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Viu algo, Faça algo! – 6º sinal clínico: Dificuldade de respirar

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A nossa campanha Viu Algo, Faça Algo aborda um outro tema super importante: A dificuldade respiratória. Precisamos saber identificar qual é a alteração especifica, como podemos diferenciar algumas causas para agirmos rapidamente. Devemos levar muito a sério as alterações de comportamento e sinais clínicos apresentados por nossos peludos pois o tempo pode ser crucial.

As causas da dificuldade respiratória são várias, mas só uma visita ao
veterinário pode identificar corretamente o problema.

  • Raças: Pug, Shih tzu, Buldogue francês, gatos persas são animais braquicefálicos (pets com o focinho achatado). São raças mais suscetíveis a doenças respiratórias, pois possuem anormalidades estruturais no seu trato respiratório, fazendo com que suas vias de entrada de oxigênio se tornem estreitas.
  • Estenose de traquéia (colapso de traquéia): mais comuns em cães do que em gatos. Os braquicefálicos podem ser acometidos, e também cães da raça Yorkshire terrier, Poodle, Chihuahua, Lhasas apso e Lulu da pomerânia (Spitz alemão). Podem fazer ruídos estranhos ao respirar, que vão se agravando, podendo ter períodos de paradas respiratórias durante o sono, engasgos, mudança na cor das mucosas (devido a falta de oxigenação), desmaios ou alterações na consciência.
  • Infecções bacterianas/fungicas/ virais: causando pneumonia, bronquite, tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina).
  • Intoxicação (organofosforados utilizados contra carrapatos/pulgas, opióides,
    etc).
  • Problemas cardíacos (Saiba mais)
  • Obesidade (Saiba mais)
  • Asma: mais comum em felinos
  • Aspiração de alimento ou conteúdo gástrico para o interior do pulmão
  • Inalação de fumaça e gases nocivos
  • Quase afogamento
  • Lesão pulmonar devido ao trauma
  • Anemia: número de hemácias reduzidas levam a diminuição da troca de oxigênio pelos pulmões.
  • Altas temperaturas, calor excessivo
  • Neoplasias pulmonares (metástases principalmente)
  • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) refere-se a uma condição de falha respiratória súbita devido à acumulação de fluido e uma grave inflamação nos pulmões.

Sinais Clínicos relacionados a problemas respiratórios:

  • Esforços extremos para respiração.
  • Tossir.
  • Engasgos.
  • Descarga das narinas ou expectoração (secreções serosas, purulentas ou
    sanguinolentas).
  • Febre.
  • Cianose (coloração arroxeada na língua e mucosas).
  • Letargia e fraqueza.
  • Anorexia.
  • Ortopnéia (posição com pescoço esticado para respirar melhor).
  • Padrão respiratório restritivo (respiração “curta”).
  • Respiração de boca aberta.

O que fazer nesses casos?

Os sinais clínicos citados acima devem servir de alerta para os tutores.
Não dê nenhum medicamento sem a prescrição de um profissional. Você não sabe o real motivo desses problemas respiratórios, e em alguns casos, podem acabar agravando o quadro do seu pet.
De modo geral, aliviar a crise inicial é a melhor conduta a ser seguida é tentar deixar o pet o mais calmo possível, evitar que ele se agite e colocar em ambiente mais ventilado. Procurar um médico imediatamente.
Durante avaliação, o veterinário irá fazer uma avaliação clínica, e diagnóstico deve ser definido. Poderão ser solicitados painéis de exames, como exames de sangue, exames de imagem (radiografia de tórax, ecocardiograma e endoscopia, por exemplo).
Iniciando o tratamento emergencial, a causa principal deverá estabelecida e tratada especificamente de modo a evitar complicações ou morte. Colocar no oxigênio suplementar para minimizar o desconforto respiratório. Poderá ser feito tratamento com uso de antibióticos, analgésicos, fluidoterapia, e corticosteróides para reduzir a inflamação e inchaço pulmonar, se houver. Avaliações clinicas constantes deve ser feitas como temperatura, pulso, taxa de respiração, e da pressão sanguínea durante internação.

Algumas recomendações são úteis para evitar problemas respiratórios
futuros e a manutenção da qualidade de vida para os que já sofrem desse
mal.

  • Evitar uso de coleiras cervicais. Mais indicado utilizar peitorais.
  • Ventilação adequada, manter a temperatura do ambiente agradável, umidade
    do ar.
  • Evitar estresse e atividades físicas bruscas em animais predispostos (braquicefálicos), pois o animal pode ficar com dificuldade respiratória.
  • Elevar a altura dos bebedouros e comedouros para evitar engasgos.
  • Sempre controlar alimentação nos animais obesos.
  • Vacinas sempre atualizadas. Realizar exames veterinários periódicos.

Uma das melhores maneiras de identificar problemas de saúde do seu pet é prestar atenção no seu comportamento e nos sinais clínicos que ele apresenta.

Apenas um detalhe e você pode salvar a vida dele. Lembre-se disso!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320