Dúvidas frequentes sobre o tratamento contra o câncer de mama com o Dr. Guilherme Cirino

Oi tutor, tudo bem? Durante minha caminhada como Médico Oncologista Veterinário, reuni algumas das dúvidas e conversas mais frequentes e que poderão te ajudar de alguma forma:

“- Nós notamos que ela está com uma “bolinha” na mama, e ela vem crescendo há mais ou menos 30 dias. Ficamos preocupados e resolvemos trazer para a consulta…”

Esta é uma reclamação recorrente em nossa prática veterinária. Neoplasias mamárias são extremamente comuns em cadelas idosas, e podem se transformar em um pesadelo caso não sejam tratadas rapidamente e de maneira adequada.

 

“- Certo, então ela irá realizar estes exames e depois iremos para a cirurgia… devo me preocupar doutor? Ela é nossa filhinha…”

Para um início adequado de qualquer tratamento oncológico, devemos começar com o estadiamento do paciente. Estes exames nos mostrarão em qual patamar a doença se encontra, bem como quais serão os processos diagnósticos e terapêuticos que trarão melhor prognóstico. Muitas vezes neste momento indicamos a citologia, que nos trará informações preliminares sobre a doença, através de uma técnica minimamente invasiva e de realização ambulatorial.

 

“- Por favor, cuidem bem dela. Eu tenho muito medo de que ela não acorde mais.”

O momento da cirurgia pode ser assustador, mas realizando os exames adequados, bem como as técnicas de anestesia multimodal, conseguimos minimizar os riscos cirúrgicos e anestésicos, promovendo um transoperatório tranquilo e sem intercorrências.

 

“- Que corte grande! Não podíamos ter tirado somente a “bolinha”?”

A literatura médica nos orienta que devemos sempre que possível remover todas as mamas de um paciente que apresentou eventos de neoplasia mamária. O tecido mamário apresenta intrincada arquitetura vascular e linfática, o que pode permitir a disseminação da doença de maneira regional, ou até mesmo promover extensão positiva. Muitas vezes um único procedimento cirúrgico não será suficiente para remoção de todas as mamas, e cirurgias adicionais podem ser necessárias.

 

“- Será que já poderemos retirar os pontos no retorno Doutor? São tantos!”

O pós operatório de uma mastectomia demanda repouso para que o paciente possa se recuperar adequadamente. O trauma cirúrgico nestes procedimentos é considerável, contudo analgésicos e anti-inflamatórios deixarão o paciente confortável e sem dor neste momento. As recomendações médicas devem ser seguidas a risca, para termos um pós operatório sem complicações. Normalmente as suturas serão deixadas por pelo menos 14 dias, para completa cicatrização da ferida cirúrgica. Tempo adicional pode ser necessário.

 

“- Alô, Doutor? Eu peguei o resultado da biópsia na recepção, elas pediram para eu marcar uma consulta oncológica com o senhor…”

A biópsia é parte imprescindível do diagnóstico oncológico, pois vai confirmar os resultados preliminares de uma citologia (caso esta tenha sido realizada), bem como nos trazer importantes informações sobre o comportamento biológico da doença a qual estamos lidando. Através deste resultado poderemos saber se haverá necessidade de tratamentos adicionais após a cirurgia (como a quimioterapia, por exemplo). O resultado da biópsia deve ser discutido com um Oncologista, para que todas as opções de tratamento sejam abordadas de maneira objetiva e o melhor tratamento seja instituído.

 

“- Bom dia Doutor! Como o senhor está? Hoje estamos trazendo a Bela para as vacinas. Estamos tão felizes, já fazem dois anos que ela fez aquela cirurgia das mamas, e parece que resolvemos o problema!”

Quando realizamos a detecção e tratamento precoce de uma neoplasia mamária, muitas vezes podemos alcançar a cura. Fique atento aos sinais que seu peludo lhe dá, examine as mamas das fêmeas idosas pelo menos uma vez por mês, e caso note qualquer alteração, procure o médico veterinário.

Suas ações podem salvar vidas! Viu algo, faça algo!

 

Guilherme Cirino

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

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