Arquivo da categoria: Saúde

Como proteger seu pet dos Fogos de Artifício

As festas de final de ano estão chegando e, com elas, muita alegria, comemoração e confraternização com familiares e amigos. Nossos pets, contudo, não podem ser esquecidos quando se trata de fogos de artificio e o efeito que lhes causam. Alguns estão acostumados, outros se mostram incomodados e há inclusive os que desenvolvem fobias, apresentam crises convulsivas, crises de pânico e fugas (podem se perder, sofrer acidentes e se machucar), pois ficam nervosos e assustados. O ser humano é capaz de perceber ondas sonoras na frequência de aproximadamente 16 a 20.000 hertz (ciclos por segundo), enquanto os cães são capazes de ouvir vibrações sonoras nos limites de 10 a 40.000 hertz e os gatos até 65.000 hertz, o que faz com que sejam muito mais sensíveis quando se trata de audição. Esta exposição almeja alertar os tutores dos riscos que representam os fogos de artifício, bem como dar dicas do que pode ser feito para amenizar seus efeitos.

É possível, ainda na infância, acostumar os animais a diversos barulhos, de forma gradativa, para que ao longo de sua vida não se assustem facilmente. Uma boa dica é, ao ouvir um som mais alto, festejar e mostrar ao animal que este som não representa ameaça. A primeira reação é coloca-los no colo, acariciar e falar com uma voz terna, mas os animais entendem os gestos como sendo a melhor reação para o tutor protegê-lo.

Para fins de reconhecimento do problema, é importante que se detectem sinais de medo, dos quais são exemplos: tremores, agitação fora do comum, roer ou atacar objetos, esconder-se, procurar atenção dos tutores, tentar fugir, chorar e latir.

Outra preocupação particularmente relevante em datas festivas, mas a que se deve dedicar atenção em todos os dias, é a identificação dos pets. Por serem propensos a seguirem seus instintos, podem fugir a qualquer momento. Em caso de fuga, a identificação muito auxiliará quem o encontrar a retorná-lo ao seu lar. Como em datas festivas a chance de fuga multiplica-se, é importante que se os mantenha em local em que se sinta seguro (verificando se janelas, portas e portões estão efetivamente fechados) e que se utilizem coleiras com medalhas informando nome e telefones para contato.

Fique com o seu animal, esteja no mesmo recinto que ele, proporcione locais onde possa se abrigar sem se ferir, tente também distraí-lo com brinquedos de que goste, coloque um som mais alto que ele costuma ouvir, como televisão ou uma música. Evite alimentação pesada e em grande quantidade, principalmente em animais de grande porte, pois ao se alimentar pode agitar- se e apresentar torções gástricas. Não os acomode em coleiras, pois na ocorrência de episódio de ansiedade o animal pode puxá-la em excesso e vir a se sufocar.

Para ajudar a aliviar a captação dos ruídos pelo animal, pode-se colocar tampões de algodão em seus ouvidos, minutos antes dos fogos, retirando-se logo após cessarem.
Piscinas devem ser cobertas para que não haja risco de afogamento, já que, ao se assustar, o animal pode jogar-se ou escorregar e encontrar dificuldades para sair.
Para os felinos, recomenda-se escolher um local da casa que seja mais seguro, deixar um armário aberto e nele colocar toalhas e cobertores para forrar, formando-se uma toca confortável. É também possível desarrumar a cama para formar uma toca também dessa forma. Água, comida e caixa de areia devem ser distribuídos para a disponibilidade do animal. O mesmo procedimento deve ser adotado com gatos com acesso à rua, pois em períodos festivos aumentam os riscos de ferimentos, atropelamentos, perda e maus tratos.

A técnica Tellington Touch¹ pode ser uma boa aliada dos proprietários de cães. Baseia-se na informação de que os animais mais sensíveis têm grande sensibilidade nas regiões traseiras, patas e orelhas, e consiste em atar o cão com um pano para que a circulação sanguínea das regiões extremas do corpo seja estimulada, amenizando as tensões localizadas no dorso do animal, diminuindo sua irritabilidade. Amarra-se o cão de forma que a faixa englobe peito e dorso (formando um oito), finalizando-se com um nó na região traseira, certificando-se de que não esteja exatamente sobre a coluna.

.

Clique para ampliar

 

 

14713583_1061837850598154_8432165171185253022_n

Caso ainda se perceba que os animais ficam muito estressados, recomenda-se que se procure o atendimento de médico veterinário, que poderá indicar medicações para auxiliar no processo de administração da irritabilidade do animal. Calmantes naturais também apresentam resultados eficientes, quando utilizados alguns dias antes dos eventos que causam estresse.

Por último, se não fores passar as festas com seu animalzinho, é importante que se escolha um hotel de confiança, que disponha de profissionais treinados para acomodá-lo e deixa-lo em segurança.

bruna-martin

 

Bruna Martin
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

 

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

¹ TELLINGTON-JONES, Linda. The Tellington TTouch : A Revolutionary Natural Method to Train and Care for Your Favorite Animal. Penguin Books, 1995.

Acidentes por animais peçonhentos: como agir?

Como sabemos, os casos de acidentes entre as espécies peçonhentas e os animais domésticos vêm aumentando significativamente, principalmente em épocas mais quentes. Sendo assim, é de extrema importância para você tutor saber como agir se esta fatalidade acontecer.

Há inúmeras espécies que podem, de alguma forma, causar toxicidade ao seu animal de estimação, e muitos destes estão cada vez expostos a áreas verdes, praças públicas e afins. Dentre as principais formas de ataque, o que mais vemos são picadas de serpentes, abelhas, e aranhas, não descartando que sapos e escorpiões também podem ser extremamente tóxicos.

CARACTERÍSTICAS

As serpentes normalmente atacam quando estão à procura de comida ou parceiro sexual, seja por picada ou compressão da presa. Os sapos por sua vez, expelem seu veneno quando se sentem comprimido-ameaçados, e isso acontece quando ingenuamente, o animal acha que o anfíbio é algum brinquedo e acabam mordendo-o.

No caso de picadas por aranhas, ocorre a mesma situação, estas só inoculam seu veneno quando pressionadas contra o corpo. Já os escorpiões não são agressivos, porém a inoculação maciça do veneno pode acarretar em graves manifestações sistêmicas.

SINAIS CLÍNICOS

Os animais de estimação ao serem picados ou envenenados, no geral, podem apresentar sinais clínicos como temperatura corporal elevada, dor à palpação, sialorréia (salivação excessiva), eritema (vermelhidão da pele), êmese (vômito), diarreia, dificuldade respiratória, e muitas vezes apenas lesão no local da picada. Os sinais podem evoluir para paralisia de membros, alterações neurológicas e/ou sistêmicas, levando muitas vezes o animal a óbito.

Ao observar essas alterações, apresentando ou não lesões características ou visíveis a olho nu, alterações de comportamento e suspeita que existe uma probabilidade de ter sido picado (passeio em locais, ou pátio que já foi observado presença desses animais peçonhentos), deve-se levar o animal imediatamente a um serviço de emergência veterinária, pois se não tratado precocemente, as consequências podem ser sérias. Estamos falando que uma simples picada de uma abelha, por exemplo, num animal de porte pequeno pode leva-lo à morte, caso não tratado imediatamente e corretamente.

IDENTIFICAÇÃO DO ANIMAL PEÇONHENTO

Para aumentar as chances de salvar o pet, é muito importante a identificação do animal peçonhento, pois cada um apresenta características de veneno diferentes e alguns tem tratamento específico. Se conseguir observar qual animal peçonhento atacou seu pet, sendo possível, capture ou tire uma foto e mostre ao veterinário.

ENCAMINHAMENTO AO VETERINÁRIO

No atendimento veterinário, o profissional irá avaliar a condição do quadro clínico do animal, podendo solicitar alguns exames como hemograma, testes de coagulação, avaliações bioquímicas para avaliações renais e hepáticas. Havendo trauma ou feridas profundas podem ser solicitados raio x e ultrassonografia.

TRATAMENTO

Ao confirmar acidente por animal peçonhento, o animal deverá ser internado. Estando sob cuidados médicos, o tratamento também varia, podendo ser apenas paliativo em certos casos, utilizando desde analgésicos, antissépticos locais, antibióticos, fluidoterapia, ou ainda tratamentos mais específicos quando se sabe qual é o animal peçonhento como: soros antiofídicos, antiaracnídicos (antídotos), e até mesmo precisar de um procedimento cirúrgico e/ou transfusão sanguínea.

PREVENÇÃO

Em épocas de calor e elevada umidade, esses animais crescem e se desenvolvem em maior número, portanto:

– Evitar que nossos animais passeiem em locais onde há campo muito alto ou matas fechadas;

– Manter a grama aparada, sempre recolhendo excesso de folhas do chão, evitar acumulo de matéria orgânica, sendo esses locais os de maior proliferação de animais peçonhentos;

– Dedetização em ambientes infestados, dentro de casas ou jardim (tomando cuidado para que seu pet não fique no local no momento).

Vendo ou desconfiando de qualquer alteração de comportamento no seu pet, não espere e faça algo imediatamente, uma atitude e você pode salvar a vida dele!

 

Mônica Sganzerla
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

PAPO COM VET 02 – Dra. Lara Kley Orso, Médica Veterinária Especialista em Odontologia

Nesta segunda edição do Papo com Vet aproveitamos o dia nacional do riso para falar com quem mais entende dele, que na Pet Center Canoas é a Dra. Lara Kley Orso, Médica Veterinária Especialista em Odontologia (CRMV-RS 15061). Neste bate papo levamos algumas das perguntas mais frequentes dos tutores sobre a saúde bucal dos pets. Confere abaixo e deixe seu comentário:

1- Os pets também têm dentista?
Dra. Lara: Sim. Assim como nós, os nossos pets também devem ir ao dentista! A saúde dos pets começa pela boca. Por isso, é importante a prevenção de doenças orais.

2- Tem que escovar os dentes?
Dra. Lara: É importante que a escovação dental seja feita diariamente e que se torne uma rotina! É fundamental que, após a escovação, o pet receba um reforço positivo, para aceitar a prática.

3- Quando está com mau hálito, o que fazer?
Dra. Lara: Sempre que o pet estiver com mau hálito, deve-se procurar um dentista veterinário, pois pode ser sinal de que algum problema esteja iniciando na cavidade oral. Existem bifinhos, brinquedinhos, produtos que podem ser usados para ajudar no combate ao cálculo dentário (tártaro) e ao mau hálito, porém eles servem apenas como coadjuvantes. Nenhum deles substitui a escovação dental diária e também não isenta a responsabilidade de levar o pet ao veterinário.

4- Pode ser necessário realizar algum procedimento? Qual?
Dra. Lara: Apenas o dentista veterinário avaliando poderá decidir o que deverá ser feito. Muitas vezes, é necessária a realização do tratamento periodontal para conseguir restabelecer a saúde bucal dos pets. Para esse procedimento, é indispensável anestesia geral, com um anestesista qualificado.

5- Eles trocam de dentes como a gente?
Dra. Lara: Sim! Eles possuem a dentição “de leite” e a permanente, assim como nós. Os cães, em torno dos 7 meses de idade, já estão concluindo a troca dentária e os gatos, aos 6 meses.

6- Quando é o ideal a primeira consulta?
Dra. Lara: O ideal é que a primeira consulta seja realizada no momento da adoção do pet. Assim, o dentista veterinário pode esclarecer dúvidas quanto à erupção dos dentes, trocas dentárias, além de orientar como realizar a escovação dental. É importante que os tutores acostumem os animais, ainda quando filhotes, a terem a cavidade oral manipulada, para que seja possível desenvolver um hábito de escovação diária. Devemos trabalhar sempre com a prevenção das doenças orais.

7- Precisa de radiografia para o atendimento?
Dra. Lara: É importante que, durante o tratamento periodontal, sejam realizadas radiografias intraorais. Isso porque, muitas vezes, a doença não está apenas na coroa do dente (parte que conseguimos enxergar na boca), mas se estende às raízes dentárias. Sendo assim, só poderemos observar isso através das radiografias.

8- O que você sugere para manter a saúde bucal do meu pet?
Dra. Lara: É muito importante uma alimentação adequada, escovação dental diária com pasta específica pra cães e gatos, além de adjuvantes como brinquedos e petiscos específicos para a manutenção da saúde oral. Deve-se também realizar consultas periódicas com um dentista veterinário, que pode ser semestral ou anual, dependendo da necessidade individual de cada paciente.

9 – Profilaxia é limpeza dos dentes?
Dra. Lara: Profilaxia está relacionada com medidas preventivas para a preservação da saúde, ou seja, são ações que podem prevenir problemas e doenças em todas as áreas. No meu caso, usamos o termo profilaxia dentária, que consiste na prevenção através da higiene bucal. O procedimento mais comum é a remoção do cálculo dentário (tártaro). Quando outros procedimentos são necessários, como extrações dentárias, alisamento radicular ou flaps, o termo correto é tratamento periodontal.

Fica aqui então estas dicas e esperamos ter ajudado você e seu pet com estas informações. Lembre-se que nada substitui a orientação do médico veterinário, por isso, se você viu algo, faça algo! Sua atitude pode salvar muitas vidas.

Abraço!

Redação Pet Center Canoas

Dúvidas frequentes sobre o tratamento contra o câncer de mama com o Dr. Guilherme Cirino

Oi tutor, tudo bem? Durante minha caminhada como Médico Oncologista Veterinário, reuni algumas das dúvidas e conversas mais frequentes e que poderão te ajudar de alguma forma:

“- Nós notamos que ela está com uma “bolinha” na mama, e ela vem crescendo há mais ou menos 30 dias. Ficamos preocupados e resolvemos trazer para a consulta…”

Esta é uma reclamação recorrente em nossa prática veterinária. Neoplasias mamárias são extremamente comuns em cadelas idosas, e podem se transformar em um pesadelo caso não sejam tratadas rapidamente e de maneira adequada.

 

“- Certo, então ela irá realizar estes exames e depois iremos para a cirurgia… devo me preocupar doutor? Ela é nossa filhinha…”

Para um início adequado de qualquer tratamento oncológico, devemos começar com o estadiamento do paciente. Estes exames nos mostrarão em qual patamar a doença se encontra, bem como quais serão os processos diagnósticos e terapêuticos que trarão melhor prognóstico. Muitas vezes neste momento indicamos a citologia, que nos trará informações preliminares sobre a doença, através de uma técnica minimamente invasiva e de realização ambulatorial.

 

“- Por favor, cuidem bem dela. Eu tenho muito medo de que ela não acorde mais.”

O momento da cirurgia pode ser assustador, mas realizando os exames adequados, bem como as técnicas de anestesia multimodal, conseguimos minimizar os riscos cirúrgicos e anestésicos, promovendo um transoperatório tranquilo e sem intercorrências.

 

“- Que corte grande! Não podíamos ter tirado somente a “bolinha”?”

A literatura médica nos orienta que devemos sempre que possível remover todas as mamas de um paciente que apresentou eventos de neoplasia mamária. O tecido mamário apresenta intrincada arquitetura vascular e linfática, o que pode permitir a disseminação da doença de maneira regional, ou até mesmo promover extensão positiva. Muitas vezes um único procedimento cirúrgico não será suficiente para remoção de todas as mamas, e cirurgias adicionais podem ser necessárias.

 

“- Será que já poderemos retirar os pontos no retorno Doutor? São tantos!”

O pós operatório de uma mastectomia demanda repouso para que o paciente possa se recuperar adequadamente. O trauma cirúrgico nestes procedimentos é considerável, contudo analgésicos e anti-inflamatórios deixarão o paciente confortável e sem dor neste momento. As recomendações médicas devem ser seguidas a risca, para termos um pós operatório sem complicações. Normalmente as suturas serão deixadas por pelo menos 14 dias, para completa cicatrização da ferida cirúrgica. Tempo adicional pode ser necessário.

 

“- Alô, Doutor? Eu peguei o resultado da biópsia na recepção, elas pediram para eu marcar uma consulta oncológica com o senhor…”

A biópsia é parte imprescindível do diagnóstico oncológico, pois vai confirmar os resultados preliminares de uma citologia (caso esta tenha sido realizada), bem como nos trazer importantes informações sobre o comportamento biológico da doença a qual estamos lidando. Através deste resultado poderemos saber se haverá necessidade de tratamentos adicionais após a cirurgia (como a quimioterapia, por exemplo). O resultado da biópsia deve ser discutido com um Oncologista, para que todas as opções de tratamento sejam abordadas de maneira objetiva e o melhor tratamento seja instituído.

 

“- Bom dia Doutor! Como o senhor está? Hoje estamos trazendo a Bela para as vacinas. Estamos tão felizes, já fazem dois anos que ela fez aquela cirurgia das mamas, e parece que resolvemos o problema!”

Quando realizamos a detecção e tratamento precoce de uma neoplasia mamária, muitas vezes podemos alcançar a cura. Fique atento aos sinais que seu peludo lhe dá, examine as mamas das fêmeas idosas pelo menos uma vez por mês, e caso note qualquer alteração, procure o médico veterinário.

Suas ações podem salvar vidas! Viu algo, faça algo!

 

Guilherme Cirino

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

Câncer de mama em cadela e gatas: Como prevenir e tratar

O câncer de mama, principalmente nas cadelas, é uma das doenças mais comuns e uma das mais temidas entre seus tutores. A sua incidência aumenta em cadelas não castradas, idade superior a seis anos, cadelas obesas e utilização de contraceptivos. É uma doença que não tem predisposição racial, ou seja, todas as raças caninas estão sujeitas a sofrer com este problema.

Nas gatas os tumores mamários são menos comuns, porém são mais agressivos. Vale ressaltar que, embora muitos pensem que o câncer de mama é um problema que atinge, exclusivamente, as fêmeas, se enganam, pois ele também pode afetar os machos em alguns casos.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fatores que podem ser totalmente decisivos para a sobrevivência do animal. O câncer se desenvolve de forma silenciosa, e quando a cadelinha ou gatinha começar a apresentar sinais como tristeza, falta de apetite, febres ou vômitos, pode ser tarde demais. O animal pode ter sua vida poupada, se o seu tutor olhar ou tocar seu pet de forma mais atenta.

Afinal, o que são os tumores mamários?
São nódulos formados por células do corpo que se multiplicam rapidamente de forma descontrolada. Podem ser benignos ou malignos, sendo chamados de câncer quando malignos. Esses nódulos podem ter diferentes tamanhos, podem ser ulcerados ou não, moles, firmes ou endurecidos. Podem também ser únicos ou múltiplos.

Quais são os sinais clínicos?
Deve-se atentar para caroços/nódulos na região das mamas, inchaço ou vermelhidão no local, presença de secreções e também presença de dor.

O pet pode apresentar outros sintomas que não são específicos, como falta de apetite, perda de peso, febre, vômitos. Sempre atentar para esses sinais e levar ao veterinário o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Com base no exame clínico da região mamária, observando aumento de volume e outras alterações clínicas, cabe ao médico veterinário solicitar exames para investigar sobre a doença e certificar a extensão do problema. Os principais exames complementares incluem citologia aspirativa do nódulo, biópsia, exames de sangue, radiografia torácica e ultrassonografia. Após realizados os exames, a primeira medida será a realização de um procedimento cirúrgico para a retirada completa do tumor do corpo do animal. O tumor deve ser enviado a um laboratório especializado para análise histopatológica. Este exame é o diagnóstico definitivo, pois é somente com este resultado que é possível saber se o tumor é benigno ou maligno.

A análise histopatológica e os resultados obtidos dos exames complementares, são fundamentais para definir um diagnóstico correto, além de fornecer dados relevantes para um tratamento adequado e específico. Nos casos em que o tumor é benigno, geralmente, a cirurgia já é o suficiente como tratamento. No entanto, para o tumor maligno, além da retirada cirúrgica, a quimioterapia pode ser indicada.

Nas ocorrências de metástase, o tratamento pode ser complicado e as chances de cura são mínimas. Nestes casos, é indicado medicamentos para aliviar os sintomas, permitindo o bem estar do animal no período que lhe resta de vida.

Prevenção
A castração da fêmea antes do primeiro cio já se provou como a forma mais eficiente para prevenir o câncer, pois a influência hormonal é a grande responsável pelo aparecimento de disfunções que favorecem o surgimento da doença. Essa conduta pode reduzir em até 99% as chances de aparecer o câncer de mama. Castrar após o primeiro cio reduz em 92% e após o segundo cio, para 74%.

Ao contrário do que muitos imaginam, o acasalamento (ou falta dele) na vida da cadela não está relacionado ao aparecimento do câncer de mama.

Não usar as injeções de anticoncepcionais. É muito importante esclarecer que, os medicamentos hormonais (injeções para evitar o cio) é um fator que pode ser determinante para o surgimento de tumores na mama, e é por isso que, na atualidade, esse tipo de medicamento é altamente contraindicado pelos veterinários.

Com este esclarecimento, fica a dica do por que é tão importante estar sempre atento aos sinais da doença nas cadelinhas e gatinhas. Não hesite em marcar uma consulta com um profissional. Qualquer que seja a doença que seu animal possa ter, as chances de cura são muito maiores quando é feito um tratamento precoce.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

PAPO COM VET #01 – Anestesia Veterinária com Dr. Alan Moscarelli

Olá tutor! Tudo bem? Estamos inaugurando o quadro “Papo com Vet” aqui no blog, onde vamos trazer entrevistas com nossos médicos veterinários especialistas da Pet Center Canoas, entendendo que a informação gera prevenção e proteção do seu pet e da sua família.

Nesta primeira edição conversamos com o Dr.  Alan Moscarelli, Médico Veterinário Anestesiologista (CRMV 10842),  que atende grande parte dos procedimentos cirúrgicos aqui da clínica. Bom, vamos às perguntas:

  1. A anestesia é só para não sentir dor? Em quais situações ela é recomendada?

Dr. Alan: A anestesia serve para controlar a dor também, mas é a responsável pelo monitoramento do paciente durante todo o procedimento cirúrgico, inclusive do retorno anestésico. É indicada anestesia em todos procedimentos que necessitam de imobilização de um paciente para algum procedimento, como uma cirurgia.

  1. Como funciona a anestesia?

Dr. Alan: Ela funciona através de medicações que causam imobilização, perda de inconsciência e analgesia temporária do paciente. Esses mecanismos podem ser ativados pela associação de anestésicos gerais e locais, analgésicos e tranquilizantes.

  1. Existem tipos diferentes de anestesia?

Dr. Alan: Sim, e existem basicamente dois tipos de anestesia, a geral e a local. Anestesia geral pode se dividir em geral inalatória, total intravenosa e associada. A anestesia inalatória (geral balanceada) é indicada para todos procedimentos em que o paciente precisa ficar anestesiado um período de tempo maior, como castrações, mastectomias, limpezas de tártaros, etc.

  1. Anestesia tem risco? Se tem riscos, quais os procedimentos que diminuem esses riscos?

Dr. Alan: Anestesia sempre tem riscos. Contudo, estes riscos são minimizados quando se tem um profissional qualificado, que é o Médico Veterinário Anestesista, que avalia o paciente e decide qual o melhor técnica anestésica a ser usada, monitora e acompanha todo o procedimento, zelando pela vida do paciente.

  1. Quem pode aplicar anestesia?

Dr. Alan: Todo médico veterinário que tenha conhecimento para isso. Mas, atualmente, temos especialistas que se dedicam à este atendimento, aumentando ainda mais a segurança de cada paciente, como acontece aqui na Pet Center Canoas.

  1. Todos os procedimentos cirúrgicos requerem um anestesista?

Dr. Alan: O recomendado é que todos os procedimentos cirúrgicos sejam acompanhados do Médico Veterinário Anestesista.

  1. Dr. Alan, tens alguma informação importante para conhecimento dos tutores?

Dr. Alan: É bem importante para o tutor saber que todo procedimento cirúrgico necessita de profissionais habilitados  para tal procedimento, incluindo o anestesista. Pense por um minuto: se na medicina humana, que lida com a vida das pessoas, o Médico Anestesista sempre é requisitado em procedimentos cirúrgicos, por que na medicina veterinária isso seria diferente? Afinal de contas, uma vida sempre será uma vida, independente de espécie ou gênero.

Esperamos que tenha sido proveitosa a leitura. Deixe seus comentários aqui em baixo, compartilhe com seus amigo e até o próximo Papo com Vet!

Com muito carinho,
Redação Pet Center Canoas.

Viu algo, Faça algo! – 9º sinal clínico: Caroços sob a pele ou mamas

PC - Post 09 VIU ALGO Postlink ROSA- v1.1.png

Estamos chegando ao último sinal clínico abordado na nossa campanha Viu Algo, Faça Algo!, com objetivo de explorar aspectos da saúde dos peludos para facilitar uma detecção precoce de doenças, por meio da avaliação cuidadosa dos tutores. É muito comum vermos nódulos, aumentos de volume, “caroços” ou “bolinhas” nos nossos animais, e devemos sempre estar atentos, pois podem ter significados importantes!

Principais doenças que podem se manifestar em aumentos de volume (“caroços” e “bolinhas”):

  • Tumores: são nossa principal preocupação quando encontramos nódulos. Abordamos o câncer e seus aspectos em outros textos aqui no blog, e você pode conferi-los aqui. Quando nos deparamos com aumentos de volume, exames adicionais serão necessários para definir a natureza da lesão, sua classificação e tratamento necessário. O médico veterinário pode solicitar exames como a citologia ou a biópsia.
  • Abcessos/flegmões: são lesões de caráter inflamatório/infeccioso causadas pela inoculação de bactérias no tecido subcutâneo ou em camadas mais profundas, como a musculatura. Podem se demonstrar como aumento de volume doloroso ao toque, quente, e o paciente pode demonstrar grande desconforto e dor na região.
  • Hérnias: Se demonstram em regiões específicas do corpo (como a virilha ou região umbilical), quando órgãos da cavidade abdominal acabam se posicionando em locais erráticos, por um defeito na parede muscular. Podem ter grande tamanho e normalmente o paciente não sente desconforto na palpação.

Os sinais clínicos apresentados dependerão muito do diagnóstico do paciente.

Tumores podem não ter nenhum sinal clínico e estarem localizados em qualquer local do corpo, por isso a importância da avaliação minuciosa do tutor. Dependendo de quais estruturas estiverem acometidas, bem como o tamanho, pode haver dor e desconforto. Lesões infecciosas normalmente cursam com febre, dor, prostração e anorexia. Podem haver fístulas drenando secreção purulenta nestes casos. Hérnias normalmente não causam sintomas, apenas em situações muito específicas como o encarceramento, quando há dor intensa e comprometimento da vida do paciente, sendo necessário atendimento imediato.

A prevenção é a medicina do futuro

Falando principalmente dos nódulos mamários, o câncer mamário é uma triste realidade em nossos pacientes, tendo uma alta incidência nas espécies canina e felina. Porém podemos prevenir esta doença realizando a castração precoce, antes do primeiro cio ou entre o primeiro e o segundo cio, e dessa maneira podemos diminuir a incidência dos tumores mamários em até 95%. É uma maneira efetiva de evitarmos uma doença que pode trazer muito sofrimento ao paciente e aos familiares.
Pela característica traumática que os outros aumentos de volume podem ter (abcessos e hérnias), é sempre bom reforçar os cuidados com nossos peludos. Os animais muitas vezes não sabem o perigo que estão correndo ao atravessarem uma rua movimentada, ou ao pularem de um local alto. Como crianças, necessitam de supervisão constante para que não se machuquem. Devemos estar sempre atentos, dessa maneira evitando acidentes!

Este é o cerne da nossa campanha, detecção precoce para podermos prevenir. Cuidado para evitar o sofrimento. Esta é a Viu Algo, Faça Algo!

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

Viu algo, Faça algo! – 8º sinal clínico: Lesões na pele ou coceira excessiva

PC - Post 08 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

Coceiras, vermelhidão, erupções na pele: são alterações que deixam o tutor bem preocupado. A saúde dos nossos pets é coisa séria e merece nossa atenção até mesmo em situações que, aparentemente, não oferecem riscos. A questão principal que precisa ficar bem clara é que as doenças de pele se parecem muito entre si e com outras doenças que não são necessariamente de pele. Junto com todas as informações da nossa campanha Viu Algo, Faça Algo! temos objetivos de explicar um pouco mais sobre as principais doenças de pele em cães e gatos, saber identificar os sinais clínicos, e dessa forma agir o mais rápido possível, sem oferecer riscos mais graves ao seu pet.

Os principais problemas de pele (dermatopatias)

  • Infecções bacterianas: Podem proliferar com lesões de pele inflamada, pela umidade (secagem inadequada da pele e pelos em banho) e até por falta de higiene.
  • Infecções fungicas: o animal se infecta por contato com objetos, locais e outros animais que já tem a infecção.
  • Infecções parasitárias: ácaros (sarna) se alimentam das descamações da pele e assim causam inflamações. Pulgas e carrapatos, quando picam para sugar o sangue do bichinho, provocam coceira e inflamações na pele.
  • Acne Felina: ocorre pelo estresse, má higiene de vasilhames, alergia aos vasilhames de plástico, pode ser identificada pelos pontos pretos que surgem ao redor do queixo e também nas bordas dos lábios.
  • Processos alérgicos: contatos com borrachas, plástico, alguns tipos de tecido, época do ano (pólens), produtos tópicos (inseticidas, shampoos e sabonetes) e até alimentos, são potenciais fontes de alergia.
  • Alopecia psicogênica: não menos comum, pode ocorrer em animais com alto grau de estresse, que ficam lambendo o pelo de forma compulsiva, podendo até morder a pele, mastigar os pelos, causando irritação, infecção e queda de pelos.
  • Desiquilíbrios hormonais: Diabetes, hiperadrenocorticismo, hiper/ hipotireoidismo são doenças sistêmicas, porém podem também apresentar lesões de pele como sinal clínico da doença.
  • Dermatites atópicas: Vale lembrar que existem dermatites que não tem uma causa específica para acontecer e não tem cura. São muito raros os casos, porém quando ocorre, o médico veterinário irá indicar o tratamento para conter os sinais clínicos apresentados durante as crises.
  • Doenças auto-imunes: Lúpus, pênfigo
  • Tumores de pele: animais com idade mais avançada podem apresentar tumores e cistos, mesmo que nem todos sejam malignos. Mesmo assim, eles requerem cuidado e acompanhamento frequente, para que não se torne um problema mais grave.

Sinais Clínicos nas dermatopatias

  • Lesões avermelhadas ou escurecidas na pele
  • Coceira (Prurido) pelo corpo e/ou orelhas
  • Perda de pelo (Alopecia)
  • Presença de bolhas/ bolhas com pus
  • Descamação da pele
  • Machas/hematomas
  • Infecções frequentes nos ouvidos

É importante levá-lo para um veterinário para identificar o tratamento adequado e possivelmente alguma medicação específica.

Não tente, de forma alguma, auto medicar o seu pet! Muitos tutores buscam tratamentos tópicos e sem recomendações de um profissional, aplicam no seu animal sem qualquer orientação. Isso pode levar a intoxicações graves. (LEIA MAIS SOBRE INTOXICAÇÃO).

Leve ao veterinário para avaliação. As lesões de pele são parecidas entre várias doenças e para fechar o diagnóstico é necessário realizar exames específicos. Com o diagnóstico correto, o tratamento se torna mais eficaz e aumentam as chances de cura.

Os exames incluem basicamente hemograma e exames bioquímicos (para avaliar se existe doença sistêmica), raspado de pele (detecção de sarna), culturas bacterianas, culturas fúngicas, teste de sensibilidade a alérgenos. Podem ser solicitados outros exames complementares para avaliação mais complexa.

Conforme diagnóstico, pode ser recomendado shampoos específicos, alimentação com ômega 3 e 6 para fortalecer o pelo e corrigir a oleosidade da pele se for o caso. O tratamento adequado dependerá principalmente do agente causador (bactéria, fungos ou parasitos), podendo ser feito com uso de antialérgicos, antibióticos, antifúngicos ou antiparasitários, que deve ser prescrito por um profissional.

Para os casos de estresse, em alguns casos podem ser recomendados medicamentos contra a ansiedade.

Prevenção

  • Higiene do seu pet é fundamental: Banhos e tosas regulares irão reduzir as chances de ter alguma alteração de pele. Mas cuidado! A pele precisa da oleosidade natural, então banhos com alta frequência também não são adequados. Podem ser indicados banhos semanais, quinzenais e até mensais, pois cães (independente da raça) podem variar a frequência, pois existem outros fatores como clima, umidade, tamanho do pelo e tipo de pelo.
  • Manter limpo o ambiente que seu pet vive. Controlar sempre a proliferação de pulgas e carrapatos do ambiente também.
  • Evitar o stress: passeios e enriquecimento ambiental pode ser a chave para melhorar a qualidade de vida nos animais.
  • Visitas regulares ao veterinário: principalmente os mais idosos, que podem ter problemas hormonais (ainda não detectado), mas que iniciam com problemas de pele.

Podemos agora identificar que existe um problema de pele, alguns sinais deixam claro que o pet precisa ir ao veterinário. Não demore para tomar providências e ajudar seu animalzinho!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 7º sinal clínico: Secreção nasal ou ocular

PC - Post 07 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

Correlacionando mais sinais clínicos às doenças que nossos pets podem ter, a campanha Viu Algo Faça Algo! traz mais duas alterações que são a secreção nasal e/ou ocular, que podem ser observadas juntas ou não, dependendo da doenças acometida.

Sempre tenha em mente que essas alterações são importantes, pois, pode ser desde algo simples como alergias como a quadros mais graves como infecções e processos neoplásicos (câncer).

Presença de secreções (corrimento) nasal ou ocular translúcida e incolor sem a presença de outros sinais clínicos normalmente não leva a uma preocupação pelo tutor. No entanto, dependendo da imunidade do pet, essa secreção pode se tornar opaca, e apresentando outras colorações (amarelada, purulenta) e até com presença de sangue, além de poder estar associado com outras alterações como febre, tosse ou espirros. Nesse momento é crucial levar seu animal para uma avaliação veterinária.

 

Principais causas de secreção nasal

  • Processos alérgicos: podendo ocorrer durante períodos específicos do ano, como a primavera ou no outono, indica alergia ao pólen.
  • Agentes infecciosos (bactérias/fungos/vírus/parasitos)
  • Gripe Canina/ Tosse dos canis (Traqueobronquite infecciosa canina)
  • Inalação de gases nocivos/tóxicos
  • Tumores nasais: podem ser causas obstrutivas, e estar acompanhado com secreção ocular
  • Corpo estranho: plantas, gravetos, pedra, restos de ossos podem ficar alojados nas cavidades nasais. Não tente removê-lo por conta própria, pois pode causar ferimentos ao nariz.
  • Doenças dentárias: periodontites podem causar abscessos espalhar para as cavidades nasais.
  • Desordem na deglutição ou no trato digestivo devido a alguma doença (ex. vômitos crônicos). Essas secreções podem ser forçadas a ir para área pós-nasal.
  • Complexo respiratório felino – a “gripe do gato”. É uma doença infecciosa, que abrange doenças provocadas por mais de um agente causador (herpesvírus felino tipo 1 e calicivírus), e também porque os sinais clínicos causados por cada um destes agentes se confundem.
  • Neoplasia (câncer): mais provável em cães de médio a grande porte, com focinhos longos.

 

Principais causas de secreção ocular

  • Processos alérgicos
  • Alterações oftálmicas: Uveítes, glaucomas, conjuntivites (bactérias/fungos/ vírus/parasitos), úlcera de córnea (Saiba mais aqui)
  • Otites graves que levam alterações em nervos
  • Entrópio (pálpebra virada para dentro) ou ectrópio (pálpebra se mantém virada para fora) causa lesões oculares significativas
  • Obstrução no canal nasolacrimal, impedindo assim que a lágrima seja drenada (tumores, corpo estranho), ou má formação anatômica, causando uma falha na drenagem.

 

Sinais clínicos relacionados a secreção nasal e/ou ocular

Preste atenção nas mudanças de comportamento, sinais de dor levam os animais a apresentar mais apáticos, arredios ou até mais agressivos.

  • Redução do fluxo de ar nasal
  • Problemas dentários, úlceras orais/gengivite
  • Inchaço da face ou palato duro (tumor ou abscesso)
  • Focinho seco
  • Febre
  • Espirros
  • Tosse
  • Salivação
  • Perda de apetite
  • Secreção acastanhada nos olhos. É chamado de epífora, e bastante comum em animais de pelagem branca (poodle, boxer, persa).  Ocorre uma alteração do ducto nasolacrimal, extravasamento de lágrimas, deixando área bastante úmida, sofrendo oxidação e deixando aquela região acastanhada.
  • Olhos inflamados, Irritação nos olhos (vermelhidão)
  • Alteração na cor dos olhos
  • Coça os olhos com as patas com frequência

 

O diagnóstico é importante que seja feito por um Médico Veterinário.

Dependendo da causa pode ser de fácil diagnóstico, caso contrário só com um exame minucioso. Muito importante a realização de uma anamnese e o exame clínico, direcionando os exames específicos para ajudar a fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Podem ser solicitados os seguintes exames:

  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem: Radiografia, ultrassonografia, Rinoscopia/broncoscopia
  • Cultura microbiológica (bactérias e fungos)
  • Biópsia (para os casos de tumores)
  • Exames oftálmicos específicos (fundoscopia, teste de Schirmer, pressão ocular, colírios reagentes)

 

É importante ressaltar que os animais devem ser sempre tratados pelo veterinário.

O tratamento se baseia em combater os sinais clínicos e evitar as infecções secundárias, sendo necessário a utilização de antibióticos, mucolíticos, inalação, colírios. A partir do diagnóstico pode haver possibilidade de intervenções cirúrgicas (retirada de tumores, tratamento para entrópio/ectrópio, entre outros)

Muitas vezes o tutor querer medicar o animal em casa e não sabe que muitos remédios usados em humanos podem não ser os mais adequados, e acabam piorando o quadro dos animais.

 

Prevenção

  • Vacinas anuais que deve ser orientada e aplicada pelo médico veterinário
  • Visitas frequentes ao veterinário, realizações de check ups, principalmente animais acima dos 5 anos de idade (em média)
  • Banhos e tosas com frequência: algumas raças tem muito pelo ao redor dos olhos e podem causar lesões oftálmicas. Após o banho, secar bem.

 

Não existe nenhum método para deixar o seu pet livre de qualquer doença respiratória ou oftálmica.  Podemos minimizar os riscos de infecção mantendo o pet sempre bem cuidado e no sinal de qualquer mudança de comportamento e sinal clínico, procurar o Médico Veterinário.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 6º sinal clínico: Dificuldade de respirar

PC - Post 06 VIU ALGO Postlink - v1.1-01.png

A nossa campanha Viu Algo, Faça Algo aborda um outro tema super importante: A dificuldade respiratória. Precisamos saber identificar qual é a alteração especifica, como podemos diferenciar algumas causas para agirmos rapidamente. Devemos levar muito a sério as alterações de comportamento e sinais clínicos apresentados por nossos peludos pois o tempo pode ser crucial.

As causas da dificuldade respiratória são várias, mas só uma visita ao
veterinário pode identificar corretamente o problema.

  • Raças: Pug, Shih tzu, Buldogue francês, gatos persas são animais braquicefálicos (pets com o focinho achatado). São raças mais suscetíveis a doenças respiratórias, pois possuem anormalidades estruturais no seu trato respiratório, fazendo com que suas vias de entrada de oxigênio se tornem estreitas.
  • Estenose de traquéia (colapso de traquéia): mais comuns em cães do que em gatos. Os braquicefálicos podem ser acometidos, e também cães da raça Yorkshire terrier, Poodle, Chihuahua, Lhasas apso e Lulu da pomerânia (Spitz alemão). Podem fazer ruídos estranhos ao respirar, que vão se agravando, podendo ter períodos de paradas respiratórias durante o sono, engasgos, mudança na cor das mucosas (devido a falta de oxigenação), desmaios ou alterações na consciência.
  • Infecções bacterianas/fungicas/ virais: causando pneumonia, bronquite, tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina).
  • Intoxicação (organofosforados utilizados contra carrapatos/pulgas, opióides,
    etc).
  • Problemas cardíacos (Saiba mais)
  • Obesidade (Saiba mais)
  • Asma: mais comum em felinos
  • Aspiração de alimento ou conteúdo gástrico para o interior do pulmão
  • Inalação de fumaça e gases nocivos
  • Quase afogamento
  • Lesão pulmonar devido ao trauma
  • Anemia: número de hemácias reduzidas levam a diminuição da troca de oxigênio pelos pulmões.
  • Altas temperaturas, calor excessivo
  • Neoplasias pulmonares (metástases principalmente)
  • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) refere-se a uma condição de falha respiratória súbita devido à acumulação de fluido e uma grave inflamação nos pulmões.

Sinais Clínicos relacionados a problemas respiratórios:

  • Esforços extremos para respiração.
  • Tossir.
  • Engasgos.
  • Descarga das narinas ou expectoração (secreções serosas, purulentas ou
    sanguinolentas).
  • Febre.
  • Cianose (coloração arroxeada na língua e mucosas).
  • Letargia e fraqueza.
  • Anorexia.
  • Ortopnéia (posição com pescoço esticado para respirar melhor).
  • Padrão respiratório restritivo (respiração “curta”).
  • Respiração de boca aberta.

O que fazer nesses casos?

Os sinais clínicos citados acima devem servir de alerta para os tutores.
Não dê nenhum medicamento sem a prescrição de um profissional. Você não sabe o real motivo desses problemas respiratórios, e em alguns casos, podem acabar agravando o quadro do seu pet.
De modo geral, aliviar a crise inicial é a melhor conduta a ser seguida é tentar deixar o pet o mais calmo possível, evitar que ele se agite e colocar em ambiente mais ventilado. Procurar um médico imediatamente.
Durante avaliação, o veterinário irá fazer uma avaliação clínica, e diagnóstico deve ser definido. Poderão ser solicitados painéis de exames, como exames de sangue, exames de imagem (radiografia de tórax, ecocardiograma e endoscopia, por exemplo).
Iniciando o tratamento emergencial, a causa principal deverá estabelecida e tratada especificamente de modo a evitar complicações ou morte. Colocar no oxigênio suplementar para minimizar o desconforto respiratório. Poderá ser feito tratamento com uso de antibióticos, analgésicos, fluidoterapia, e corticosteróides para reduzir a inflamação e inchaço pulmonar, se houver. Avaliações clinicas constantes deve ser feitas como temperatura, pulso, taxa de respiração, e da pressão sanguínea durante internação.

Algumas recomendações são úteis para evitar problemas respiratórios
futuros e a manutenção da qualidade de vida para os que já sofrem desse
mal.

  • Evitar uso de coleiras cervicais. Mais indicado utilizar peitorais.
  • Ventilação adequada, manter a temperatura do ambiente agradável, umidade
    do ar.
  • Evitar estresse e atividades físicas bruscas em animais predispostos (braquicefálicos), pois o animal pode ficar com dificuldade respiratória.
  • Elevar a altura dos bebedouros e comedouros para evitar engasgos.
  • Sempre controlar alimentação nos animais obesos.
  • Vacinas sempre atualizadas. Realizar exames veterinários periódicos.

Uma das melhores maneiras de identificar problemas de saúde do seu pet é prestar atenção no seu comportamento e nos sinais clínicos que ele apresenta.

Apenas um detalhe e você pode salvar a vida dele. Lembre-se disso!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320