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Conhecendo o transmissor da Leishmaniose

A Leishmaniose é uma doença causada pelo protozoário Leishmania, que é transmitida pela picada de um inseto flebótomo (gênero Lutzomya), popularmente conhecido como mosquito palha, birigui, tatuquiras.

Embora tenha o nome popular “Mosquito-palha”, não é considerado mosquito.

No Brasil as que até agora são comprovadamente transmissoras da Leishmaniose são Lutzomya. Cruzi Lutzomya longipalpis.

fonte: http://www.infoescola.com

Características
Os flebótomos transmissores são insetos menores que os mosquitos, de coloração clara (por isso o apelido “mosquito palha”) asas estreitas sempre levantadas quando pousam.

São facilmente reconhecidos por voar em pequenos saltos e só picam partes do corpo não cobertas por roupas.

Onde ele vive
Os locais de preferência são principalmente ao nível do solo, próximo à vegetação, em folhas em decomposição, raízes e troncos de árvores, e tocas de animais.

Preferem locais com pouca luminosidade e úmidos.

Podem ser encontrados facilmente em locais ricos em matéria orgânica, como canis, galinheiros, chiqueiros, e até mesmo dentro das casas.

Horários de maior atividade do vetor
O flebótomo pica com maior frequência ao entardecer e continua por toda a noite.

Flebótomo fêmea é a única que pica e ingere o sangue
A fêmea necessita do sangue para a postura dos ovos. Ela põe aproximadamente 100 ovos no solo ou em locais úmidos e ricos em matéria orgânica.

Ela se alimenta de sangue durante uma semana, sendo em média 3 vezes durante sua vida, sendo capaz de transmitir a doença para pelo menos 3 cães ou seres humanos.

A fêmea pode contrair as leishmanias já na primeira picada, dependendo da carga parasitária no cão. E além disso, existe a possibilidade de também por única picada transmitir as leishmanias para outro cão ou o homem.

Prevenção da Leishmaniose

A prevenção nos cães
Epidemiologistas recomendam a associação da coleira repelente e da vacinação específica contra leishmaniose em dia

Nos cães existem poucos produtos disponíveis que possuem indicação em bula contra a picada do flebótomo. A recomendação pela Organização Mundial de Saúde, é o uso de coleiras com impregnação de Deltametrina, ou associação de Imidacloprida e Flumetrina. Esses princípios ativos tem efeito repelente comprovado contra o flebótomo, evitando que este pique o cão, e, consequentemente não transmita a Leishmaniose.

Os felinos também podem se infectar, porém são mais resistentes a doença. Ainda não há vacina específica para gatos, porém já existe coleira repelente no mercado que os felinos podem usar com segurança.

 

Outras formas de prevenção
Como os principais locais que os insetos habitam e procriam são em volta de matéria orgânica, atitudes como a limpeza de quintais, remoção de fezes e restos de folhas e frutos em decomposição, já ajudam de forma importante a combater a doença.

Uso de inseticidas e repelentes dentro de casa.

Instalação de telas com malha fina nas portas e janelas, evitando assim a entrada do vetor dentro de casa.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

LEISHMANIOSE CANINA

A Leishmaniose é uma doença parasitária grave que acomete o homem, o cão, o gato e até outros mamíferos. O maior foco do assunto nesse artigo será o cão, pois é o animal mais suscetível e tem grande importância no ciclo dessa doença pela maior proximidade com o homem.

É causada pela Leishmania chagasi, uma espécie de protozoário (parasito microscópico) que é transmitido por um flebótomo (inseto parecido com o mosquito, porém menor). Na região sul é conhecido como mosquito-palha e vive ao nível do solo, próximo à vegetação, sobre folhas em decomposição. Gosta de lugares com pouca luz, úmidos, sem vento. Pode ser encontrado facilmente em galinheiros, chiqueiros e alimentam-se, preferencialmente, no final do dia.

Fonte: http://matra.org.br

A preocupação em relação a essa enfermidade tem aumentado significativamente pois se trata de uma zoonose (doença que pode ser transmitida ao homem) e o número de casos tanto em humanos quanto em cães são cada vez mais frequentes. A doença já está presente em todo território nacional, ocorrendo em torno de 2 mil mortes em humanos anualmente. Especialistas estimam que para cada caso humano existam em média 200 cães infectados.

TRANSMISSÃO

A doença é transmitida pela picada do inseto. Não é o cão nem o gato que transmite a leishmaniose.

Quando o inseto pica um cão infectado (reservatório), recebe a Leishmania (o protozoário) pelo sangue ingerido. Dentro do inseto, esses protozoários multiplicam-se e mudam sua morfologia para se tornarem infectantes. Quando o flebótomo pica o homem, ele inocula essas Leishmanias pelo sangue, e o homem se infecta, porém o risco de contrair leishmaniose é menor em humanos imunocompetentes. Apesar do homem possuir uma resposta imunitária muito mais eficaz contra a leishmania do que o cão, ele pode sim contrair a doença. Estas chances aumentam especialmente em crianças, idosos ou adultos com a imunidade prejudicada, como por exemplo, portadores do vírus da AIDS.

No cão infectado, o período de incubação (tempo da infecção até o aparecimento dos sinais clínicos) pode variar de 1 mês a anos, pois depende da baixa imunidade para os protozoários se desenvolverem e causarem a doença propriamente dita. Nesse período, o animal pode ficar assintomático, ou seja, não apresentar nenhum sinal clinico.

Alguns cães são resistentes e, embora possam sofrer picadas de flebótomos infectados, nunca mostrarão sinais de doença, desde que se mantenham corretamente alimentados, com boa imunidade e não sejam submetidos a situações de stress. A resistência também pode ser de origem genética, ou seja, existem raças mais resistentes a doença.

Quando o animal adoece e a imunidade diminui, o parasito pode se desenvolver na pele (Leishmaniose cutânea), e/ou em vários órgãos como fígado, rins, linfonodos (Leishmaniose visceral).

SINAIS CLÍNICOS

Os sinais clínicos mais frequentes são:

  • Perda de pelo (ao redor dos olhos, nariz, boca e orelhas)
  • Crescimento exagerado das unhas
  • Úlceras e descamação da pele (feridas)
  • Emagrecimento e diminuição do apetite
  • Atrofia muscular (fica mais tempo deitado, menos ativo)
  • Sangramento nasal
  • Anemia
  • Alterações articulações
  • Aumento dos linfonodos

DIAGNÓSTICO

Existem exames que detectam o parasita (exame parasitológico direto) ou a presença de uma resposta imunológica (sorológico). Exames como hemograma, dosagens bioquímicas e exames de urina são importantes para avaliar o estado geral do animal. A interpretação dos resultados laboratoriais deve ser sempre feita em conjunto com o quadro clínico do seu pet.

TRATAMENTO

Até recentemente, a indicação do Ministério da Agricultura a recomendação para os animais positivos era a eutanásia e proibia o tratamento dos pets a fim de impedir que a Leishmania se tornasse resistente à droga utilizada para combatê-lo em seres humanos.

Agora, com a liberação de medicamentos de uso exclusivo veterinário, abriu caminho a uma série de estudos com o objetivo de preservar a vida desses cães e impedir novas transmissões. O tratamento a base de miltefosina, é capaz de eliminar as leishmanias presentes no organismo do animal, impossibilitando o flebótomo continue repassando a leishmania para outros hospedeiros a partir do cão em questão.

O tratamento não permite uma cura completa. Os níveis de parasitemia diminuem significativamente e geralmente consegue-se a remissão dos sinais clínicos, no entanto, o animal pode continuar portador do parasita, situação que chamamos de reservatório da doença. O animal pode adoecer novamente, pois a resposta imune é muito variável e difícil de quantificar. Dependerá do estilo de vida do cão, de possíveis reinfecções, outras doenças coexistentes, queda de imunidade por outros fatores, etc.

PREVENÇÃO

A prevenção é fundamental para reduzir o número de casos de leishmaniose nos animais e para evitar o risco para os humanos.

  • Aplicar regularmente, no seu animal, produtos com efeito repelente sob a forma de coleiras, de pulverização ou de spot-on, de modo a impedir a picada do flebótomo.
  • Anualmente realizar teste sorológicos e parasitológicos para detecção precocemente do parasito, sobretudo se o seu cão vive numa área endémica.
  • Vacinação específica contra Leishmaniose
  • Atitudes simples como a limpeza de quintais (remoção de fezes, restos de folhas, frutos em decomposição) já ajudam a combater a doença, pois o mosquito transmissor coloca seus ovos em locais ricos em matéria orgânica. Uso de inseticidas e repelentes dentro de casa. Instalação de telas com malha fina nas portas e janelas, evitando assim a entrada do vetor dentro de casa.

O que torna essa doença tão controversa e tão complexa de diagnosticar, é que muitos dos sinais clínicos são comuns de outras doenças. E além disso, a Leishmaniose canina pode apresentar outros diferentes sinais clínicos e em diversos graus de gravidade, podendo estar associada a outras doenças concomitantes.

Por isso, suspeitando de qualquer alteração no seu animal, leve-o para avaliação com o Médico Veterinário, pois é ele quem saberá avaliar seu animal e investigar para direcionar o diagnóstico.

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Quando devo levar meu pet ao Oftalmologista Veterinário?

saude-olhosTodos sabemos que animais de estimação requerem cuidados com saúde, algumas raças possuem tendências a mais enfermidades do que outras, assim como a problemas oculares.

Seria interessante, assim como fazemos vacinas e um check up anual, cuidarmos da saúde ocular do nosso pet, a fim de prevenir ou evitar certas situações que muitas vezes não possuem reversão.

Cães braquicefálicos tais como os Pug, Buldog Francês, Buldog Inglês, Boston , Shihtzu, entre outros, são acometidos por vários problemas oculares mesmo jovens. Devido a sua anatomia, onde os olhos se encontram em uma órbita rasa, e pela própria tendência racial, são mais propensos a algumas oftalmopatias dentre elas: distiquíases, ceratite pigmentar, ceratite de exposição ou úlceras de córnea.

Sharpei e Chow Chow apresentam mais comumente o glaucoma e defeitos pálpebras como o entrópio e a triquíase.

Gatos persas ou birmaneses são acometidos por úlceras corneais e seqüestro corneano.

É evidente que qualquer animal doméstico, mesmo os sem raça definida podem apresentar essas condições.

Os sinais mais evidentes que servem de alerta aos proprietários são: hiperemia de conjuntiva (olho vermelho), secreção ocular abundante (pus), epífora (lacrimejamento), prurido ocular (coceira), blefarospasmo (piscando muito), associado ou não a apatia e inapetência (tristeza e falta de apetite).

Portanto, ao mínimo sinal de desconforto o tutor deve levar seu pet ao Veterinário mais próximo ou se possível a um especialista, pois algumas lesões se tornam graves em poucas horas se tornando impossível preservar o globo ocular e/ou a visão.

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Lídia Clerot
Médica Veterinária
CRMV/RS 6864

Como proteger seu pet dos Fogos de Artifício

fogosAs festas de final de ano estão chegando e, com elas, muita alegria, comemoração e confraternização com familiares e amigos. Nossos pets, contudo, não podem ser esquecidos quando se trata de fogos de artificio e o efeito que lhes causam. Alguns estão acostumados, outros se mostram incomodados e há inclusive os que desenvolvem fobias, apresentam crises convulsivas, crises de pânico e fugas (podem se perder, sofrer acidentes e se machucar), pois ficam nervosos e assustados. O ser humano é capaz de perceber ondas sonoras na frequência de aproximadamente 16 a 20.000 hertz (ciclos por segundo), enquanto os cães são capazes de ouvir vibrações sonoras nos limites de 10 a 40.000 hertz e os gatos até 65.000 hertz, o que faz com que sejam muito mais sensíveis quando se trata de audição. Esta exposição almeja alertar os tutores dos riscos que representam os fogos de artifício, bem como dar dicas do que pode ser feito para amenizar seus efeitos.

É possível, ainda na infância, acostumar os animais a diversos barulhos, de forma gradativa, para que ao longo de sua vida não se assustem facilmente. Uma boa dica é, ao ouvir um som mais alto, festejar e mostrar ao animal que este som não representa ameaça. A primeira reação é coloca-los no colo, acariciar e falar com uma voz terna, mas os animais entendem os gestos como sendo a melhor reação para o tutor protegê-lo.

Para fins de reconhecimento do problema, é importante que se detectem sinais de medo, dos quais são exemplos: tremores, agitação fora do comum, roer ou atacar objetos, esconder-se, procurar atenção dos tutores, tentar fugir, chorar e latir.

Outra preocupação particularmente relevante em datas festivas, mas a que se deve dedicar atenção em todos os dias, é a identificação dos pets. Por serem propensos a seguirem seus instintos, podem fugir a qualquer momento. Em caso de fuga, a identificação muito auxiliará quem o encontrar a retorná-lo ao seu lar. Como em datas festivas a chance de fuga multiplica-se, é importante que se os mantenha em local em que se sinta seguro (verificando se janelas, portas e portões estão efetivamente fechados) e que se utilizem coleiras com medalhas informando nome e telefones para contato.

Fique com o seu animal, esteja no mesmo recinto que ele, proporcione locais onde possa se abrigar sem se ferir, tente também distraí-lo com brinquedos de que goste, coloque um som mais alto que ele costuma ouvir, como televisão ou uma música. Evite alimentação pesada e em grande quantidade, principalmente em animais de grande porte, pois ao se alimentar pode agitar- se e apresentar torções gástricas. Não os acomode em coleiras, pois na ocorrência de episódio de ansiedade o animal pode puxá-la em excesso e vir a se sufocar.

Para ajudar a aliviar a captação dos ruídos pelo animal, pode-se colocar tampões de algodão em seus ouvidos, minutos antes dos fogos, retirando-se logo após cessarem.
Piscinas devem ser cobertas para que não haja risco de afogamento, já que, ao se assustar, o animal pode jogar-se ou escorregar e encontrar dificuldades para sair.
Para os felinos, recomenda-se escolher um local da casa que seja mais seguro, deixar um armário aberto e nele colocar toalhas e cobertores para forrar, formando-se uma toca confortável. É também possível desarrumar a cama para formar uma toca também dessa forma. Água, comida e caixa de areia devem ser distribuídos para a disponibilidade do animal. O mesmo procedimento deve ser adotado com gatos com acesso à rua, pois em períodos festivos aumentam os riscos de ferimentos, atropelamentos, perda e maus tratos.

A técnica Tellington Touch¹ pode ser uma boa aliada dos proprietários de cães. Baseia-se na informação de que os animais mais sensíveis têm grande sensibilidade nas regiões traseiras, patas e orelhas, e consiste em atar o cão com um pano para que a circulação sanguínea das regiões extremas do corpo seja estimulada, amenizando as tensões localizadas no dorso do animal, diminuindo sua irritabilidade. Amarra-se o cão de forma que a faixa englobe peito e dorso (formando um oito), finalizando-se com um nó na região traseira, certificando-se de que não esteja exatamente sobre a coluna.

Clique para ampliar

 

 

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Caso ainda se perceba que os animais ficam muito estressados, recomenda-se que se procure o atendimento de médico veterinário, que poderá indicar medicações para auxiliar no processo de administração da irritabilidade do animal. Calmantes naturais também apresentam resultados eficientes, quando utilizados alguns dias antes dos eventos que causam estresse.

Por último, se não fores passar as festas com seu animalzinho, é importante que se escolha um hotel de confiança, que disponha de profissionais treinados para acomodá-lo e deixa-lo em segurança.

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Bruna Martin
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

 

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

¹ TELLINGTON-JONES, Linda. The Tellington TTouch : A Revolutionary Natural Method to Train and Care for Your Favorite Animal. Penguin Books, 1995.

O Paciente Felino

cachorro-com-gatoQuem já não ouviu por aí a famosa frase que o “gato é um cachorro pequeno“? Pois bem, ele não é.

Desde o início da civilização, vemos a introdução dos gatos na vida cotidiana das pessoas e, ao longo do tempo, suas “funções felinas” foram sendo modificadas até chegarem ao ponto de eles se tornem membros da família. Diferente dos cães, os gatos possuem comportamentos singulares que atraíram mais adeptos à espécie e hoje eles são a maioria dos animais domésticos nos lares de diversos países do mundo, como nos EUA. A população de gatos na casa dos brasileiros esta quase alcançando o número de cães e o atendimento diferenciado a esta espécie tão peculiar é de suma importância para a medicina veterinária.

Muitas vezes, manejar um felino dentro de um consultório, ou até mesmo na internação, não é tarefa fácil. Gatos não reagem bem a mudanças em sua rotina e muitas vezes levar estes “bigodudos” a um consultório veterinário pode ser muito estressante, tanto para o gato como para o tutor. E é aí que entra o médico veterinário! Ele deve ser capaz de identificar como o paciente está reagindo a este novo ambiente, assim como ter paciência e respeito em relação ao limite de tolerância do gato ao manejo. O gato, ao contrário dos cães, exercem alguns movimentos específicos com o corpinho que nos diz muita coisa sobre como ele está se sentido no momento e cabe ao médico veterinário identifica-los. Faz parte da função do médico veterinário tornar a experiência de ir a uma clínica veterinária o menos estressante possível para os felinos.

Porém, entenda: apesar de ser uma experiência não tão agradável para o seu gato (afinal, quem gosta de ir ao médico?), levar seu gatinho ao médico veterinário regularmente impede que muitas doenças apareçam de surpresa! Você sabia que o gato disfarça muito bem que não está bem? Muitos deles só demonstram sua debilidade quando já estão muito doentes! Por isso é importante você levar seu gato ao médico veterinário regularmente! Ele pode te ensinar como enriquecer o ambiente e otimizar o manejo que você faz ao seu gato dentro de casa e pode te indicar os melhores exames e vacinas para manter a saúde de seu gato!

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Ana Niederauer
Médica Veterinária- CRMV 14709

 

Hemograma: um grande aliado na investigação veterinária

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Paula Boeira Bassi, veterinária especialista no LAC Pet Center Canoas.

Atualmente, com a evolução das tecnologias na área veterinária, os animais de companhia têm acessos a exames de diagnósticos tão eficazes que, até bem pouco tempo, eram restritos aos seres humanos.

E como todo tratamento eficaz depende de um diagnóstico preciso, entram em cena os serviços de apoio, como o laboratório veterinário e diagnóstico por imagem. No laboratório, utilizamos os serviços que vão dos exames hematológicos até análises mais aprofundadas, respeitando sempre a diversidade das espécies, raças e porte dos animais.

Entre todos, o hemograma é o exame de sangue mais solicitado na rotina veterinária e tem como objetivo avaliar as células sanguíneas do paciente. Este exame é requerido pelo veterinário para auxílio no diagnóstico e controle da evolução de alguma doença. Este exame é muito importante, pois ele é o único exame que detecta a anemia no animal, além disso é usado como um exame de triagem pois ele auxilia na conduta do veterinário que avalia tanto a gravidade quanto a evolução de alguma doença durante algum tratamento.

Para melhor entendimento, o hemograma é considerado um painel de testes que examina as diferentes células do sangue, sendo:
  • Contagem de hemácias: são as células vermelhas, responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo. A diminuição ou aumento indicam estados anormais. Diminuição indica anemia e aumento indica policitemia.
  • Hemoglobina: Mede a quantidade de hemoglobina em um volume de sangue.
  • Hematócrito: Mede o volume percentual de hemácias em um volume de sangue.
  • Contagem de leucócitos: São as células brancas, que fazem parte do sistema de defesa do organismo. Mede-se o número total de leucócitos em um volume de sangue. Aumentos e diminuições podem ter significado.
  • Contagem diferencial de leucócitos: Determina a proporção de cada tipo de leucócitos. Há cinco tipos diferentes: neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos.
  • Contagem de plaquetas: São produzidos na medula óssea, importantes no mecanismo de coagulação sanguínea. A contagem determina o número de plaquetas em um volume de sangue. Aumentos e diminuições podem indicar anormalidades com sangramento excessivo ou risco de coágulos.
Quando o exame é solicitado pelo Veterinário?

O veterinário pode solicitar o exame em várias situações:

  • Antes de alguma cirurgia ou procedimento, para avaliar se os valores estão dentro dos parâmetros fisiológicos. A cirurgia é realizada com maior segurança.
  • Avaliar se o organismo do animal está reagindo bem a um tratamento medicamentoso.
  • Caracterizar o quadro clínico do animal após algum tipo de trauma (atropelamento, briga com outros animais), pois analisa a quantidade de sangue que o animal pode ter perdido ou até detectar uma possível hemorragia.
  • O exame detecta os tipos de leucócitos, sendo de grande valia para auxiliar no diagnóstico de outras condições, como uma alergia ou asma.
  • Nos animais saudáveis, o hemograma pode ser pedido apenas como um exame de rotina.
Existe contraindicação para realizar o exame?

Não existem contraindicações expressas para realizar o hemograma. No entanto, o veterinário pode dizer se o seu pet está apto a fazer o teste ou não.

Preparo do animal

O ideal é coletar o sangue do animal em jejum alimentar. Deve-se evitar o esforço físico do animal. Também devemos evitar o estresse do bichinho, pois pode levar a alterações nos resultados.

Quanto tempo demora para coletar o hemograma?

A coleta para o hemograma leva alguns minutos para ser realizado.

Periodicidade do exame

Não há uma periodicidade específica. Tudo dependerá das orientações do veterinário responsável e da presença ou ausência de doenças que devem ser acompanhadas pelo exame.

Existem riscos para realizar a coleta do hemograma?

São extremamente raros. No máximo, pode haver um hematoma no local em que o sangue foi retirado. Em alguns casos, a veia pode ficar inchada após a amostra de sangue ser recolhida (flebite), mas isso pode ser revertido fazendo uma compressa várias vezes ao dia. Existem alguns animais que podem ter problemas de coagulação e que podem sofrer com um sangramento contínuo após a coleta.

Resultados

Somente o médico veterinário poderá avaliar e interpretar os resultados, pois é ele que vai levar em conta os diversos fatores individuais de cada animal. Isto significa que um valor dentro ou fora do normal pode ter significados diferentes. A prenhez, por exemplo, pode alterar os valores sanguíneos fora da referência normal, mas que são parâmetros fisiológicos esperados para esta condição.

O que pode afetar o resultado do exame?
  • Medicamentos que podem baixar os níveis de plaquetas.
  • Animal estressado pode apresentar contagem elevada de glóbulos brancos.
  • Animal agitado ou esforço físico recente (caminhada prolongada), podem interferir nas contagens de hemácias, hemoglobina e hematócrito.

 

Aqui, o Laboratório de Análises Clínicas (LAC) da Pet Center Canoas realiza os principais exames relacionados as patologias clínicas veterinárias de cães e gatos. Dentre os principais exames e diagnósticos laboratoriais realizados na rotina, podemos destacar hematologia, bioquímica sérica, urinálise, avaliação de líquidos cavitários, coproparasitológico, avaliação citológica, entre outros.

Tudo isso existe para que se possa chegar num diagnóstico mais rápido e poder tratar seu pet o quanto antes, aumentando todas as chances de vida principalmente em casos de urgência. Desconfiando de algo, não deixe de procurar um veterinário.

Espero ter ajudado. Com carinho,

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Comportando estranho? Pode ser uma Disfunção Cognitiva.

Disfunção Cognitiva PetA Dorinha é uma simpática cachorrinha de 13 anos. Os donos relatam que ela começou a trocar o dia pela noite, late sem motivo aparente, não reconhece familiares e esqueceu vários truques que sabia. A Dorinha sofre de Disfunção Cognitiva, muito semelhante ao Mal de Alzheimer em humanos.

Os nossos pets estão vivendo mais, e com isso, surgem novas doenças.  Cerca de 50% dos pets com mais de 11 anos de idade apresentam uma ou mais mudanças comportamentais ligadas ao envelhecimento. As Causas da disfunção cognitiva não são conhecidas, mas sabe-se que ela se manifesta devido a uma série de alterações físicas e químicas que ocorrem no cérebro durante o envelhecimento.

Como identificar se o meu pet idoso tem a disfunção? Os principais sintomas são:

  1. O animal fica desorientado, perde-se dentro de casa, às vezes não encontra a saída de um cômodo ou o local da sua comida.
  2. Ocorrem alterações de sono, ficam acordados a noite, andando pela casa, vocalizando e dormem durante o dia.
  3. Perdem os hábitos de higiene, podem urinar e defecar dentro de casa, quando antes não faziam.
  4. Podem não reconhecer os donos ou estranhá-los em algumas ocasiões.

Se você possuir algum pet idoso com esses sinais, é importante a avaliação de um médico veterinário. Diagnosticada a disfunção cognitiva, ele indicará o melhor tratamento com antioxidantes, suplementos e exercícios, para tornar a vida do seu pet idoso mais confortável e feliz.

Levar o seu pet ao veterinário é um gesto de amor!

Veterinária Fernanda Xavier

 

Fernanda Xavier
Médica Veterinária
CRMV/RS 09420

 

 

 

Bruna Valle

 

Bruna Valle
Estagiária Curricular / UFPel

Câncer de mama em cadela e gatas: Como prevenir e tratar

Outubro RosaO câncer de mama, principalmente nas cadelas, é uma das doenças mais comuns e uma das mais temidas entre seus tutores. A sua incidência aumenta em cadelas não castradas, idade superior a seis anos, cadelas obesas e utilização de contraceptivos. É uma doença que não tem predisposição racial, ou seja, todas as raças caninas estão sujeitas a sofrer com este problema.

Nas gatas os tumores mamários são menos comuns, porém são mais agressivos. Vale ressaltar que, embora muitos pensem que o câncer de mama é um problema que atinge, exclusivamente, as fêmeas, se enganam, pois ele também pode afetar os machos em alguns casos.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fatores que podem ser totalmente decisivos para a sobrevivência do animal. O câncer se desenvolve de forma silenciosa, e quando a cadelinha ou gatinha começar a apresentar sinais como tristeza, falta de apetite, febres ou vômitos, pode ser tarde demais. O animal pode ter sua vida poupada, se o seu tutor olhar ou tocar seu pet de forma mais atenta.

Afinal, o que são os tumores mamários?
São nódulos formados por células do corpo que se multiplicam rapidamente de forma descontrolada. Podem ser benignos ou malignos, sendo chamados de câncer quando malignos. Esses nódulos podem ter diferentes tamanhos, podem ser ulcerados ou não, moles, firmes ou endurecidos. Podem também ser únicos ou múltiplos.

Quais são os sinais clínicos?
Deve-se atentar para caroços/nódulos na região das mamas, inchaço ou vermelhidão no local, presença de secreções e também presença de dor.

O pet pode apresentar outros sintomas que não são específicos, como falta de apetite, perda de peso, febre, vômitos. Sempre atentar para esses sinais e levar ao veterinário o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Com base no exame clínico da região mamária, observando aumento de volume e outras alterações clínicas, cabe ao médico veterinário solicitar exames para investigar sobre a doença e certificar a extensão do problema. Os principais exames complementares incluem citologia aspirativa do nódulo, biópsia, exames de sangue, radiografia torácica e ultrassonografia. Após realizados os exames, a primeira medida será a realização de um procedimento cirúrgico para a retirada completa do tumor do corpo do animal. O tumor deve ser enviado a um laboratório especializado para análise histopatológica. Este exame é o diagnóstico definitivo, pois é somente com este resultado que é possível saber se o tumor é benigno ou maligno.

A análise histopatológica e os resultados obtidos dos exames complementares, são fundamentais para definir um diagnóstico correto, além de fornecer dados relevantes para um tratamento adequado e específico. Nos casos em que o tumor é benigno, geralmente, a cirurgia já é o suficiente como tratamento. No entanto, para o tumor maligno, além da retirada cirúrgica, a quimioterapia pode ser indicada.

Nas ocorrências de metástase, o tratamento pode ser complicado e as chances de cura são mínimas. Nestes casos, é indicado medicamentos para aliviar os sintomas, permitindo o bem estar do animal no período que lhe resta de vida.

Prevenção
A castração da fêmea antes do primeiro cio já se provou como a forma mais eficiente para prevenir o câncer, pois a influência hormonal é a grande responsável pelo aparecimento de disfunções que favorecem o surgimento da doença. Essa conduta pode reduzir em até 99% as chances de aparecer o câncer de mama. Castrar após o primeiro cio reduz em 92% e após o segundo cio, para 74%.

Ao contrário do que muitos imaginam, o acasalamento (ou falta dele) na vida da cadela não está relacionado ao aparecimento do câncer de mama.

Não usar as injeções de anticoncepcionais. É muito importante esclarecer que, os medicamentos hormonais (injeções para evitar o cio) é um fator que pode ser determinante para o surgimento de tumores na mama, e é por isso que, na atualidade, esse tipo de medicamento é altamente contraindicado pelos veterinários.

Com este esclarecimento, fica a dica do por que é tão importante estar sempre atento aos sinais da doença nas cadelinhas e gatinhas. Não hesite em marcar uma consulta com um profissional. Qualquer que seja a doença que seu animal possa ter, as chances de cura são muito maiores quando é feito um tratamento precoce.

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Para os pets, prevenir também é o melhor remédio

DeeDee_DogTag_03_ResizedAssim como os humanos, nossos pets também necessitam de revisões anuais, os chamados check-ups, principalmente quando começam a ficar idosos.

A partir dos sete anos, em geral, os cães e gatos iniciam a fase geriátrica que pode vir associada a várias doenças comuns dessa fase da vida.

Algumas podem se desenvolver em função de predisposição genética, outras por alterações endócrinas (tireóide, adrenais etc), algumas influenciadas pela alimentação ao longo da vida, obesidade e sedentarismo. Conheça algumas delas:

DOENÇAS CARDÍACAS: São muito comuns em pets idosos. Seus primeiros sinais clínicos incluem tosse seca, cansaço, dificuldade respiratória e cianose (língua de coloração arroxeada) ao se agitar. Caso o proprietário perceba qualquer dessas alterações, é de extrema importância a investigação, pois, quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as chances de tratamento e sobrevida.

INSUFICIÊNCIA RENAL: Também,  muito comum, sendo acompanhada de emagrecimento progressivo, vômitos, diarreia, poliúria e polidipsia (urinar e beber água em maior quantidade). Se identificada precocemente, há controle, com cuidados alimentares e visitas periódicas para fluidoterapia (soro).

ALTERAÇÕES ÓSSEAS OU ARTICULARES: Apresenta sinais clínicos como dor, claudicação (mancar), dificuldade para se locomover ou levantar e relutância para subir escadas.

NEOPLASIAS (TUMORES): São frequentes nesta idade, sendo a maioria ligada a fatores genéticos. Se, ao acariciar seu pet, perceber qualquer aumento de volume, nódulos, manchas, leve-o para avaliação. Ainda existem neoplasias que podem se desenvolver em órgãos como fígado, baço, pulmão. Para isso, se realizado exames de imagem periodicamente, as chances do diagnóstico precoce e tratamento aumentam a sobrevida.

Sendo assim, quando seu animal de estimação chegar nesta fase, realize check-ups anuais, principalmente para medidas preventivas. Muitas doenças podem ser prevenidas e tratadas mais facilmente quando estão nos primeiros estágios e possibilitam um melhor controle. Além disso, não esqueça de levar seu pet para a vacinação, pelo menos uma vez por ano, e já fazer uma avaliação com seu veterinário. Afinal, seu pet, faz parte da família.

Dayane Borba da Silva

 

Dayane Borba da Silva
Médica Veterinária
CRMV/RS 10998

A automedicação pode matar seu pet

Automedicação pode matarSempre queremos fazer o melhor para nossos peludos, porém atitudes bem intencionadas, quando realizadas sem o devido conhecimento, podem ter consequências catastróficas. Você conhece os riscos da automedicação para os pets?

Cães e gatos têm particularidades metabólicas distintas, e estas diferenças variam também conforme a raça. Em virtude disso, além dos bichanos terem reações diferentes aos medicamentos, com relação aos humanos, as respostas aos remédios variam muito entre cada raça, e é por isso que os antibióticos, por exemplo, têm suas doses ajustadas para cada espécie de animal.

Infelizmente, temos a tendência de achar que os nossos remédios terão sempre o mesmo efeito para nossos pets, o que é um grande e perigoso engano. Animais de companhia têm organismos muito mais sensíveis aos analgésicos e anti-inflamatórios que utilizamos rotineiramente em casa, para dores de cabeça ou febre, e que, em muitos casos, também são automedicados. Você já tomou algum remédio sem consultar o médico? Se não tomou, provavelmente conhece alguém que toma.

Extrapolamos esta nossa conduta de automedicação, tratando em casa com medicações humanas nossos pets quando eles apresentam algum sintoma, e nesse comportamento mora o perigo. Para exemplificar, um comprimido de paracetamol 750mg é o suficiente para causar óbito em um gato, pois os felinos apresentam uma deficiência nas enzimas que metabolizam este medicamento, aumentando seu potencial tóxico e levando o paciente à morte. Este é um remédio extremamente comum, que todos temos em casa, porém a maioria das pessoas não conhece seus perigos quando ele é administrado em um bichano.

Então, quando seu peludo apresentar qualquer sintoma, não o medique! Leve ao médico veterinário de sua confiança o mais breve possível, pois ele é o profissional habilitado para realizar o diagnóstico e prescrever o tratamento mais indicado para o seu pet. Ele saberá quais medicações podem ser utilizadas, quais devem ser evitadas e terá o conhecimento das particularidades de cada espécie.

Seu bichinho merece o melhor e ele ficará eternamente grato a você!

Guilherme Cirino

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799