Arquivo da tag: cachorro

Viu algo, Faça algo! – 8º sinal clínico: Lesões na pele ou coceira excessiva

PC - Post 08 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

Coceiras, vermelhidão, erupções na pele: são alterações que deixam o tutor bem preocupado. A saúde dos nossos pets é coisa séria e merece nossa atenção até mesmo em situações que, aparentemente, não oferecem riscos. A questão principal que precisa ficar bem clara é que as doenças de pele se parecem muito entre si e com outras doenças que não são necessariamente de pele. Junto com todas as informações da nossa campanha Viu Algo, Faça Algo! temos objetivos de explicar um pouco mais sobre as principais doenças de pele em cães e gatos, saber identificar os sinais clínicos, e dessa forma agir o mais rápido possível, sem oferecer riscos mais graves ao seu pet.

Os principais problemas de pele (dermatopatias)

  • Infecções bacterianas: Podem proliferar com lesões de pele inflamada, pela umidade (secagem inadequada da pele e pelos em banho) e até por falta de higiene.
  • Infecções fungicas: o animal se infecta por contato com objetos, locais e outros animais que já tem a infecção.
  • Infecções parasitárias: ácaros (sarna) se alimentam das descamações da pele e assim causam inflamações. Pulgas e carrapatos, quando picam para sugar o sangue do bichinho, provocam coceira e inflamações na pele.
  • Acne Felina: ocorre pelo estresse, má higiene de vasilhames, alergia aos vasilhames de plástico, pode ser identificada pelos pontos pretos que surgem ao redor do queixo e também nas bordas dos lábios.
  • Processos alérgicos: contatos com borrachas, plástico, alguns tipos de tecido, época do ano (pólens), produtos tópicos (inseticidas, shampoos e sabonetes) e até alimentos, são potenciais fontes de alergia.
  • Alopecia psicogênica: não menos comum, pode ocorrer em animais com alto grau de estresse, que ficam lambendo o pelo de forma compulsiva, podendo até morder a pele, mastigar os pelos, causando irritação, infecção e queda de pelos.
  • Desiquilíbrios hormonais: Diabetes, hiperadrenocorticismo, hiper/ hipotireoidismo são doenças sistêmicas, porém podem também apresentar lesões de pele como sinal clínico da doença.
  • Dermatites atópicas: Vale lembrar que existem dermatites que não tem uma causa específica para acontecer e não tem cura. São muito raros os casos, porém quando ocorre, o médico veterinário irá indicar o tratamento para conter os sinais clínicos apresentados durante as crises.
  • Doenças auto-imunes: Lúpus, pênfigo
  • Tumores de pele: animais com idade mais avançada podem apresentar tumores e cistos, mesmo que nem todos sejam malignos. Mesmo assim, eles requerem cuidado e acompanhamento frequente, para que não se torne um problema mais grave.

Sinais Clínicos nas dermatopatias

  • Lesões avermelhadas ou escurecidas na pele
  • Coceira (Prurido) pelo corpo e/ou orelhas
  • Perda de pelo (Alopecia)
  • Presença de bolhas/ bolhas com pus
  • Descamação da pele
  • Machas/hematomas
  • Infecções frequentes nos ouvidos

É importante levá-lo para um veterinário para identificar o tratamento adequado e possivelmente alguma medicação específica.

Não tente, de forma alguma, auto medicar o seu pet! Muitos tutores buscam tratamentos tópicos e sem recomendações de um profissional, aplicam no seu animal sem qualquer orientação. Isso pode levar a intoxicações graves. (LEIA MAIS SOBRE INTOXICAÇÃO).

Leve ao veterinário para avaliação. As lesões de pele são parecidas entre várias doenças e para fechar o diagnóstico é necessário realizar exames específicos. Com o diagnóstico correto, o tratamento se torna mais eficaz e aumentam as chances de cura.

Os exames incluem basicamente hemograma e exames bioquímicos (para avaliar se existe doença sistêmica), raspado de pele (detecção de sarna), culturas bacterianas, culturas fúngicas, teste de sensibilidade a alérgenos. Podem ser solicitados outros exames complementares para avaliação mais complexa.

Conforme diagnóstico, pode ser recomendado shampoos específicos, alimentação com ômega 3 e 6 para fortalecer o pelo e corrigir a oleosidade da pele se for o caso. O tratamento adequado dependerá principalmente do agente causador (bactéria, fungos ou parasitos), podendo ser feito com uso de antialérgicos, antibióticos, antifúngicos ou antiparasitários, que deve ser prescrito por um profissional.

Para os casos de estresse, em alguns casos podem ser recomendados medicamentos contra a ansiedade.

Prevenção

  • Higiene do seu pet é fundamental: Banhos e tosas regulares irão reduzir as chances de ter alguma alteração de pele. Mas cuidado! A pele precisa da oleosidade natural, então banhos com alta frequência também não são adequados. Podem ser indicados banhos semanais, quinzenais e até mensais, pois cães (independente da raça) podem variar a frequência, pois existem outros fatores como clima, umidade, tamanho do pelo e tipo de pelo.
  • Manter limpo o ambiente que seu pet vive. Controlar sempre a proliferação de pulgas e carrapatos do ambiente também.
  • Evitar o stress: passeios e enriquecimento ambiental pode ser a chave para melhorar a qualidade de vida nos animais.
  • Visitas regulares ao veterinário: principalmente os mais idosos, que podem ter problemas hormonais (ainda não detectado), mas que iniciam com problemas de pele.

Podemos agora identificar que existe um problema de pele, alguns sinais deixam claro que o pet precisa ir ao veterinário. Não demore para tomar providências e ajudar seu animalzinho!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 6º sinal clínico: Dificuldade de respirar

PC - Post 06 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

A nossa campanha Viu Algo, Faça Algo aborda um outro tema super importante: A dificuldade respiratória. Precisamos saber identificar qual é a alteração especifica, como podemos diferenciar algumas causas para agirmos rapidamente. Devemos levar muito a sério as alterações de comportamento e sinais clínicos apresentados por nossos peludos pois o tempo pode ser crucial.

As causas da dificuldade respiratória são várias, mas só uma visita ao
veterinário pode identificar corretamente o problema.

  • Raças: Pug, Shih tzu, Buldogue francês, gatos persas são animais braquicefálicos (pets com o focinho achatado). São raças mais suscetíveis a doenças respiratórias, pois possuem anormalidades estruturais no seu trato respiratório, fazendo com que suas vias de entrada de oxigênio se tornem estreitas.
  • Estenose de traquéia (colapso de traquéia): mais comuns em cães do que em gatos. Os braquicefálicos podem ser acometidos, e também cães da raça Yorkshire terrier, Poodle, Chihuahua, Lhasas apso e Lulu da pomerânia (Spitz alemão). Podem fazer ruídos estranhos ao respirar, que vão se agravando, podendo ter períodos de paradas respiratórias durante o sono, engasgos, mudança na cor das mucosas (devido a falta de oxigenação), desmaios ou alterações na consciência.
  • Infecções bacterianas/fungicas/ virais: causando pneumonia, bronquite, tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina).
  • Intoxicação (organofosforados utilizados contra carrapatos/pulgas, opióides,
    etc).
  • Problemas cardíacos (Saiba mais)
  • Obesidade (Saiba mais)
  • Asma: mais comum em felinos
  • Aspiração de alimento ou conteúdo gástrico para o interior do pulmão
  • Inalação de fumaça e gases nocivos
  • Quase afogamento
  • Lesão pulmonar devido ao trauma
  • Anemia: número de hemácias reduzidas levam a diminuição da troca de oxigênio pelos pulmões.
  • Altas temperaturas, calor excessivo
  • Neoplasias pulmonares (metástases principalmente)
  • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) refere-se a uma condição de falha respiratória súbita devido à acumulação de fluido e uma grave inflamação nos pulmões.

Sinais Clínicos relacionados a problemas respiratórios:

  • Esforços extremos para respiração.
  • Tossir.
  • Engasgos.
  • Descarga das narinas ou expectoração (secreções serosas, purulentas ou
    sanguinolentas).
  • Febre.
  • Cianose (coloração arroxeada na língua e mucosas).
  • Letargia e fraqueza.
  • Anorexia.
  • Ortopnéia (posição com pescoço esticado para respirar melhor).
  • Padrão respiratório restritivo (respiração “curta”).
  • Respiração de boca aberta.

O que fazer nesses casos?

Os sinais clínicos citados acima devem servir de alerta para os tutores.
Não dê nenhum medicamento sem a prescrição de um profissional. Você não sabe o real motivo desses problemas respiratórios, e em alguns casos, podem acabar agravando o quadro do seu pet.
De modo geral, aliviar a crise inicial é a melhor conduta a ser seguida é tentar deixar o pet o mais calmo possível, evitar que ele se agite e colocar em ambiente mais ventilado. Procurar um médico imediatamente.
Durante avaliação, o veterinário irá fazer uma avaliação clínica, e diagnóstico deve ser definido. Poderão ser solicitados painéis de exames, como exames de sangue, exames de imagem (radiografia de tórax, ecocardiograma e endoscopia, por exemplo).
Iniciando o tratamento emergencial, a causa principal deverá estabelecida e tratada especificamente de modo a evitar complicações ou morte. Colocar no oxigênio suplementar para minimizar o desconforto respiratório. Poderá ser feito tratamento com uso de antibióticos, analgésicos, fluidoterapia, e corticosteróides para reduzir a inflamação e inchaço pulmonar, se houver. Avaliações clinicas constantes deve ser feitas como temperatura, pulso, taxa de respiração, e da pressão sanguínea durante internação.

Algumas recomendações são úteis para evitar problemas respiratórios
futuros e a manutenção da qualidade de vida para os que já sofrem desse
mal.

  • Evitar uso de coleiras cervicais. Mais indicado utilizar peitorais.
  • Ventilação adequada, manter a temperatura do ambiente agradável, umidade
    do ar.
  • Evitar estresse e atividades físicas bruscas em animais predispostos (braquicefálicos), pois o animal pode ficar com dificuldade respiratória.
  • Elevar a altura dos bebedouros e comedouros para evitar engasgos.
  • Sempre controlar alimentação nos animais obesos.
  • Vacinas sempre atualizadas. Realizar exames veterinários periódicos.

Uma das melhores maneiras de identificar problemas de saúde do seu pet é prestar atenção no seu comportamento e nos sinais clínicos que ele apresenta.

Apenas um detalhe e você pode salvar a vida dele. Lembre-se disso!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 4º sinal clínico: Beber pouca ou muita água

PC - Post 04 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

Mais um assunto que vamos abordar em nossa campanha Viu algo, Faça algo é mudança de comportamento do seu animal em relação à ingestão de líquidos. Saber a quantidade adequada de água, se o seu animal está bebendo pouca ou muita água e quais atitudes devemos tomar diante dessas alterações.

Para responder esses questionamentos, primeiramente devemos levar em consideração que existem algumas raças que ingerem mais água que outras, pois estão relacionadas a sua aptidão (raças de guarda, caça, corrida, etc).

E além disso existem os fatores externos, como o clima (temperatura do ambiente), prática de atividade física e alimentação, que podem influenciar diretamente na ingestão de líquidos.

Qual é a quantidade adequada que meu pet deve ingerir?
De modo geral, necessitam em torno 90ml/kg e um gato 45mL/kg de peso corporal diariamente para se manterem hidratados. Prestar atenção na ingestão de líquidos dos nossos pets é muito importante para evitar enfermidades e mantê-lo saudável.

Entretanto, não podemos nos basear somente no peso corporal para saber se a ingestão de água está correta.

Quais são as causas de mudança no comportamento em relação a ingestão de água?
– Dieta: alimentos secos (ração) aumentam a ingestão de líquidos enquanto que enlatados e comida caseira reduzem. Vale lembrar que comida caseira com acréscimo de sal faz com que o animal ingira mais líquidos. Deve ter cautela no uso do sal ao cozinhar para seu pet.

– Idade: animais mais jovens ingerem mais água que os mais velhos.

– Tipo de bebedouro: pode influenciar na quantidade de água que seu peludinho bebe e poucas pessoas reparam. Alguns animais têm alergia ao bebedouro de plástico causando lesões na região do focinho e queixo, assim eles vão evitar o consumo de água.

– Qualidade da água: as próprias caraterísticas da água (temperatura, sabor, cheiro, limpeza) também podem influenciar na ingestão.

– O consumo reduzido é mais comum para os felinos, pois são animais naturalmente mais exigentes e param de beber água por vários motivos.

– As cachorras grávidas ou lactantes têm uma maior necessidade de ingestão de água.

– Desidratação: nos dias mais quentes, o animal deve beber mais água. Ficar algum tempo sem água disponível pode levar à desidratação.

– Doenças: Se existir alguma doença que provoque um aumento das perdas de água pelo organismo, consequentemente haverá uma maior necessidade de ingestão de água. Esta alteração clínica se denomina de polidipsia. Na maioria das vezes isso é causado por desequilíbrios nos rins e no fígado. Doenças bacterianas graves como piometra (infecção no útero), leptospirose, gastroenterites podem levar a um aumento da ingestão de líquidos. Outras doenças hormonais como diabetes, hiperadrenocorticismo (Síndrome de cushing), hipertireoidismo também causam polidipsia.

– Medicamentos e tratamentos para doenças específicas podem exigir uma ingestão maior de líquidos.

– Estresse e ansiedade: principalmente os felinos, quando ficam estressados, podem reduzir o consumo de água, favorecendo o aparecimento de doenças do sistema urinário (obstrução uretal ou vesical, cálculos vesicais, urolitíase, entre outros)

O que fazer se meu pet está bebendo pouca ou muita água?
Caso seu cão venha a apresentar qualquer tipo de alteração no seu consumo de água que fez chamar sua atenção, leve-o para um atendimento com um médico veterinário.

Devemos nos alertar e preocupar em situações de mudança de comportamento associados a outras alterações clínicas como perda de peso, vômito, febre, diarreia, lesões na pele.

Para a baixa ingestão de líquidos anormal (oligodipsia) podemos estimula-lo, trocando a água diariamente, mudando tipo de bebedouro, colocando fontes (principalmente felinos), evitar ambientes e situações que causem estresse.

Cuidado ao forçar a ingestão de água ao animal. A administração forçada pode levar a um quadro grave pela aspiração de líquido pelo pulmão, causando de pneumonia por aspiração.

A polidipsia (aumento no consumo de água) não se trata de uma doença e sim um sinal clínico. Entretanto, esse comportamento pode estar relacionado a alguma doença. A polidipsia costuma estar acompanhada por poliúria (o animal urina mais) e outros sinais clínicos, motivando o tutor a procurar um veterinário para avaliação.

Foram descritos acima vários motivos que podem causar oligodipsia e polidipsia, então não tente diagnosticar nem medicar por conta própria.

Sua atitude faz toda diferença, não espere para levar seu pet ao Veterinário!
Com uma lista tão grande de causas prováveis citadas anteriormente, somente um médico veterinário poderá chegar à conclusão do que está acontecendo com seu cão ou gato.

O veterinário irá diagnosticar a causa segundo histórico e avaliações clinicas, podendo ser solicitado exames (hemograma, perfil bioquímico renal e hepático, glicemia, dosagem de eletrólitos, exame de urina, triglicérides, colesterol, ultrassom abdominal), e assim definir um tratamento adequado.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 3º sinal clínico: Perda de apetite.

PC - Post 03 VIU ALGO Postlink - v1.1.png

Mais um tema importante: anorexia ou falta de apetite. Um sinal clínico que é muito conhecido do tutor e um dos principais motivos a buscar ajuda clínica. Mas ainda infelizmente é muito negligenciada, muitos tutores tratam com indiferença, podendo deixar o animal em estado grave até buscar atendimento veterinário, muitas vezes pode ser tarde demais devido a intensa desnutrição e imunidade comprometida.

O comportamento normal de um cão é estar sempre pedindo por comida, não significa eles estejam com fome. O felino já tem um comportamento diferente, mas sempre que o pote estiver cheio, ele estará lá comendo aos poucos. É instintivo querer comer um pouco a mais, pois seus ancestrais eram caçadores e não sabiam quando seria a próxima refeição.

Os tutores também precisam estar cientes que, se o animal não comer a ração e oferecer a ele um petisco saboroso, o cão aprenderá que essa atitude é normal, e sempre rejeitará a ração para ganhar petisco. Nós mimamos e tratamos os nossos animais de estimação como um membro da nossa família, e muitas vezes é importante prestar atenção em qualquer disparidade no comportamento deles.

 

Principais causas de perda de apetite.

– Doenças: a perda de apetite pode estar presente em qualquer doença de cães e gatos.

– Estresse: pode estar relacionada a algum episódio recente, mudanças de ambiente, chegada de bebê ou novo cachorro, perda de um membro da família, ansiedade de separação, etc.

– Dieta inadequada: alteração brusca da dieta alimentar. Mimar com muitos petiscos pode ficar com paladar exigente. Os felinos são mais sensíveis a troca brusca de alimentação, e faz com que eles parem de comer totalmente.

– Medicamentos: Alguns medicamentos como anti-inflamatórios ou antialérgicos podem levar a perda de apetite.

 

Como ter certeza que a falta de apetite é um sinal de alerta?

Ao perceber um comportamento de não querer se alimentar e observar se começou de uma hora para outra ou se já está a alguns dias sem comer direito, pode ser um alerta. A relutância em ingerir líquidos também pode levar a um quadro de desidratação rapidamente.

Não confundir anorexia (que é a perda de apetite) com inapetência. A anorexia, é quando o animal não ingere nenhum tipo de alimento. A inapetência (ou hiporexia), é quando o animal diminui o consumo de alimento, ou seja, não consome a mesma quantidade de antes. Este último sinal clínico pode estar relacionado quando o animal consome a mesma ração durante muito tempo.

Como tutor, se atente para outros sinais clínicos. Quando apresentam febre, vômito ou diarreia por exemplo, geralmente param a ingestão de água. Este é um momento de alerta e devemos levá-lo ao Veterinário o mais rápido possível.

Evitar que o animal fique em jejum prolongado.

Com o animal mais de 24 horas sem comer totalmente, outros sinais clínicos podem começar a aparecer podendo gerar sérios problemas para saúde.

Quando os felinos ficam mais de 48h sem se alimentar podem desenvolver lipidose hepática, que é o acumulo de gordura no fígado devido a mobilização da gordura de reserva, agravando o quadro clínico.

Ao se alimentar com menos quantidade em comparação ao que comia normalmente (inapetência), em poucos dias ele começará a perder peso e desnutrir rapidamente.

Caso seu pet não esteja aceitando a ração pura, deve-se tentar oferecer alimentos mais apetitosos, mas sem exageros pois está sendo uma atitude paliativa. O importante é não esperar o seu pet parar de comer totalmente para tomar providências.

Viu algo, faça algo! Consultar um Veterinário, portanto, é uma providência importante.

Chegando ao Veterinário, o principal objetivo é descobrir a sua causa primária. O diagnóstico é necessário para dar início a um tratamento eficaz. Exames clínicos e avaliação do animal é indispensável. Além disso, muitas vezes é necessário realizar exames para um diagnóstico definitivo. Esses exames são direcionados de acordo com outras alterações clínicas que o animal apresentar, podendo incluir exames laboratoriais, raio-x, ultrassonografia ou endoscopia, por exemplo.

Devemos estimular o animal a se alimentar corretamente.

Devemos sempre lembrar que a alimentação adequada é uma das condições para uma vida saudável.
– Rotina de alimentação: ideal de 2x ao dia com a quantidade de ração adequada
– Usar brinquedos que liberam comida em vez de oferecer toda a refeição
– Petiscos: oferecer de forma correta, desde que não cause o desequilíbrio da quantidade de ração.
– Certifique-se de que ele beba bastante água
– Você pode alterar para uma ração úmida, que sempre é mais saborosa. Consulte o veterinário sobre a melhor forma de suprir as necessidades nutricionais do animal.
– Se a razão para a perda de apetite cão é física ou psicológica, é importante monitorar a dieta do cão, a fim de combater eficazmente o problema, antes que ele possa ter graves consequências.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 2º sinal clínico: Diarreia (fezes moles ou com sangue)

A diarreia é uma alteração clínica bastante comum e pode ocorrer desde uma simples ocorrência até uma doença grave, debilitando e desidratando o animal e até levar ao óbito.

Muitos donos de pets não acham importante consultar um profissional quando a diarreia ocorre, e isso pode ser explicado pelo fato de que a maioria dessas ocorrências podem ser consideradas relativamente comuns, e que ocorrem até mesmo pelo simples exagero de comidas em uma só refeição, troca de dieta, etc.

Como identificar a diarreia de doença grave?

A diarreia é caracterizada pelo aumento da frequência e volume das fezes, assim como diminuição da consistência. As fezes moles e diarreicas contêm grande quantidade de água, e também podem apresentar muco, sangue, gordura ou alimento não digerido.

Na diarreia em felinos, poderá notar a incapacidade de evitar a defecação fora da caixa de areia e podem ter vômitos ocasionais.

Quando a diarreia é aguda, ocorre de forma isolada e não apresentam outros sinais clínicos, os animais são tratados sintomaticamente. Porém nos casos de diarreia grave ou crônica, apresentando outras alterações como vômito ou apatia, deverá ser solicitado pelo veterinário alguns exames para diagnóstico e tratar a causa.

Ao avaliar que a diarreia está cada vez mais frequente e possível presença de sangue, deve leva-lo imediatamente ao veterinário.

Muito importante entender que, a diarreia não é uma doença, mas sim uma condição que pode ser causada por várias doenças, como por exemplo:
– Ingestão de alimentos estragados
– Presença de corpo estranho
– Alergia alimentar
– Ingestão de alimentos altamente gordurosos
– Doenças gastrointestinais
– Intoxicações
– Doenças renais
– Mudança súbita da dieta (troca de ração)
– Doenças parasitárias (verminose)
– Doenças virais (cinomose, parvovirose, para felinos FIV/FELV)
– Doenças bacterianas
– Medicamentos
– Doenças pancreáticas (pancreatite, insuficiência pancreática)
– Doenças hormonais
– Neoplasias

Levando ao Médico Veterinário

Tanto o diagnóstico como o tratamento de qualquer possível doença se tornam muito mais fácil e rápido, evitando complicações maiores na saúde do pet. Você, ao observar as alterações nas fezes do seu pet (presença de sangue, muco, coloração), passe essa informação ao veterinário pois isso pode facilitar bastante a investigação do problema.

Os exames comumente solicitados para essa alteração clinica inclui exame laboratoriais como hemograma, exames bioquímicos (função renal, hepática, avaliação pancreática), testes parasitológicos (exame de fezes), testes sorológicos (para suspeita de doenças virais), raio x, ultrassonografia e até endoscopia.

Como tratar a diarreia?

Como já comentamos, a melhor solução para tratar a diarreia nos cães (e quaisquer outros sintomas de doenças caninas) é contar com a ajuda de um profissional veterinário, pois é só ele que terá condições de identificar e diagnosticar problema e indicar o tratamento mais adequado.

Geralmente, para os animais com diarreia leve, sem presença de desidratação, pode-se tentar alimentar com dieta branda com baixo de teor de gordura, por poucos dias. Não deixar o animal sem se alimentar de forma alguma! O jejum pode piorar a flora intestinal e agravar o quadro clinico, se ele já está debilitado, poderá ficar mais. No mercado pet atualmente existem rações específicas para alterações intestinais. Não se deve suspender a água. Se ele se recusar a comer, com o animal internado pode-se intervir colocando uma sonda nasogástrica ou sonda esofágica que são procedimentos simples.

Filhotes são muito mais sensíveis à diarreia, por isso, com eles não devemos perder o mínimo de tempo antes de levá-los ao veterinário.

No caso das diarreias persistentes e com presença de desidratação, é necessária a administração de soro (fluidoterapia) principalmente por via intravenosa, para reidratar e prevenir uma futura desidratação do animal.

Podem ser prescritos antibióticos para tratar de qualquer bactéria que esteja alterando a flora intestinal. Para os exames positivos para verminoses, o tratamento é com vermífugo específico. Nos gatos, podem existir algumas causas da diarreia podem não ser curáveis e requerer medicação permanente para ajudar na normalização das fezes.

Vamos prevenir para que isto ocorra? Viu Algo, Faça Algo!

A prevenção é importante para evitar as principais causas da diarreia. Podemos evitar que o animal tenha acesso ao lixo e evitar alterações repentinas nas rações caninas e felinas. Além disso, é muito importante manter a vacinação e vermifugação em dia, e realizar check up com certa frequência.

Fique sempre de olho no seu animal de estimação em casa e no caso de aparecerem novamente os sinais de diarreia, sangue ou muco nas fezes, contate o Médico Veterinário.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 1º sinal clínico: Vômito

PC - Post 01 VIU ALGO - v1.1-01.png

Embora seja uma ocorrência relativamente comum, o vômito em cães e gatos pode, sim, ser uma emergência!

Esta é uma das alterações clínicas mais observadas pelos tutores em cães e gatos, sendo um dos principais motivos para procurar o Médico Veterinário.

Este sinal clínico é encontrado em diversas doenças e nunca devemos ver como uma alteração isolada, pois é inespecífica e pode indicar diversos estímulos ou doenças.

Devemos sempre investigar o que está causando o vômito, pois dependendo da sua frequência pode levar a desidratação e pode indicar sérios riscos a vida do animal.

 

O vômito propriamente dito consiste na expulsão do conteúdo gástrico pela boca, muito importante diferenciar de regurgitação e tosse.

– Vômito: o conteúdo aparece 90% digerido, ou seja, o conteúdo se apresenta sem forma definida.

– Regurgitação: é quando se observa a forma do alimento (arroz, pedaços da ração, carne, entre outros).

– Tosse: casos de traqueíte ou traqueobronquite, a tosse pode ser confundida com vômito, uma vez que há um esforço acompanhado pela expulsão de muco proveniente da traqueia, (comportamento de estar “engasgado”)

 

O que devemos pensar quando o cão ou gato vomita?

Em muitas situações o animal pode ingerir plantas/gramíneas, e esse comportamento ainda não tem explicação científica, porém acredita-se que os animais consomem essas plantas como “ervas medicinais” para provocar o vômito quando estão enjoados. Não devemos esquecer de manter em dia vacinas e vermífugos.

Os gatos de pelo longo principalmente, podem vomitar bolas de pelo, devido ao seu comportamento de se lamber para se limpar com frequência.

É importante saber há quanto tempo o problema está acontecendo, qual a frequência, se o animal está tomando algum tipo de medicamento, qual o conteúdo e cor do vômito e, ainda, relembrar possíveis mudanças ambientais ou alimentares no período.

 

Para se ter uma ideia do quanto esse sinal clínico é inespecífico, segue abaixo uma lista de algumas doenças que causam vômitos:

– Intolerância de algum alimento ingerido (alergia a algum componente da ração ou alimento caseiro)

– Troca brusca de ração

– Ingestão de algum alimento estragado (intoxicação alimentar)

– Problemas gástricos (ulceração gástrica, síndrome de dilatação / vólvulo gástrico…)

– Intoxicação (medicamentos, plantas, substâncias tóxicas, pesticidas…)

– Doenças virais (cinomose, parvovirose, panleucopenia felina…)

– Doenças bacterianas (leptospirose, enterite bacteriana…)

– Doenças parasitárias (verminoses…)

– Doenças hepáticas

– Ingestão de corpo estranho

– Doença renal

– Piometra (infecção no útero)

– Pancreatite

– Neoplasias

– Doenças do Sistema Nervoso (convulsões, epilepsia)

 

Em qual momento devo procurar ajuda?

VIU ALGO, FAÇA ALGO! Se você notar que é frequente ou que vem associado a outros sinais (febre, apatia, diarreia, aumento de volume abdominal, falta de apetite), é preciso levá-lo ao médico veterinário o quanto antes, pois o vômito intenso desidrata rapidamente e pode até matar.

Evite automedicar seu animal, pois medicações usadas na rotina humana, como as que inibem o vômito, por exemplo, são contraindicadas.

Dependendo da gravidade dessa condição, será necessário um tratamento imediato para corrigir a desidratação, e além disso será importante pesquisar a possível causa. Um bom relato sobre a rotina do seu pet pode ser importante. Exames como hemograma, exames bioquímicos, exames da urina e fezes, radiografia, ultrassonografia e endoscopia também podem ser requisitados para esclarecer o quadro. Existem casos mais complexos que necessitam de procedimento cirúrgico conhecido como laparotomia exploratória (que consiste em um abrir o abdômen do paciente para melhor avaliação).

Com o diagnóstico definido, é muito mais fácil intervir e realizar um tratamento específico. Quanto antes o tratamento for iniciado, maiores as chances de sobrevivência.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

.

 

 

OBESIDADE EM CÃES E GATOS

 

Obesidade-em-cães-e-gatosA obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo gordura em níveis maiores que os necessários para o bom funcionamento do organismo, prejudicando suas funções fisiológicas.

Atualmente, esse distúrbio é uma questão de saúde pública e uma preocupação mundial tanto para humanos quanto para os pets. Cães e gatos já são considerados parte da família, e com isso estão mais próximos dos hábitos alimentares e estilo de vida do seus tutores.

A prevalência de casos de obesidade nos animais tem aumentado significativamente, e já estima-se que a obesidade no Brasil varie na faixa de 6 a 12% da população de gatos e 25 a 45% da população de cães.

A maioria dos tutores não reconhece ou simplesmente ignora o excesso de peso do seu pet e por isso não se preocupa em levá-lo ao Veterinário. É muito importante ter em mente que, o controle da obesidade não é somente para tratar um problema estético e sim para prevenir várias doenças.

 

FATORES QUE LEVAM À OBESIDADE

Alimentação: Hábitos alimentares incorretos relacionados à baixa qualidade da dieta oferecida pelos tutores (muitas vezes até com alimentos caseiros) e número de refeições influenciam no aumento de peso do animal.  Existe também a superalimentação, que é o fornecimento do alimento em excesso, oferta de petiscos calóricos e sobras de refeições.

Sedentarismo: A falta de exercício é um dos principais fatorem que levam o animal a ficar obeso.

Genética do animal: Animais que são predispostos à obesidade são: Cocker Spaniel, Labrador, Golden Retriever, Shetland Sheepdog, Dachshund, Basset Hound, Schnauzer, Springer Spaniel, Chihuahua e Pug. Não há relatos de predisposição à obesidade entre as raças de gatos.

Castração: A obesidade é duas vezes mais frequente em animais castrados. Contudo, os benefícios desse procedimento ainda são mais importantes e ele é recomendado. É necessário apenas um maior cuidado com o sobrepeso.

Idade: A incidência deste distúrbio metabólico aumenta com a idade, sendo que o intervalo de idade de maior prevalência se situa entre 5 a 10 anos.

Distúrbios endócrinos: Diabetes Mellitus, hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo são os principais distúrbios associados à obesidade.

Sexo: para os cães, a obesidade é mais comum nas fêmeas quando comparadas a machos da mesma faixa etária, já para os gatos, os machos têm maior predisposição.

 

AS DOENÇAS ASSOCIADAS

Não só pelo fator estético, a obesidade deve ser combatida porque leva a várias alterações sistêmicas oferecendo risco à saúde do animal:

– Doenças cardiovasculares

– Doenças osteoarticulares

– Doenças de pele

– Lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado) que ocorre principalmente nos felinos

Além dessas doenças, o animal tem deficiências na imunidade, aumentam os riscos cirúrgicos e anestésicos e diminui a expectativa de vida.

 

DIAGNÓSTICO

Animais são considerados obesos quando o seu peso corporal ultrapassa 20% do ideal de sua raça.

O veterinário realiza uma série de exames físicos que incluem avaliar o escore corporal, realizar a pesagem, inspeção visual e palpação da gordura tecidual. O animal também deve passar por uma série de exames laboratoriais incluindo hemograma, urinálise, bioquímicos e hormonais, para verificar a saúde geral e descartar outras doenças associadas.

 

PREVENÇÃO

Devemos mudar alguns hábitos:

– Fornecer alimentos balanceados e nas quantidades adequadas a sua necessidade diária. Para isso é essencial consultar um médico veterinário, pois é ele quem vai indicar o alimento adequado e específico para seu pet;

– Estimular exercícios físicos regularmente;

– É importante sempre levar seu pet ao médico veterinário para consultas e check ups, ao menos uma vez por ano.

 

CONCLUSÃO

Entendendo um pouco mais sobre esse distúrbio nutricional, conclui-se que o excesso de peso é uma condição debilitante da saúde, e que o Médico Veterinário é o profissional capacitado para identificar, diagnosticar e estabelecer metas para reverter o quadro o mais rápido possível.

Pelo bem do seu pet, é importante instituir um plano de emagrecimento e incentivar a mudança de hábitos e comportamentos.

 

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Intoxicação em Cães e Gatos – Saiba o que fazer em casos de intoxicação, o socorro imediato pode salvar a vida de seu cão

A utilização crescente e abusiva de substâncias químicas não acompanhada de precauções e cuidados necessários, vem causando sérios problemas de saúde tanto às pessoas quanto aos animais. As intoxicações podem ser causadas pela ingestão, aspiração ou introdução no organismo, acidental ou não, de substâncias tóxicas.

Com relação ao registro dos acidentes pelas clínicas veterinárias, podemos dizer que há uma certa frequência de casos e diante da seriedade desses acidentes, cabe a nós médicos veterinários conscientizar as pessoas dos riscos, visando a prevenção.

Vamos falar aqui das intoxicações causadas por substâncias utilizadas de forma errada para eliminação dos ectoparasitas, ou seja, para tratar sarnas e eliminar pulgas e carrapatos do animal.

Existem muitos inseticidas e acaricidas que são seguros no mercado, desde que se preste atenção ao modo correto de utilizar. As intoxicações ocorrem com muita frequência, justamente pelo fato do desconhecimento pelo tutor na forma de uso do produto.

Quando há a intoxicação por esses produtos, ocorrem alterações nervosas (agitação, torpor, convulsões), digestivas (salivação, vômitos, diarreia), oculares (lacrimejamento, pupilas dilatadas) e respiratórias (dificuldade respiratória, mucosas cianóticas).

Produtos que são somente para dedetização do ambiente (Butox®, por exemplo), são usados de forma errada, como na forma de banhos no animal. Além disso esse produto vem com uma concentração alta e deve ser diluído para ser colocado no ambiente. Leia a bula do Butox® e veja as orientações do produto (se usa na forma de banhos em bovinos somente), não é indicado para tratamento de ectoparasitas em cães ou gatos.

Outro tóxico que as pessoas comumente utilizam de forma errada é a Creolina®, indicada na limpeza de ambientes, e quando aplicado diretamente no animal pode ser extremamente tóxico causar irritação e queimaduras na pele, olhos, boca e garganta; vômitos e dores abdominais; danos ao coração, fígado e rins; anemia; paralisia facial, coma e até levar a morte.

Os produtos a base de piretrina e permetrina geralmente de uso tópico (talcos, shampoos, sabonetes e coleiras) são seguros se corretamente utilizados, existe uma quantidade ideal para cada tamanho e peso do animal, e também não devem ser utilizados concomitantemente na hora do banho por aumentar muito o risco de intoxicação.

Os produtos acaricidas, para tratar sarna (Amitraz, por exemplo) devem ser diluídos corretamente e utilizados somente em cães. Se no rótulo ou bula do produto não for especificado o uso em gatos, NÃO utilize.

Existem os pesticidas a base de organosfosforados e carbamatos que são extremamente tóxicos para humanos e animais domésticos. Cuidado com os venenos para insetos (Baygon®, Raid® ), o spray se deposita no chão e seu animal pode pisar e/ou lamber o produto.

 

Meu pet foi intoxicado, o que fazer?

Encaminhe imediatamente para o veterinário. Lembre-se que quanto antes o animal for atendido, maior a chance de salvar seu pet.

Você pode ligar para o CCI (Centro de Controle de Intoxicação) o telefone vem no rótulo do produto, quanto mais informações você der, maior a chance de que seu pet seja tratado a tempo e com qualidade.

O tratamento das intoxicações deve ser sempre realizado por um Médico Veterinário. NUNCA medique seu pet por conta própria, nem subestime o poder de toxicidade de certos produtos. Muitas vezes o tutor “acha” que vai melhorar sozinho ou resolve tratar com “receitas caseiras”, como dar um leite ou clara de ovo, e isso pode piorar o quadro clínico diminuindo as chances de salvar seu animal.

Leve junto o frasco ou qualquer informação sobre o veneno, pois, se há conhecimento do tóxico que o animal teve contato, muitas vezes pode ser administrado antídoto.

Muito importante saber informar o veterinário sobre o tempo de exposição e quantidade ingerida, pois quanto maior for o tempo em que seu animal ficou exposto aos produtos químicos, e maior a concentração do agente químico, maiores serão as possibilidades deste produto causar danos à saúde.

 

Vamos prevenir para que isso não aconteça?

– Utilizar produtos prescritos pelo Veterinário.

– Sempre leia a bula antes de utilizar o produto

– Não usar inseticidas sem orientação prévia.

– Na dúvida de utilizar qualquer substância no animal ou no ambiente, entre em contato com o Veterinário do seu pet, é a melhor pessoa para te instruir.

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

INTOXICAÇÃO POR CHOCOLATE

Chega a época da Pascoa e nós queremos agradar as pessoas mais especiais e até nossos pets que fazem parte da família. Se você adora compartilhar chocolate com o seu animalzinho, saiba que isso pode ser muito perigoso.

Como é uma época em que muitas pessoas ficam com chocolate em casa, tem chocolate no sofá, na mesa, na cadeira, ou seja, existe uma grande possibilidade do seu animal ter acesso, por isso, tome muito cuidado!

Chocolate-pode-causar-intoxicacao-nos-pets-e1428026820901

 

Composição do Chocolate

O chocolate tem em sua composição carboidratos, lipídeos, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metilxantinas (teobromina e cafeína), sendo esses últimos os mais tóxicos para os animais. As metilxantinas são os maiores causadores de intoxicação nos cães e a quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate.

A teobromina é encontrada no cacau em quantidade bem superior a cafeína, e a quantidade dessa substância é maior nos chocolates amargos, que possuem menor concentração de lipídios. No caso do chocolate branco por ter maior matéria lipídica em sua composição e menor quantidade de cacau, tem menor teor de teobromina e não oferecem tanto risco para os cães.

Contudo, a cafeína, embora seja encontrada de 3 a 4 vezes em menor quantidade no chocolate do que teobromina, também contribui para o quadro de intoxicação.

 

Você sabia que apenas 25g de chocolate pode envenenar um cão de 20kg?

A dose tóxica varia de acordo com o porte físico do animal, a sensibilidade do animal à teobromina e também com o tipo de chocolate que é ingerido.

 

Sinais de intoxicação

Os sinais podem aparecer de 6 a 12 horas após a ingestão de chocolate, podendo persistir por até 6 dias, pois é o fígado que processa essas substâncias.

As metilxantinas são rapidamente absorvidas pelo trato gastrointestinal. Após cair na corrente sanguínea, estas substâncias alcançam diversas partes do organismo e, quando atingem o sistema nervoso central, causam excitação como tremores e convulsões.

O animal também poder ter associado outros sinais como: diarreia, vômito, dilatação abdominal, inquietação (incômodo, agitação), aumento da ingestão de água, aumento da respiração e batimentos cardíacos, febre e até coma. Em alguns casos, também pode ocorrer hemorragia intestinal.

Ainda há o fato de que, como o chocolate possui grande quantidade de gordura, o pâncreas também sofre importantes danos.

 

Tratamento

Nunca dê leite para o seu animal!!!

Quanto mais cedo levar ao veterinário, maior a chance de sobrevida. Não há um tratamento específico para a intoxicação por chocolate, somente é feito tratamento de suporte. Se a ingestão for recente (até 3 horas) pode ser feita a indução do vômito ou até lavagem estomacal. A fluidoterapia (soro) deve ser realizada, para reidratação e reposição dos eletrólitos. Outros tratamentos são feitos de acordo a avaliação individual de cada animal.

Existem vários chocolates próprios pra cachorro. Proteja seu pet, essa dica não está restrita apenas à época da Páscoa, mas a todos os dias do ano!!!

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

Parece milagre, mas é acupuntura veterinária

O centro de radiografia próprio da Pet Center Canoas possibilita diagnósticos mais rápidos e tratamento mais eficaz.
O centro de radiografia próprio da Pet Center Canoas possibilita diagnósticos mais rápidos e tratamento mais eficaz.

A acupuntura é uma técnica milenar consagrada na China e difundida em todo o mundo. Ela é um dos tratamentos mais antigos utilizados para tratar humanos e animais, sendo uma especialidade reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Sim, animais. Pouca gente sabe, mas ao mesmo tempo em que se desenvolvia para o tratamento de humanos a acupuntura evoluía no tratamento de cavalos e outros animais. Ela é amplamente utilizada hoje em cães e gatos como tratamento complementar. Além de ser indolor ela dificilmente tem contraindicações.

O tratamento consiste em reestabelecer o equilíbrio energético do animal com a colocação de finíssimas agulhas e/ou com a utilização de moxa (Artemisia Vulgaris) em pontos estratégicos do animal e com a utilização de ervas por via oral. Além de reestabelecer o equilíbrio energético também são liberadas substâncias que ajudam o sistema imunológico e endócrino a manter a qualidade de vida do animal.

Muitas são as doenças que podem ser tratadas pela acupuntura. Podemos tratar problemas de pele, paralisias, distúrbios comportamentais, cistite, dentre outras. Mas sem dúvidas a doença mais conhecida, e que apresenta os resultados mais surpreendentes no tratamento, é a cinomose. Animais que ficaram meses sem andar por sequelas da doença voltam a correr e ter uma vida normal com algumas sessões.

O tratamento é individualizado, ou seja, cada animal é tratado de maneira única e exclusiva, com agulhas descartáveis, e não há necessidade de ser sedado em nenhum momento. Como a acupuntura estimula o próprio organismo a se curar, os resultados e o número de sessões necessárias podem variar de acordo com o estado de saúde do paciente.

Mais rápido ou mais lento, o importante é que todos os pacientes alcançam ganhos na melhoria da qualidade de vida com o alívio de dores e do desconforto causado por diferentes doenças. E como a Pet Center Canoas possui espaço próprio de radiografia, o diagnóstico e tratamento são muito mais objetivos, efetivos e rápidos.

Converse com seu veterinário sobre isso, e se precisar, estou à disposição.

 


Rosane Lopes Colares
Médica Veterinária
CRMV/RS 7082