Arquivo mensais:dezembro 2017

Como proteger seu pet dos Fogos de Artifício

As festas de final de ano estão chegando e, com elas, muita alegria, comemoração e confraternização com familiares e amigos. Nossos pets, contudo, não podem ser esquecidos quando se trata de fogos de artificio e o efeito que lhes causam. Alguns estão acostumados, outros se mostram incomodados e há inclusive os que desenvolvem fobias, apresentam crises convulsivas, crises de pânico e fugas (podem se perder, sofrer acidentes e se machucar), pois ficam nervosos e assustados. O ser humano é capaz de perceber ondas sonoras na frequência de aproximadamente 16 a 20.000 hertz (ciclos por segundo), enquanto os cães são capazes de ouvir vibrações sonoras nos limites de 10 a 40.000 hertz e os gatos até 65.000 hertz, o que faz com que sejam muito mais sensíveis quando se trata de audição. Esta exposição almeja alertar os tutores dos riscos que representam os fogos de artifício, bem como dar dicas do que pode ser feito para amenizar seus efeitos.

É possível, ainda na infância, acostumar os animais a diversos barulhos, de forma gradativa, para que ao longo de sua vida não se assustem facilmente. Uma boa dica é, ao ouvir um som mais alto, festejar e mostrar ao animal que este som não representa ameaça. A primeira reação é coloca-los no colo, acariciar e falar com uma voz terna, mas os animais entendem os gestos como sendo a melhor reação para o tutor protegê-lo.

Para fins de reconhecimento do problema, é importante que se detectem sinais de medo, dos quais são exemplos: tremores, agitação fora do comum, roer ou atacar objetos, esconder-se, procurar atenção dos tutores, tentar fugir, chorar e latir.

Outra preocupação particularmente relevante em datas festivas, mas a que se deve dedicar atenção em todos os dias, é a identificação dos pets. Por serem propensos a seguirem seus instintos, podem fugir a qualquer momento. Em caso de fuga, a identificação muito auxiliará quem o encontrar a retorná-lo ao seu lar. Como em datas festivas a chance de fuga multiplica-se, é importante que se os mantenha em local em que se sinta seguro (verificando se janelas, portas e portões estão efetivamente fechados) e que se utilizem coleiras com medalhas informando nome e telefones para contato.

Fique com o seu animal, esteja no mesmo recinto que ele, proporcione locais onde possa se abrigar sem se ferir, tente também distraí-lo com brinquedos de que goste, coloque um som mais alto que ele costuma ouvir, como televisão ou uma música. Evite alimentação pesada e em grande quantidade, principalmente em animais de grande porte, pois ao se alimentar pode agitar- se e apresentar torções gástricas. Não os acomode em coleiras, pois na ocorrência de episódio de ansiedade o animal pode puxá-la em excesso e vir a se sufocar.

Para ajudar a aliviar a captação dos ruídos pelo animal, pode-se colocar tampões de algodão em seus ouvidos, minutos antes dos fogos, retirando-se logo após cessarem.
Piscinas devem ser cobertas para que não haja risco de afogamento, já que, ao se assustar, o animal pode jogar-se ou escorregar e encontrar dificuldades para sair.
Para os felinos, recomenda-se escolher um local da casa que seja mais seguro, deixar um armário aberto e nele colocar toalhas e cobertores para forrar, formando-se uma toca confortável. É também possível desarrumar a cama para formar uma toca também dessa forma. Água, comida e caixa de areia devem ser distribuídos para a disponibilidade do animal. O mesmo procedimento deve ser adotado com gatos com acesso à rua, pois em períodos festivos aumentam os riscos de ferimentos, atropelamentos, perda e maus tratos.

A técnica Tellington Touch¹ pode ser uma boa aliada dos proprietários de cães. Baseia-se na informação de que os animais mais sensíveis têm grande sensibilidade nas regiões traseiras, patas e orelhas, e consiste em atar o cão com um pano para que a circulação sanguínea das regiões extremas do corpo seja estimulada, amenizando as tensões localizadas no dorso do animal, diminuindo sua irritabilidade. Amarra-se o cão de forma que a faixa englobe peito e dorso (formando um oito), finalizando-se com um nó na região traseira, certificando-se de que não esteja exatamente sobre a coluna.

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Caso ainda se perceba que os animais ficam muito estressados, recomenda-se que se procure o atendimento de médico veterinário, que poderá indicar medicações para auxiliar no processo de administração da irritabilidade do animal. Calmantes naturais também apresentam resultados eficientes, quando utilizados alguns dias antes dos eventos que causam estresse.

Por último, se não fores passar as festas com seu animalzinho, é importante que se escolha um hotel de confiança, que disponha de profissionais treinados para acomodá-lo e deixa-lo em segurança.

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Bruna Martin
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

 

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

¹ TELLINGTON-JONES, Linda. The Tellington TTouch : A Revolutionary Natural Method to Train and Care for Your Favorite Animal. Penguin Books, 1995.

Acidentes por animais peçonhentos: como agir?

Como sabemos, os casos de acidentes entre as espécies peçonhentas e os animais domésticos vêm aumentando significativamente, principalmente em épocas mais quentes. Sendo assim, é de extrema importância para você tutor saber como agir se esta fatalidade acontecer.

Há inúmeras espécies que podem, de alguma forma, causar toxicidade ao seu animal de estimação, e muitos destes estão cada vez expostos a áreas verdes, praças públicas e afins. Dentre as principais formas de ataque, o que mais vemos são picadas de serpentes, abelhas, e aranhas, não descartando que sapos e escorpiões também podem ser extremamente tóxicos.

CARACTERÍSTICAS

As serpentes normalmente atacam quando estão à procura de comida ou parceiro sexual, seja por picada ou compressão da presa. Os sapos por sua vez, expelem seu veneno quando se sentem comprimido-ameaçados, e isso acontece quando ingenuamente, o animal acha que o anfíbio é algum brinquedo e acabam mordendo-o.

No caso de picadas por aranhas, ocorre a mesma situação, estas só inoculam seu veneno quando pressionadas contra o corpo. Já os escorpiões não são agressivos, porém a inoculação maciça do veneno pode acarretar em graves manifestações sistêmicas.

SINAIS CLÍNICOS

Os animais de estimação ao serem picados ou envenenados, no geral, podem apresentar sinais clínicos como temperatura corporal elevada, dor à palpação, sialorréia (salivação excessiva), eritema (vermelhidão da pele), êmese (vômito), diarreia, dificuldade respiratória, e muitas vezes apenas lesão no local da picada. Os sinais podem evoluir para paralisia de membros, alterações neurológicas e/ou sistêmicas, levando muitas vezes o animal a óbito.

Ao observar essas alterações, apresentando ou não lesões características ou visíveis a olho nu, alterações de comportamento e suspeita que existe uma probabilidade de ter sido picado (passeio em locais, ou pátio que já foi observado presença desses animais peçonhentos), deve-se levar o animal imediatamente a um serviço de emergência veterinária, pois se não tratado precocemente, as consequências podem ser sérias. Estamos falando que uma simples picada de uma abelha, por exemplo, num animal de porte pequeno pode leva-lo à morte, caso não tratado imediatamente e corretamente.

IDENTIFICAÇÃO DO ANIMAL PEÇONHENTO

Para aumentar as chances de salvar o pet, é muito importante a identificação do animal peçonhento, pois cada um apresenta características de veneno diferentes e alguns tem tratamento específico. Se conseguir observar qual animal peçonhento atacou seu pet, sendo possível, capture ou tire uma foto e mostre ao veterinário.

ENCAMINHAMENTO AO VETERINÁRIO

No atendimento veterinário, o profissional irá avaliar a condição do quadro clínico do animal, podendo solicitar alguns exames como hemograma, testes de coagulação, avaliações bioquímicas para avaliações renais e hepáticas. Havendo trauma ou feridas profundas podem ser solicitados raio x e ultrassonografia.

TRATAMENTO

Ao confirmar acidente por animal peçonhento, o animal deverá ser internado. Estando sob cuidados médicos, o tratamento também varia, podendo ser apenas paliativo em certos casos, utilizando desde analgésicos, antissépticos locais, antibióticos, fluidoterapia, ou ainda tratamentos mais específicos quando se sabe qual é o animal peçonhento como: soros antiofídicos, antiaracnídicos (antídotos), e até mesmo precisar de um procedimento cirúrgico e/ou transfusão sanguínea.

PREVENÇÃO

Em épocas de calor e elevada umidade, esses animais crescem e se desenvolvem em maior número, portanto:

– Evitar que nossos animais passeiem em locais onde há campo muito alto ou matas fechadas;

– Manter a grama aparada, sempre recolhendo excesso de folhas do chão, evitar acumulo de matéria orgânica, sendo esses locais os de maior proliferação de animais peçonhentos;

– Dedetização em ambientes infestados, dentro de casas ou jardim (tomando cuidado para que seu pet não fique no local no momento).

Vendo ou desconfiando de qualquer alteração de comportamento no seu pet, não espere e faça algo imediatamente, uma atitude e você pode salvar a vida dele!

 

Mônica Sganzerla
Estagiária em Medicina Veterinária

 

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320