Sequestro de córnea

Green-eyed-PersianO sequestro de córnea ou também chamado” mumificação corneana”, “córnea nigra” ou “necrose corneana”,  é um acúmulo de pigmento no estroma da córnea de felinos. As raças braquicefálicas, como Persas, são as mais acometidas. Porém cavalos e cães também podem ser afetados. A causa exata de seu aparecimento não está definida, mas se sabe que está relacionada com infecções por herpes vírus felino, falta de lubrificação corneana e por pelos tocando a córnea (distiquíase).

Esse pigmento pode variar de pequenos pontos a grandes placas negras no centro da córnea, podendo ou não estar associada à conjuntivite. Em sua maioria ocorre desconforto ocular e conjuntivite recorrente, o que leva a necessidade de remoção do sequestro. A recidiva é frequente.

A ceratectomia (remoção de segmento da córnea) é o procedimento cirúrgico indicado. Esse pigmento só deve ser removido por oftalmologistas veterinários experientes. Há necessidade de utilização do microscópio cirúrgico para que se magnifique as estruturas e se consiga uma remoção precisa do pigmento e preservação da córnea saudável.

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Lídia Clerot
Médica Veterinária
CRMV/RS 6864

 

Hipertermia por insolação e intermação

water dogsSabe aqueles passeios com seu pet em dias quentes? Eles podem causar hipertermia por insolação e até mesmo levar ao óbito. Esses casos são mais comuns do que imaginamos, e acontece principalmente pelo desconhecimento do tutor.

Tanto a hipertermia por insolação quanto por intermação ocorrem devido a exposição excessiva ao calor.

A insolação é a exposição aos raios solares por tempo prolongado.

A intermação é a ação do calor em ambientes pouco arejados (dentro do carro, por exemplo), ou quando o animal realiza esforço físico intenso.

Ambas as complicações resultam em aumento da temperatura corporal e pelo mau resfriamento do corpo. A temperatura normal de um cão varia de 37 a 39ºC. Temperaturas acima de 41ºC podem ser fatais, pois o animal pode entrar em choque e ter falência múltipla de órgãos. A temperatura elevada, combinada com fatores como falta de ingestão de líquidos (hidratação) e má circulação do ar podem levar o seu pet a ter várias complicações e até levar ao óbito.

Os principais fatores que desencadeiam a hipertermia são:

– Umidade: Quanto maior a umidade relativa do ar, mais difícil será a evaporação, conseqüentemente, o corpo acumula maior quantidade de calor.

– Ventilação: Sem circulação constante do ar o resfriamento torna-se difícil, provocando aumento da temperatura corporal.  Além disso, algumas raças têm maior predisposição a hipertermia, tais como o buldogue,  pug, shih tzu, entre outros. Essas raças são braquicefálicas (cabeça e focinho curtos) e possuem vias respiratórias mais curtas, então o ar não tem muito tempo para resfriar até chegar aos pulmões.

– Condições físicas: O esforço físico em excesso aumenta a produção de calor pelo organismo, enquanto a fadiga muscular acumula substâncias tóxicas nos tecidos. A associação de ambas predispõe o organismo a problemas de circulação sanguínea;

– Pelagem: animais com pelagem escura favorecem o acúmulo de calor, com conseqüente elevação da temperatura corporal.

 

Fique atento aos sinais de hipertermia:

– Salivação excessiva e espessa;

– Respiração extremamente ofegante;

– Fraqueza e andar cambaleante

– Nos casos mais graves, podem apresentar respiração fraca, quadros de diarréia, vômito, vermelhidão nas patas, boca, orelhas e na língua, até convulsões e inconsciência.

 

O que fazer?

Caso seu pet apresente algum destes sintomas, leve prontamente ao veterinário. Enquanto isso tente resfriá-lo com uma toalha molhada (fria) ou deixe-o em ambiente fresco com ventilador ou ar-condicionado. Ofereça água fresca. Evite colocar o animal em contato direto com água corrente, pois leva a vaso constrição periférica (contração dos vasos sanguíneos) e isso dificulta ainda mais a dispersão do calor podendo causar problemas mais graves em outros órgãos.

Seguem abaixo os principais cuidados com nossos animais nos dias quentes:

– Se nós muitas vezes ficamos incomodados com o calor, imagina seu pet, coberto de pelos. Os animais também precisam se adaptar ao calor.

– Evite passeios e exercícios intensos com seu pet entre 10h e 17h. Nestes horários, o sol está muito quente. Brincadeiras e esportes devem ser monitorados, pois o animal pode ficar ofegante e superaquecer.

– Antes de passear na rua com seu pet, sempre verifique a temperatura do chão. Teste primeiro com sua mão, ou pés por alguns segundos. Assim como nós, os pets também podem criar bolhas e até queimaduras sérias nas patinhas.

– Nunca deixe seu animal preso dentro do carro em dias de sol, mesmo que a janela esteja aberta. O calor excessivo pode causar uma situação de estresse e aumentar a temperatura corporal.

– Tosas e banhos podem ajudar.

– Os animais devem ter acesso a ambientes com sombra e água fresca disponível.

A prevenção é sempre o melhor caminho!  Pequenos cuidados e melhorias na rotina garantem a saúde do seu pet.

Veterinária Fernanda Xavier

 

Fernanda Xavier
Médica Veterinária
CRMV/RS 09420

 

 

 

 

Kellem Grings
Estagiária de
Medicina veterinária

 

Úlcera de córnea

dog-eyeÚlcera de córnea é uma lesão (ferida) na córnea que pode afetar qualquer espécie animal. A lesão pode ser causada por traumas, pelos encostando-se à córnea (distiquíase), malformações palpebrais (entrópio), produtos irritantes que entraram em contato com o olho como xampus, conjuntivites bacterianas dentre outros.

Das raças de cães as mais acometidas são: Shih tzus, Pug, Pequinês, Cocker Spaniel. Dentre os felinos: Persas , Exóticos e Himalaios, mas também outros mascotes como coelhos e chinchilas, além de potros e pôneis.

A prova de fluoresceína é o teste mais utilizado para visualizar a lesão corneana. Porém apenas um oftalmologista veterinário está capacitado para avaliar a gravidade ou não da lesão corneana e empregar o tratamento mais correto para a mesma, sendo este clínico ou cirúrgico.

A úlcera de córnea é uma afecção ocular grave, que provoca dor e desconforto, levando o pet a apatia e muitas vezes perda do apetite, uma vez que a córnea possui muitas terminações nervosas. Quando instituído um tratamento inadequado ou não diagnosticada em seu início, a úlcera de córnea pode se tornar mais extensa ou profunda e levar a perfuração ocular ou até mesmo a necessidade de remoção do globo ocular.

Um dos procedimentos cirúrgicos mais utilizados para auxílio na cicatrização das úlceras corneanas é o flap de terceira pálpebra. Diferente dos humanos, cães, gatos e outras espécies possuem a terceira pálpebra muito desenvolvida.  Porém é importante enfatizar que a avaliação de um especialista é imprescindível para o sucesso do tratamento. Nesse procedimento, a terceira pálpebra do paciente é utilizada como uma “lente de contato natural”, fornecendo vascularização, suporte e nutrientes para a córnea.

 

Lídia Clerot
Médica Veterinária
CRMV/RS 6864

 

 

Saiba mais sobre Oncologia Veterinária

family-with-petNos dias de hoje, nossos pets são membros da família, vivendo muitos anos conosco e trazendo imensas alegrias durante este período. Contudo, com o aumento da longevidade dos animais, uma doença mortal tem acontecido com mais freqüência do que gostaríamos, o Câncer.

O estigma do câncer acompanha a humanidade e nossos companheiros desde tempos imemoriais, trazendo dor e sofrimento para os pacientes acometidos, bem como para suas famílias. Durante muito tempo a doença foi considerada uma sentença de morte, onde a esperança dava lugar à desolação frente a um prognóstico desfavorável. Porém, isso está mudando.

A medicina teve uma evolução exponencial no último século, e a Oncologia é a área onde se concentram os maiores esforços e pesquisas na atualidade, trazendo tratamentos inovadores que melhoram a qualidade de vida de pacientes humanos, bem como de nossos peludos. Nesta perspectiva, o Oncologista se faz profissional essencial dentro da clínica de animais de companhia, promovendo conhecimento e atendimento altamente qualificado para lidar com uma doença tão complexa como o câncer. Como o câncer se origina das células que um dia foram normais dentro do nosso organismo, virtualmente qualquer sistema orgânico pode ser afetado, e a doença pode se manifestar de inúmeras maneiras, demonstrando os mais variados sintomas. Uma das apresentações mais comuns em cães é a neoplasia mamária, afetando fêmeas de meia idade e idosas, onde o tutor poderá perceber a presença de nódulos nas mamas.

Uma neoplasia maligna é caracterizada pela proliferação descontrolada de células alteradas, que sofreram mutações pelos mais diversos fatores (exposição a agentes carcinogênicos, fatores ambientais, predisposição genética) e, devido a este processo, não são mais reguladas pelo organismo. As células saudáveis apresentam e respondem a diversos mecanismos que controlam sua divisão e, quando estes falham, temos o afloramento do câncer. Através destas mutações a neoplasia também pode enganar o sistema imunológico e se espalhar pelo organismo, dando origem as metástases.

Citando nosso exemplo anterior de neoplasia mamária, tanto em mulheres quanto em cadelas, se a doença for descoberta precocemente e o tratamento adequado for instaurado, temos grandes chances de atingir a cura da paciente afetada! Estes tratamentos incluem a cirurgia, modalidade terapêutica muito utilizada em Oncologia, mas também podem ser necessários tratamentos adjuvantes como a quimioterapia. Esta modalidade terapêutica vem sendo muito utilizada em ambas as espécies, promovendo sequência ao tratamento cirúrgico e melhores chances de aumento na sobrevida. Um dado importante, a quimioterapia em animais de companhia costuma demonstrar poucos efeitos colaterais e, quando apresenta, são reversíveis e de fácil tratamento, diferindo dos tratamentos em seres humanos que são mais agressivos com efeitos mais deletérios ao paciente. Se houver a indicação de quimioterapia, não se assuste! A tendência é que seu companheiro reaja muito bem.

Finalizando, caso seu peludo tenha o diagnóstico de uma neoplasia maligna, procure o Oncologista! Ele é o profissional mais capacitado para avaliar o caso e promover o mais importante para todos os pacientes, independente da doença: Qualidade de Vida!

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

Intoxicação em Cães e Gatos – Saiba o que fazer em casos de intoxicação, o socorro imediato pode salvar a vida de seu cão

A utilização crescente e abusiva de substâncias químicas não acompanhada de precauções e cuidados necessários, vem causando sérios problemas de saúde tanto às pessoas quanto aos animais. As intoxicações podem ser causadas pela ingestão, aspiração ou introdução no organismo, acidental ou não, de substâncias tóxicas.

Com relação ao registro dos acidentes pelas clínicas veterinárias, podemos dizer que há uma certa frequência de casos e diante da seriedade desses acidentes, cabe a nós médicos veterinários conscientizar as pessoas dos riscos, visando a prevenção.

Vamos falar aqui das intoxicações causadas por substâncias utilizadas de forma errada para eliminação dos ectoparasitas, ou seja, para tratar sarnas e eliminar pulgas e carrapatos do animal.

Existem muitos inseticidas e acaricidas que são seguros no mercado, desde que se preste atenção ao modo correto de utilizar. As intoxicações ocorrem com muita frequência, justamente pelo fato do desconhecimento pelo tutor na forma de uso do produto.

Quando há a intoxicação por esses produtos, ocorrem alterações nervosas (agitação, torpor, convulsões), digestivas (salivação, vômitos, diarreia), oculares (lacrimejamento, pupilas dilatadas) e respiratórias (dificuldade respiratória, mucosas cianóticas).

Produtos que são somente para dedetização do ambiente (Butox®, por exemplo), são usados de forma errada, como na forma de banhos no animal. Além disso esse produto vem com uma concentração alta e deve ser diluído para ser colocado no ambiente. Leia a bula do Butox® e veja as orientações do produto (se usa na forma de banhos em bovinos somente), não é indicado para tratamento de ectoparasitas em cães ou gatos.

Outro tóxico que as pessoas comumente utilizam de forma errada é a Creolina®, indicada na limpeza de ambientes, e quando aplicado diretamente no animal pode ser extremamente tóxico causar irritação e queimaduras na pele, olhos, boca e garganta; vômitos e dores abdominais; danos ao coração, fígado e rins; anemia; paralisia facial, coma e até levar a morte.

Os produtos a base de piretrina e permetrina geralmente de uso tópico (talcos, shampoos, sabonetes e coleiras) são seguros se corretamente utilizados, existe uma quantidade ideal para cada tamanho e peso do animal, e também não devem ser utilizados concomitantemente na hora do banho por aumentar muito o risco de intoxicação.

Os produtos acaricidas, para tratar sarna (Amitraz, por exemplo) devem ser diluídos corretamente e utilizados somente em cães. Se no rótulo ou bula do produto não for especificado o uso em gatos, NÃO utilize.

Existem os pesticidas a base de organosfosforados e carbamatos que são extremamente tóxicos para humanos e animais domésticos. Cuidado com os venenos para insetos (Baygon®, Raid® ), o spray se deposita no chão e seu animal pode pisar e/ou lamber o produto.

 

Meu pet foi intoxicado, o que fazer?

Encaminhe imediatamente para o veterinário. Lembre-se que quanto antes o animal for atendido, maior a chance de salvar seu pet.

Você pode ligar para o CCI (Centro de Controle de Intoxicação) o telefone vem no rótulo do produto, quanto mais informações você der, maior a chance de que seu pet seja tratado a tempo e com qualidade.

O tratamento das intoxicações deve ser sempre realizado por um Médico Veterinário. NUNCA medique seu pet por conta própria, nem subestime o poder de toxicidade de certos produtos. Muitas vezes o tutor “acha” que vai melhorar sozinho ou resolve tratar com “receitas caseiras”, como dar um leite ou clara de ovo, e isso pode piorar o quadro clínico diminuindo as chances de salvar seu animal.

Leve junto o frasco ou qualquer informação sobre o veneno, pois, se há conhecimento do tóxico que o animal teve contato, muitas vezes pode ser administrado antídoto.

Muito importante saber informar o veterinário sobre o tempo de exposição e quantidade ingerida, pois quanto maior for o tempo em que seu animal ficou exposto aos produtos químicos, e maior a concentração do agente químico, maiores serão as possibilidades deste produto causar danos à saúde.

 

Vamos prevenir para que isso não aconteça?

– Utilizar produtos prescritos pelo Veterinário.

– Sempre leia a bula antes de utilizar o produto

– Não usar inseticidas sem orientação prévia.

– Na dúvida de utilizar qualquer substância no animal ou no ambiente, entre em contato com o Veterinário do seu pet, é a melhor pessoa para te instruir.

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

Documentação para viagens de avião, nacional e internacional. O que é preciso?

É comum programar férias em família e não pode faltar ninguém na viagem, inclusive os animaizinhos de estimação. #porquesim MEU PET FAZ PARTE DA FAMÍLIA!

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Mas você sabe quais documentos são necessários para viajar de avião com eles?

Antes de qualquer coisa busque informações sobre o local de destino e quais requisitos devem ser cumpridos para ingressar com os bichinhos, no caso de viagem para outro país entre em contato com a embaixada/consulado; organize-se com antecedência, tendo em vista que alguns documentos levam tempo para ficarem prontos; certifique-se que o estado de saúde e as vacinas do seu pet estão em dia; e, atente para exigências específicas de cada empresa aérea. Lembre-se que algumas raças não são aceitas pelas companhias aéreas por serem braquicefálicos (focinho curto), independente de cumprirem com os outros pré-requisitos.

De um modo geral, normalmente, é exigido que o bichinho seja acondicionado em caixa de transporte apropriada, portando atestado de saúde, carteira de vacinação, Certificado Veterinário Internacional (CVI) ou Passaporte (confira lista de documentos detalhada abaixo). Isso mesmo: PAS-SA-POR-TE (para mais informações acesse o site http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/folder%20caes%20e%20gatos-web-final.pdf).

 

Dicas importantes:

Previamente à viagem dê banho e apare as unhas do seu pet, retire roupinha, coleira ou quaisquer coisas que possam vir a machucar ou deixar desconfortável seu amigo.

Ofereça alimentos leves e estimule-o a urinar/defecar antes de acomodá-lo na caixinha que deve estar forrada com material absorvente e não conter objetos soltos no interior.

Mas, o mais importante, converse com o médico veterinário de sua confiança sobre a necessidade em sedar ou não seu pet, conforme exigência da companhia aérea.

 

Documentação exigida para viagens nacionais:

  • Atestado de saúde: Emitido pelo médico veterinário, tem validade de 10 dias a contar da data de emissão;
  • Carteira de vacinação: Certificado de vacinação antirrábica exigido para animais com mais de 03 meses de idade. Essa vacina precisa ser aplicada de 30 dias a 01 ano antes do embarque.

 

Documentação exigida para viagens internacionais:

  • Certificado Zoossanitário Internacional (CZI): É o documento emitido pelo serviço sanitário oficial do país de origem ou de procedência do animal, com o intuito de garantir o cumprimento das condições sanitárias exigidas para o trânsito internacional de animais até o país de destino. A validade deste documento é de acordo com as regras de cada país;
  • Atestado de saúde: Emitido pelo médico veterinário, tem validade de 10 dias a contar da data de emissão;
  • Carteira de vacinação: Certificado de vacinação antirrábica exigido para animais com mais de 03 meses de idade. Essa vacina precisa ser aplicada de 30 dias a 01 ano antes do embarque;
  • Microchip/tatuagem: O microchip é implantado no corpo do animal, contendo um código alfa numérico de identificação. Ao invés do microchip, uma tatuagem é aceita com as mesmas informações, normalmente localizada atrás da orelha do animal.

Laudo de Sorologia: É o envio de amostra de sangue para um dos dois laboratórios credenciados pela União Europeia (UE) no Brasil. ATENÇÃO: É necessário aguardar 90 dias entre a data da coleta do sangue e o embarque.


Cláudia Medeiros
Auxiliar de Veterinária

Profilaxia dentária

O que é doença periodontal?

A Doença Periodontal tem seu início com o acúmulo de placa bacteriana, que é uma película que se adere à superfície dentária. Com o passar do tempo, ela se mineraliza, formando os cálculos dentários(tártaro).

A primeira reação da cavidade oral é a gengivite (inflamação da gengiva), que quando crônica, pode passar para uma periodontite (destruição do suporte dentário), levando à perda dos dentes.

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Tratamento da doença periodontal? 

Para se realizar um tratamento realmente eficiente, o animal deve ser submetido à anestesia geral. A partir desse momento, os dentes são examinados um a um.  O cálculo é removido com um aparelho de ultra-som (tanto acima quanto abaixo da gengiva) e, muitas vezes, é necessário fazer outros procedimentos, como aplainamento radicular, extrações e até mesmo retalho gengival. Após a raspagem, os dentes são polidos com motor de baixa rotação, utilizando uma pasta especial. Esse procedimento deixa os dentes mais lisos, diminuindo o acúmulo de placa.

Riscos anestésicos?

Essa é a pergunta mais freqüente dos proprietários. Hoje em dia, com os recursos disponíveis, os riscos anestésicos são muito pequenos. O animal é entubado e recebe anestesia inalatória, com drogas que oferecem grande segurança. Além disso, durante todo o procedimento são monitoradas as funções vitais do animal, como pressão arterial e freqüência cardíaca e respiratória, como em um centro cirúrgico humano.

Ataque silencioso – saúde geral comprometida:

Durante todo o período em que o seu animal apresentar a doença periodontal lembre-se que, além do mau hálito que incomoda à toda família, ele também estará sofrendo um bombardeio silencioso de milhões de bactérias que estarão saindo das placas de tártaro e indo para seus órgãos internos através da corrente sanguínea.

Cada bactéria causa pequeninas lesões nos vasos sanguíneos, articulações (poliarterite) e em órgãos como coração (principalmente no endocardio – endocardite bacteriana), fígado (hepatite) e rins (glomerulonefrite). Com o passar dos anos, estas pequeninas lesões crescem, pois as bactérias presentes no tártaro continuam a se multiplicar, e passam a prejudicar o funcionamento destes órgãos.

Deve-se sempre lembrar que tão importante quanto o tratamento periodontal é a manutenção da saúde bucal após o mesmo, através das medidas profiláticas indicadas pelo seu médico veterinário.

Portanto a mensagem é clara: Proteja o seu animal!

Não permita que ele passe anos acumulando tártaro e bactérias que além de causarem odores desagradáveis, destruirão seus dentes e seus órgãos internos. Não espere que ele apresente “um pouquinho mais de tártaro ” para levá-lo a um odontologista veterinário.

Procure o tratamento periodontal o quanto antes e comece um programa de profilaxia e higiene bucal para que seu animalzinho possa passar longos anos de alegria e companheirismo ao seu lado.

 

Patrícia Oliva Rosa
Médica Veterinária
CRMV/RS 9138

 

 

INTOXICAÇÃO POR CHOCOLATE

Chega a época da Pascoa e nós queremos agradar as pessoas mais especiais e até nossos pets que fazem parte da família. Se você adora compartilhar chocolate com o seu animalzinho, saiba que isso pode ser muito perigoso.

Como é uma época em que muitas pessoas ficam com chocolate em casa, tem chocolate no sofá, na mesa, na cadeira, ou seja, existe uma grande possibilidade do seu animal ter acesso, por isso, tome muito cuidado!

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Composição do Chocolate

O chocolate tem em sua composição carboidratos, lipídeos, aminas biogênicas, neuropeptídeos e metilxantinas (teobromina e cafeína), sendo esses últimos os mais tóxicos para os animais. As metilxantinas são os maiores causadores de intoxicação nos cães e a quantidade de teobromina varia de acordo com o tipo de chocolate.

A teobromina é encontrada no cacau em quantidade bem superior a cafeína, e a quantidade dessa substância é maior nos chocolates amargos, que possuem menor concentração de lipídios. No caso do chocolate branco por ter maior matéria lipídica em sua composição e menor quantidade de cacau, tem menor teor de teobromina e não oferecem tanto risco para os cães.

Contudo, a cafeína, embora seja encontrada de 3 a 4 vezes em menor quantidade no chocolate do que teobromina, também contribui para o quadro de intoxicação.

 

Você sabia que apenas 25g de chocolate pode envenenar um cão de 20kg?

A dose tóxica varia de acordo com o porte físico do animal, a sensibilidade do animal à teobromina e também com o tipo de chocolate que é ingerido.

 

Sinais de intoxicação

Os sinais podem aparecer de 6 a 12 horas após a ingestão de chocolate, podendo persistir por até 6 dias, pois é o fígado que processa essas substâncias.

As metilxantinas são rapidamente absorvidas pelo trato gastrointestinal. Após cair na corrente sanguínea, estas substâncias alcançam diversas partes do organismo e, quando atingem o sistema nervoso central, causam excitação como tremores e convulsões.

O animal também poder ter associado outros sinais como: diarreia, vômito, dilatação abdominal, inquietação (incômodo, agitação), aumento da ingestão de água, aumento da respiração e batimentos cardíacos, febre e até coma. Em alguns casos, também pode ocorrer hemorragia intestinal.

Ainda há o fato de que, como o chocolate possui grande quantidade de gordura, o pâncreas também sofre importantes danos.

 

Tratamento

Nunca dê leite para o seu animal!!!

Quanto mais cedo levar ao veterinário, maior a chance de sobrevida. Não há um tratamento específico para a intoxicação por chocolate, somente é feito tratamento de suporte. Se a ingestão for recente (até 3 horas) pode ser feita a indução do vômito ou até lavagem estomacal. A fluidoterapia (soro) deve ser realizada, para reidratação e reposição dos eletrólitos. Outros tratamentos são feitos de acordo a avaliação individual de cada animal.

Existem vários chocolates próprios pra cachorro. Proteja seu pet, essa dica não está restrita apenas à época da Páscoa, mas a todos os dias do ano!!!

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

Parece milagre, mas é acupuntura veterinária

O centro de radiografia próprio da Pet Center Canoas possibilita diagnósticos mais rápidos e tratamento mais eficaz.
O centro de radiografia próprio da Pet Center Canoas possibilita diagnósticos mais rápidos e tratamento mais eficaz.

A acupuntura é uma técnica milenar consagrada na China e difundida em todo o mundo. Ela é um dos tratamentos mais antigos utilizados para tratar humanos e animais, sendo uma especialidade reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Sim, animais. Pouca gente sabe, mas ao mesmo tempo em que se desenvolvia para o tratamento de humanos a acupuntura evoluía no tratamento de cavalos e outros animais. Ela é amplamente utilizada hoje em cães e gatos como tratamento complementar. Além de ser indolor ela dificilmente tem contraindicações.

O tratamento consiste em reestabelecer o equilíbrio energético do animal com a colocação de finíssimas agulhas e/ou com a utilização de moxa (Artemisia Vulgaris) em pontos estratégicos do animal e com a utilização de ervas por via oral. Além de reestabelecer o equilíbrio energético também são liberadas substâncias que ajudam o sistema imunológico e endócrino a manter a qualidade de vida do animal.

Muitas são as doenças que podem ser tratadas pela acupuntura. Podemos tratar problemas de pele, paralisias, distúrbios comportamentais, cistite, dentre outras. Mas sem dúvidas a doença mais conhecida, e que apresenta os resultados mais surpreendentes no tratamento, é a cinomose. Animais que ficaram meses sem andar por sequelas da doença voltam a correr e ter uma vida normal com algumas sessões.

O tratamento é individualizado, ou seja, cada animal é tratado de maneira única e exclusiva, com agulhas descartáveis, e não há necessidade de ser sedado em nenhum momento. Como a acupuntura estimula o próprio organismo a se curar, os resultados e o número de sessões necessárias podem variar de acordo com o estado de saúde do paciente.

Mais rápido ou mais lento, o importante é que todos os pacientes alcançam ganhos na melhoria da qualidade de vida com o alívio de dores e do desconforto causado por diferentes doenças. E como a Pet Center Canoas possui espaço próprio de radiografia, o diagnóstico e tratamento são muito mais objetivos, efetivos e rápidos.

Converse com seu veterinário sobre isso, e se precisar, estou à disposição.

 


Rosane Lopes Colares
Médica Veterinária
CRMV/RS 7082

Hemograma: um grande aliado na investigação veterinária

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Paula Boeira Bassi, veterinária especialista no LAC Pet Center Canoas.

Atualmente, com a evolução das tecnologias na área veterinária, os animais de companhia têm acessos a exames de diagnósticos tão eficazes que, até bem pouco tempo, eram restritos aos seres humanos.

E como todo tratamento eficaz depende de um diagnóstico preciso, entram em cena os serviços de apoio, como o laboratório veterinário e diagnóstico por imagem. No laboratório, utilizamos os serviços que vão dos exames hematológicos até análises mais aprofundadas, respeitando sempre a diversidade das espécies, raças e porte dos animais.

Entre todos, o hemograma é o exame de sangue mais solicitado na rotina veterinária e tem como objetivo avaliar as células sanguíneas do paciente. Este exame é requerido pelo veterinário para auxílio no diagnóstico e controle da evolução de alguma doença. Este exame é muito importante, pois ele é o único exame que detecta a anemia no animal, além disso é usado como um exame de triagem pois ele auxilia na conduta do veterinário que avalia tanto a gravidade quanto a evolução de alguma doença durante algum tratamento.

Para melhor entendimento, o hemograma é considerado um painel de testes que examina as diferentes células do sangue, sendo:
  • Contagem de hemácias: são as células vermelhas, responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo. A diminuição ou aumento indicam estados anormais. Diminuição indica anemia e aumento indica policitemia.
  • Hemoglobina: Mede a quantidade de hemoglobina em um volume de sangue.
  • Hematócrito: Mede o volume percentual de hemácias em um volume de sangue.
  • Contagem de leucócitos: São as células brancas, que fazem parte do sistema de defesa do organismo. Mede-se o número total de leucócitos em um volume de sangue. Aumentos e diminuições podem ter significado.
  • Contagem diferencial de leucócitos: Determina a proporção de cada tipo de leucócitos. Há cinco tipos diferentes: neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos.
  • Contagem de plaquetas: São produzidos na medula óssea, importantes no mecanismo de coagulação sanguínea. A contagem determina o número de plaquetas em um volume de sangue. Aumentos e diminuições podem indicar anormalidades com sangramento excessivo ou risco de coágulos.
Quando o exame é solicitado pelo Veterinário?

O veterinário pode solicitar o exame em várias situações:

  • Antes de alguma cirurgia ou procedimento, para avaliar se os valores estão dentro dos parâmetros fisiológicos. A cirurgia é realizada com maior segurança.
  • Avaliar se o organismo do animal está reagindo bem a um tratamento medicamentoso.
  • Caracterizar o quadro clínico do animal após algum tipo de trauma (atropelamento, briga com outros animais), pois analisa a quantidade de sangue que o animal pode ter perdido ou até detectar uma possível hemorragia.
  • O exame detecta os tipos de leucócitos, sendo de grande valia para auxiliar no diagnóstico de outras condições, como uma alergia ou asma.
  • Nos animais saudáveis, o hemograma pode ser pedido apenas como um exame de rotina.
Existe contraindicação para realizar o exame?

Não existem contraindicações expressas para realizar o hemograma. No entanto, o veterinário pode dizer se o seu pet está apto a fazer o teste ou não.

Preparo do animal

O ideal é coletar o sangue do animal em jejum alimentar. Deve-se evitar o esforço físico do animal. Também devemos evitar o estresse do bichinho, pois pode levar a alterações nos resultados.

Quanto tempo demora para coletar o hemograma?

A coleta para o hemograma leva alguns minutos para ser realizado.

Periodicidade do exame

Não há uma periodicidade específica. Tudo dependerá das orientações do veterinário responsável e da presença ou ausência de doenças que devem ser acompanhadas pelo exame.

Existem riscos para realizar a coleta do hemograma?

São extremamente raros. No máximo, pode haver um hematoma no local em que o sangue foi retirado. Em alguns casos, a veia pode ficar inchada após a amostra de sangue ser recolhida (flebite), mas isso pode ser revertido fazendo uma compressa várias vezes ao dia. Existem alguns animais que podem ter problemas de coagulação e que podem sofrer com um sangramento contínuo após a coleta.

Resultados

Somente o médico veterinário poderá avaliar e interpretar os resultados, pois é ele que vai levar em conta os diversos fatores individuais de cada animal. Isto significa que um valor dentro ou fora do normal pode ter significados diferentes. A prenhez, por exemplo, pode alterar os valores sanguíneos fora da referência normal, mas que são parâmetros fisiológicos esperados para esta condição.

O que pode afetar o resultado do exame?
  • Medicamentos que podem baixar os níveis de plaquetas.
  • Animal estressado pode apresentar contagem elevada de glóbulos brancos.
  • Animal agitado ou esforço físico recente (caminhada prolongada), podem interferir nas contagens de hemácias, hemoglobina e hematócrito.

 

Aqui, o Laboratório de Análises Clínicas (LAC) da Pet Center Canoas realiza os principais exames relacionados as patologias clínicas veterinárias de cães e gatos. Dentre os principais exames e diagnósticos laboratoriais realizados na rotina, podemos destacar hematologia, bioquímica sérica, urinálise, avaliação de líquidos cavitários, coproparasitológico, avaliação citológica, entre outros.

Tudo isso existe para que se possa chegar num diagnóstico mais rápido e poder tratar seu pet o quanto antes, aumentando todas as chances de vida principalmente em casos de urgência. Desconfiando de algo, não deixe de procurar um veterinário.

Espero ter ajudado. Com carinho,

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320