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Câncer de mama em cadela e gatas: Como prevenir e tratar

O câncer de mama, principalmente nas cadelas, é uma das doenças mais comuns e uma das mais temidas entre seus tutores. A sua incidência aumenta em cadelas não castradas, idade superior a seis anos, cadelas obesas e utilização de contraceptivos. É uma doença que não tem predisposição racial, ou seja, todas as raças caninas estão sujeitas a sofrer com este problema.

Nas gatas os tumores mamários são menos comuns, porém são mais agressivos. Vale ressaltar que, embora muitos pensem que o câncer de mama é um problema que atinge, exclusivamente, as fêmeas, se enganam, pois ele também pode afetar os machos em alguns casos.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fatores que podem ser totalmente decisivos para a sobrevivência do animal. O câncer se desenvolve de forma silenciosa, e quando a cadelinha ou gatinha começar a apresentar sinais como tristeza, falta de apetite, febres ou vômitos, pode ser tarde demais. O animal pode ter sua vida poupada, se o seu tutor olhar ou tocar seu pet de forma mais atenta.

Afinal, o que são os tumores mamários?
São nódulos formados por células do corpo que se multiplicam rapidamente de forma descontrolada. Podem ser benignos ou malignos, sendo chamados de câncer quando malignos. Esses nódulos podem ter diferentes tamanhos, podem ser ulcerados ou não, moles, firmes ou endurecidos. Podem também ser únicos ou múltiplos.

Quais são os sinais clínicos?
Deve-se atentar para caroços/nódulos na região das mamas, inchaço ou vermelhidão no local, presença de secreções e também presença de dor.

O pet pode apresentar outros sintomas que não são específicos, como falta de apetite, perda de peso, febre, vômitos. Sempre atentar para esses sinais e levar ao veterinário o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Com base no exame clínico da região mamária, observando aumento de volume e outras alterações clínicas, cabe ao médico veterinário solicitar exames para investigar sobre a doença e certificar a extensão do problema. Os principais exames complementares incluem citologia aspirativa do nódulo, biópsia, exames de sangue, radiografia torácica e ultrassonografia. Após realizados os exames, a primeira medida será a realização de um procedimento cirúrgico para a retirada completa do tumor do corpo do animal. O tumor deve ser enviado a um laboratório especializado para análise histopatológica. Este exame é o diagnóstico definitivo, pois é somente com este resultado que é possível saber se o tumor é benigno ou maligno.

A análise histopatológica e os resultados obtidos dos exames complementares, são fundamentais para definir um diagnóstico correto, além de fornecer dados relevantes para um tratamento adequado e específico. Nos casos em que o tumor é benigno, geralmente, a cirurgia já é o suficiente como tratamento. No entanto, para o tumor maligno, além da retirada cirúrgica, a quimioterapia pode ser indicada.

Nas ocorrências de metástase, o tratamento pode ser complicado e as chances de cura são mínimas. Nestes casos, é indicado medicamentos para aliviar os sintomas, permitindo o bem estar do animal no período que lhe resta de vida.

Prevenção
A castração da fêmea antes do primeiro cio já se provou como a forma mais eficiente para prevenir o câncer, pois a influência hormonal é a grande responsável pelo aparecimento de disfunções que favorecem o surgimento da doença. Essa conduta pode reduzir em até 99% as chances de aparecer o câncer de mama. Castrar após o primeiro cio reduz em 92% e após o segundo cio, para 74%.

Ao contrário do que muitos imaginam, o acasalamento (ou falta dele) na vida da cadela não está relacionado ao aparecimento do câncer de mama.

Não usar as injeções de anticoncepcionais. É muito importante esclarecer que, os medicamentos hormonais (injeções para evitar o cio) é um fator que pode ser determinante para o surgimento de tumores na mama, e é por isso que, na atualidade, esse tipo de medicamento é altamente contraindicado pelos veterinários.

Com este esclarecimento, fica a dica do por que é tão importante estar sempre atento aos sinais da doença nas cadelinhas e gatinhas. Não hesite em marcar uma consulta com um profissional. Qualquer que seja a doença que seu animal possa ter, as chances de cura são muito maiores quando é feito um tratamento precoce.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 9º sinal clínico: Caroços sob a pele ou mamas

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Estamos chegando ao último sinal clínico abordado na nossa campanha Viu Algo, Faça Algo!, com objetivo de explorar aspectos da saúde dos peludos para facilitar uma detecção precoce de doenças, por meio da avaliação cuidadosa dos tutores. É muito comum vermos nódulos, aumentos de volume, “caroços” ou “bolinhas” nos nossos animais, e devemos sempre estar atentos, pois podem ter significados importantes!

Principais doenças que podem se manifestar em aumentos de volume (“caroços” e “bolinhas”):

  • Tumores: são nossa principal preocupação quando encontramos nódulos. Abordamos o câncer e seus aspectos em outros textos aqui no blog, e você pode conferi-los aqui. Quando nos deparamos com aumentos de volume, exames adicionais serão necessários para definir a natureza da lesão, sua classificação e tratamento necessário. O médico veterinário pode solicitar exames como a citologia ou a biópsia.
  • Abcessos/flegmões: são lesões de caráter inflamatório/infeccioso causadas pela inoculação de bactérias no tecido subcutâneo ou em camadas mais profundas, como a musculatura. Podem se demonstrar como aumento de volume doloroso ao toque, quente, e o paciente pode demonstrar grande desconforto e dor na região.
  • Hérnias: Se demonstram em regiões específicas do corpo (como a virilha ou região umbilical), quando órgãos da cavidade abdominal acabam se posicionando em locais erráticos, por um defeito na parede muscular. Podem ter grande tamanho e normalmente o paciente não sente desconforto na palpação.

Os sinais clínicos apresentados dependerão muito do diagnóstico do paciente.

Tumores podem não ter nenhum sinal clínico e estarem localizados em qualquer local do corpo, por isso a importância da avaliação minuciosa do tutor. Dependendo de quais estruturas estiverem acometidas, bem como o tamanho, pode haver dor e desconforto. Lesões infecciosas normalmente cursam com febre, dor, prostração e anorexia. Podem haver fístulas drenando secreção purulenta nestes casos. Hérnias normalmente não causam sintomas, apenas em situações muito específicas como o encarceramento, quando há dor intensa e comprometimento da vida do paciente, sendo necessário atendimento imediato.

A prevenção é a medicina do futuro

Falando principalmente dos nódulos mamários, o câncer mamário é uma triste realidade em nossos pacientes, tendo uma alta incidência nas espécies canina e felina. Porém podemos prevenir esta doença realizando a castração precoce, antes do primeiro cio ou entre o primeiro e o segundo cio, e dessa maneira podemos diminuir a incidência dos tumores mamários em até 95%. É uma maneira efetiva de evitarmos uma doença que pode trazer muito sofrimento ao paciente e aos familiares.
Pela característica traumática que os outros aumentos de volume podem ter (abcessos e hérnias), é sempre bom reforçar os cuidados com nossos peludos. Os animais muitas vezes não sabem o perigo que estão correndo ao atravessarem uma rua movimentada, ou ao pularem de um local alto. Como crianças, necessitam de supervisão constante para que não se machuquem. Devemos estar sempre atentos, dessa maneira evitando acidentes!

Este é o cerne da nossa campanha, detecção precoce para podermos prevenir. Cuidado para evitar o sofrimento. Esta é a Viu Algo, Faça Algo!

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

Outubro Rosa, Tempo de Informação e Prevenção!

Print O Câncer é uma doença cheia de paradoxos. Nos acompanha desde tempos antigos, porém se demonstra em nossa sociedade moderna como uma chaga avassaladora, uma palavra agourenta que está sempre ligada a dor, sofrimento e falta de perspectiva. Contudo, umas das armas mais poderosas que temos para desafiar tamanho inimigo se encontra facilmente disponível, e cada vez mais se faz presente em nossas vidas: a Informação.
Com os primeiros passos dados na década de 90, o movimento Outubro Rosa ganhou força e organização em meados de 1997, quando diversas entidades nos Estados Unidos se uniram sob uma mesma bandeira: conscientização, informação e diagnóstico precoce. As ações ganharam destaque mundial, sendo veiculadas no Brasil pela primeira vez em 2008, e permearam a Medicina Veterinária por volta de 2015, estendendo o mesmo desejo de levar informação e esperança a tutores que se veem frente a tal patologia.As neoplasias mamárias são extremamente comuns nas espécies canina e felina, sendo o tumor mais frequente em cadelas, representando 50 a 70% de incidência nesta espécie. Em gatas compreende o terceiro tipo mais comum, com uma ressalva: grande parte dos tumores mamários em felinos são malignos, com índices chegando a 80%.

Perante dados tão preocupantes, o conhecimento e entendimento da doença se faz essencial para um bom prognóstico e, antes de tratar, prevenir sempre será a melhor opção! Desta maneira, é importante salientar o papel da castração na prevenção do câncer em animais. Cadelas castradas antes do primeiro cio tem uma diminuição da incidência de 95% para neoplasias mamárias, quando comparadas com cadelas não castradas. Nas gatas, a diminuição da incidência de tumores mamários quando castradas antes do primeiro cio é de 91%. Outro dado importantíssimo: o efeito protetor da castração se esvai rapidamente para animais que não são castrados precocemente, sendo que animais castrados após os 2 anos de idade não demonstram diminuição da incidência para tumores mamários.

Tão importante quanto a prevenção, o diagnóstico precoce é capaz de aumentar as chances de cura para o paciente. Desta maneira, o exame do animal pelo seu tutor e as visitas periódicas ao veterinário se fazem essenciais, promovendo diagnóstico e posterior tratamento. Sempre examine as mamas do seu animal, de uma maneira gentil, ficando atento à presença de nódulos ou alterações de consistência. Se achar algo diferente, não hesite em levar ao veterinário! Por muitas vezes me deparei em minha prática com indicações e comentários do tipo “seria melhor não intervir, pois ela está bem”, ou “ela é idosa demais para qualquer procedimento”. Uma reflexão importante quanto a isso: deixar um câncer potencialmente maligno se desenvolver livremente, sem intervenção, JAMAIS será a melhor alternativa. Converse com seu veterinário de confiança, procure um Oncologista, fique atento! Pois estas atitudes fazem toda a diferença.

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799