pois podem alterar o pH urinário, aumentando as chances de infecção urinária e formação de cálculos.
  • Se o seu pet já foi diagnosticado com cálculo, e partir da análise do cálculo, será possível reajustar a alimentação, para evitar uma urina mais ácida, ou mais alcalina.

Mantenha-se sempre atento nos sinais clínicos do seu pet e entre em contato com o veterinário caso ocorra qualquer mudança.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Atenção! Alto índice de chuvas aumenta o risco de contaminação por leptospirose em pets.

image.pngA leptospirose é umas das importantes zoonoses (doenças transmitidas pelos animais ao homem), causada por uma bactéria chamada Leptospira interrogans e infecta a maioria dos mamíferos selvagens e domésticos, além dos humanos.

A transmissão ocorre principalmente pela urina de ratos contaminados com a bactéria da leptospirose. A urina dos ratos se mistura à água, ao solo e até mesmo aos alimentos, e esse microrganismo pode penetrar pela pele e também pode ser ingerido junto com água e alimentos contaminados.

Essa enfermidade tem o índice de casos aumentados no período de maior incidência chuvosa, enchentes e alagamentos devido a forma de disseminação da bactéria que, sobrevive nesses ambientes mais úmidos, ela acaba sendo conduzida pela chuva e expondo os demais animais que tem contato com esta água.

Fique atento aos sinais clínicos no seu Pet:

Febre

Depressão, apatia, dor muscular (fica mais tempo deitado)

Perda do apetite

Vômitos

Desidratação

Icterícia (amarelamento das mucosas como olhos, gengivas e também da pele)

Urina escura (amarelo escuro a marrom)

Ao observar esses sinais em seu pet, mesmo que eles não tenham tido contato com água de alagamento ou enchentes, é preciso procurar imediatamente um médico veterinário e isolar outros animais da casa.

É muito importante realizar exames complementares para auxiliar no diagnóstico da doença. A bactéria causa lesões graves em rins e fígado do animal. Exames como hemograma e análises bioquímicas para avaliar função hepática e renal são importantes. Além disso, pode-se realizar exames como ecografia abdominal para avaliar esses órgãos.

Para o diagnóstico definitivo, deve-se realizar exame sorológico ou direto específico para leptospirose.

Tratamento

O ideal é que o seu animal seja internado em clínica onde tenha estrutura de isolamento para doenças infectocontagiosas, por se tratar de uma doença altamente transmissível.

O principal tratamento é o uso de antibiótico específico contra Leptospira, e para existir uma maior chance de cura, esse tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, juntamente com o tratamento de outras alterações observadas, realizando correção da desidratação e vômitos por exemplo.

Prevenção

– Alimentação do pet: alimentar em horários determinados, não deixando a ração à vontade, pois os restos de alimento atraem os ratos. Além disso, os roedores podem contaminar esse ambiente onde o animal se alimenta ao urinar nas proximidades. Por isso, é importante deixar o comedouro dos cães em locais altos, assim como armazenar os sacos de ração em recipientes bem fechados.

– Vacinação anual ou semestral dos cães com a vacina polivalente importada, aplicada exclusivamente pelo Médico Veterinário. Também é conhecida como V8 ou V10. Além de se proteger contra leptospirose, essa vacina também protege contra outras doenças infecciosas.

– Lavar o ambiente dos cães com cloro (água sanitária). A água sanitária consegue matar a bactéria da leptospirose e pode ser usada em locais onde os ratos frequentam e urinam.

– Evitar acúmulo de lixo e restos de comida; não permitir o acúmulo de água parada ou ambientes úmidos e fechar buracos entre telhas e rodapés também são atitudes que auxiliam no controle de roedores.

– Muita cautela ao utilizar veneno para ratos no ambiente, pois é extremamente tóxico para cães e gatos. Sempre peça orientação a um Médico Veterinário.

Se o seu pet realmente estiver doente e não receber o tratamento adequado certamente virá a óbito. Caso seja diagnosticada a doença, a família deve também procurar orientação com um infectologista sobre os cuidados e exames necessários para as pessoas que tiveram contato com esse animal.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Conhecendo o transmissor da Leishmaniose

A Leishmaniose é uma doença causada pelo protozoário Leishmania, que é transmitida pela picada de um inseto flebótomo (gênero Lutzomya), popularmente conhecido como mosquito palha, birigui, tatuquiras.

Embora tenha o nome popular “Mosquito-palha”, não é considerado mosquito.

No Brasil as que até agora são comprovadamente transmissoras da Leishmaniose são Lutzomya. Cruzi Lutzomya longipalpis.

fonte: http://www.infoescola.com

Características
Os flebótomos transmissores são insetos menores que os mosquitos, de coloração clara (por isso o apelido “mosquito palha”) asas estreitas sempre levantadas quando pousam.

São facilmente reconhecidos por voar em pequenos saltos e só picam partes do corpo não cobertas por roupas.

Onde ele vive
Os locais de preferência são principalmente ao nível do solo, próximo à vegetação, em folhas em decomposição, raízes e troncos de árvores, e tocas de animais.

Preferem locais com pouca luminosidade e úmidos.

Podem ser encontrados facilmente em locais ricos em matéria orgânica, como canis, galinheiros, chiqueiros, e até mesmo dentro das casas.

Horários de maior atividade do vetor
O flebótomo pica com maior frequência ao entardecer e continua por toda a noite.

Flebótomo fêmea é a única que pica e ingere o sangue
A fêmea necessita do sangue para a postura dos ovos. Ela põe aproximadamente 100 ovos no solo ou em locais úmidos e ricos em matéria orgânica.

Ela se alimenta de sangue durante uma semana, sendo em média 3 vezes durante sua vida, sendo capaz de transmitir a doença para pelo menos 3 cães ou seres humanos.

A fêmea pode contrair as leishmanias já na primeira picada, dependendo da carga parasitária no cão. E além disso, existe a possibilidade de também por única picada transmitir as leishmanias para outro cão ou o homem.

Prevenção da Leishmaniose

A prevenção nos cães
Epidemiologistas recomendam a associação da coleira repelente e da vacinação específica contra leishmaniose em dia

Nos cães existem poucos produtos disponíveis que possuem indicação em bula contra a picada do flebótomo. A recomendação pela Organização Mundial de Saúde, é o uso de coleiras com impregnação de Deltametrina, ou associação de Imidacloprida e Flumetrina. Esses princípios ativos tem efeito repelente comprovado contra o flebótomo, evitando que este pique o cão, e, consequentemente não transmita a Leishmaniose.

Os felinos também podem se infectar, porém são mais resistentes a doença. Ainda não há vacina específica para gatos, porém já existe coleira repelente no mercado que os felinos podem usar com segurança.

 

Outras formas de prevenção
Como os principais locais que os insetos habitam e procriam são em volta de matéria orgânica, atitudes como a limpeza de quintais, remoção de fezes e restos de folhas e frutos em decomposição, já ajudam de forma importante a combater a doença.

Uso de inseticidas e repelentes dentro de casa.

Instalação de telas com malha fina nas portas e janelas, evitando assim a entrada do vetor dentro de casa.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320