Arquivo mensais:outubro 2017

Dúvidas frequentes sobre o tratamento contra o câncer de mama com o Dr. Guilherme Cirino

Oi tutor, tudo bem? Durante minha caminhada como Médico Oncologista Veterinário, reuni algumas das dúvidas e conversas mais frequentes e que poderão te ajudar de alguma forma:

“- Nós notamos que ela está com uma “bolinha” na mama, e ela vem crescendo há mais ou menos 30 dias. Ficamos preocupados e resolvemos trazer para a consulta…”

Esta é uma reclamação recorrente em nossa prática veterinária. Neoplasias mamárias são extremamente comuns em cadelas idosas, e podem se transformar em um pesadelo caso não sejam tratadas rapidamente e de maneira adequada.

 

“- Certo, então ela irá realizar estes exames e depois iremos para a cirurgia… devo me preocupar doutor? Ela é nossa filhinha…”

Para um início adequado de qualquer tratamento oncológico, devemos começar com o estadiamento do paciente. Estes exames nos mostrarão em qual patamar a doença se encontra, bem como quais serão os processos diagnósticos e terapêuticos que trarão melhor prognóstico. Muitas vezes neste momento indicamos a citologia, que nos trará informações preliminares sobre a doença, através de uma técnica minimamente invasiva e de realização ambulatorial.

 

“- Por favor, cuidem bem dela. Eu tenho muito medo de que ela não acorde mais.”

O momento da cirurgia pode ser assustador, mas realizando os exames adequados, bem como as técnicas de anestesia multimodal, conseguimos minimizar os riscos cirúrgicos e anestésicos, promovendo um transoperatório tranquilo e sem intercorrências.

 

“- Que corte grande! Não podíamos ter tirado somente a “bolinha”?”

A literatura médica nos orienta que devemos sempre que possível remover todas as mamas de um paciente que apresentou eventos de neoplasia mamária. O tecido mamário apresenta intrincada arquitetura vascular e linfática, o que pode permitir a disseminação da doença de maneira regional, ou até mesmo promover extensão positiva. Muitas vezes um único procedimento cirúrgico não será suficiente para remoção de todas as mamas, e cirurgias adicionais podem ser necessárias.

 

“- Será que já poderemos retirar os pontos no retorno Doutor? São tantos!”

O pós operatório de uma mastectomia demanda repouso para que o paciente possa se recuperar adequadamente. O trauma cirúrgico nestes procedimentos é considerável, contudo analgésicos e anti-inflamatórios deixarão o paciente confortável e sem dor neste momento. As recomendações médicas devem ser seguidas a risca, para termos um pós operatório sem complicações. Normalmente as suturas serão deixadas por pelo menos 14 dias, para completa cicatrização da ferida cirúrgica. Tempo adicional pode ser necessário.

 

“- Alô, Doutor? Eu peguei o resultado da biópsia na recepção, elas pediram para eu marcar uma consulta oncológica com o senhor…”

A biópsia é parte imprescindível do diagnóstico oncológico, pois vai confirmar os resultados preliminares de uma citologia (caso esta tenha sido realizada), bem como nos trazer importantes informações sobre o comportamento biológico da doença a qual estamos lidando. Através deste resultado poderemos saber se haverá necessidade de tratamentos adicionais após a cirurgia (como a quimioterapia, por exemplo). O resultado da biópsia deve ser discutido com um Oncologista, para que todas as opções de tratamento sejam abordadas de maneira objetiva e o melhor tratamento seja instituído.

 

“- Bom dia Doutor! Como o senhor está? Hoje estamos trazendo a Bela para as vacinas. Estamos tão felizes, já fazem dois anos que ela fez aquela cirurgia das mamas, e parece que resolvemos o problema!”

Quando realizamos a detecção e tratamento precoce de uma neoplasia mamária, muitas vezes podemos alcançar a cura. Fique atento aos sinais que seu peludo lhe dá, examine as mamas das fêmeas idosas pelo menos uma vez por mês, e caso note qualquer alteração, procure o médico veterinário.

Suas ações podem salvar vidas! Viu algo, faça algo!

 

Guilherme Cirino

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799

Câncer de mama em cadela e gatas: Como prevenir e tratar

O câncer de mama, principalmente nas cadelas, é uma das doenças mais comuns e uma das mais temidas entre seus tutores. A sua incidência aumenta em cadelas não castradas, idade superior a seis anos, cadelas obesas e utilização de contraceptivos. É uma doença que não tem predisposição racial, ou seja, todas as raças caninas estão sujeitas a sofrer com este problema.

Nas gatas os tumores mamários são menos comuns, porém são mais agressivos. Vale ressaltar que, embora muitos pensem que o câncer de mama é um problema que atinge, exclusivamente, as fêmeas, se enganam, pois ele também pode afetar os machos em alguns casos.

O diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento são fatores que podem ser totalmente decisivos para a sobrevivência do animal. O câncer se desenvolve de forma silenciosa, e quando a cadelinha ou gatinha começar a apresentar sinais como tristeza, falta de apetite, febres ou vômitos, pode ser tarde demais. O animal pode ter sua vida poupada, se o seu tutor olhar ou tocar seu pet de forma mais atenta.

Afinal, o que são os tumores mamários?
São nódulos formados por células do corpo que se multiplicam rapidamente de forma descontrolada. Podem ser benignos ou malignos, sendo chamados de câncer quando malignos. Esses nódulos podem ter diferentes tamanhos, podem ser ulcerados ou não, moles, firmes ou endurecidos. Podem também ser únicos ou múltiplos.

Quais são os sinais clínicos?
Deve-se atentar para caroços/nódulos na região das mamas, inchaço ou vermelhidão no local, presença de secreções e também presença de dor.

O pet pode apresentar outros sintomas que não são específicos, como falta de apetite, perda de peso, febre, vômitos. Sempre atentar para esses sinais e levar ao veterinário o quanto antes.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
Com base no exame clínico da região mamária, observando aumento de volume e outras alterações clínicas, cabe ao médico veterinário solicitar exames para investigar sobre a doença e certificar a extensão do problema. Os principais exames complementares incluem citologia aspirativa do nódulo, biópsia, exames de sangue, radiografia torácica e ultrassonografia. Após realizados os exames, a primeira medida será a realização de um procedimento cirúrgico para a retirada completa do tumor do corpo do animal. O tumor deve ser enviado a um laboratório especializado para análise histopatológica. Este exame é o diagnóstico definitivo, pois é somente com este resultado que é possível saber se o tumor é benigno ou maligno.

A análise histopatológica e os resultados obtidos dos exames complementares, são fundamentais para definir um diagnóstico correto, além de fornecer dados relevantes para um tratamento adequado e específico. Nos casos em que o tumor é benigno, geralmente, a cirurgia já é o suficiente como tratamento. No entanto, para o tumor maligno, além da retirada cirúrgica, a quimioterapia pode ser indicada.

Nas ocorrências de metástase, o tratamento pode ser complicado e as chances de cura são mínimas. Nestes casos, é indicado medicamentos para aliviar os sintomas, permitindo o bem estar do animal no período que lhe resta de vida.

Prevenção
A castração da fêmea antes do primeiro cio já se provou como a forma mais eficiente para prevenir o câncer, pois a influência hormonal é a grande responsável pelo aparecimento de disfunções que favorecem o surgimento da doença. Essa conduta pode reduzir em até 99% as chances de aparecer o câncer de mama. Castrar após o primeiro cio reduz em 92% e após o segundo cio, para 74%.

Ao contrário do que muitos imaginam, o acasalamento (ou falta dele) na vida da cadela não está relacionado ao aparecimento do câncer de mama.

Não usar as injeções de anticoncepcionais. É muito importante esclarecer que, os medicamentos hormonais (injeções para evitar o cio) é um fator que pode ser determinante para o surgimento de tumores na mama, e é por isso que, na atualidade, esse tipo de medicamento é altamente contraindicado pelos veterinários.

Com este esclarecimento, fica a dica do por que é tão importante estar sempre atento aos sinais da doença nas cadelinhas e gatinhas. Não hesite em marcar uma consulta com um profissional. Qualquer que seja a doença que seu animal possa ter, as chances de cura são muito maiores quando é feito um tratamento precoce.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

PAPO COM VET #01 – Anestesia Veterinária com Dr. Alan Moscarelli

Olá tutor! Tudo bem? Estamos inaugurando o quadro “Papo com Vet” aqui no blog, onde vamos trazer entrevistas com nossos médicos veterinários especialistas da Pet Center Canoas, entendendo que a informação gera prevenção e proteção do seu pet e da sua família.

Nesta primeira edição conversamos com o Dr.  Alan Moscarelli, Médico Veterinário Anestesiologista (CRMV 10842),  que atende grande parte dos procedimentos cirúrgicos aqui da clínica. Bom, vamos às perguntas:

  1. A anestesia é só para não sentir dor? Em quais situações ela é recomendada?

Dr. Alan: A anestesia serve para controlar a dor também, mas é a responsável pelo monitoramento do paciente durante todo o procedimento cirúrgico, inclusive do retorno anestésico. É indicada anestesia em todos procedimentos que necessitam de imobilização de um paciente para algum procedimento, como uma cirurgia.

  1. Como funciona a anestesia?

Dr. Alan: Ela funciona através de medicações que causam imobilização, perda de inconsciência e analgesia temporária do paciente. Esses mecanismos podem ser ativados pela associação de anestésicos gerais e locais, analgésicos e tranquilizantes.

  1. Existem tipos diferentes de anestesia?

Dr. Alan: Sim, e existem basicamente dois tipos de anestesia, a geral e a local. Anestesia geral pode se dividir em geral inalatória, total intravenosa e associada. A anestesia inalatória (geral balanceada) é indicada para todos procedimentos em que o paciente precisa ficar anestesiado um período de tempo maior, como castrações, mastectomias, limpezas de tártaros, etc.

  1. Anestesia tem risco? Se tem riscos, quais os procedimentos que diminuem esses riscos?

Dr. Alan: Anestesia sempre tem riscos. Contudo, estes riscos são minimizados quando se tem um profissional qualificado, que é o Médico Veterinário Anestesista, que avalia o paciente e decide qual o melhor técnica anestésica a ser usada, monitora e acompanha todo o procedimento, zelando pela vida do paciente.

  1. Quem pode aplicar anestesia?

Dr. Alan: Todo médico veterinário que tenha conhecimento para isso. Mas, atualmente, temos especialistas que se dedicam à este atendimento, aumentando ainda mais a segurança de cada paciente, como acontece aqui na Pet Center Canoas.

  1. Todos os procedimentos cirúrgicos requerem um anestesista?

Dr. Alan: O recomendado é que todos os procedimentos cirúrgicos sejam acompanhados do Médico Veterinário Anestesista.

  1. Dr. Alan, tens alguma informação importante para conhecimento dos tutores?

Dr. Alan: É bem importante para o tutor saber que todo procedimento cirúrgico necessita de profissionais habilitados  para tal procedimento, incluindo o anestesista. Pense por um minuto: se na medicina humana, que lida com a vida das pessoas, o Médico Anestesista sempre é requisitado em procedimentos cirúrgicos, por que na medicina veterinária isso seria diferente? Afinal de contas, uma vida sempre será uma vida, independente de espécie ou gênero.

Esperamos que tenha sido proveitosa a leitura. Deixe seus comentários aqui em baixo, compartilhe com seus amigo e até o próximo Papo com Vet!

Com muito carinho,
Redação Pet Center Canoas.

Viu algo, Faça algo! – 9º sinal clínico: Caroços sob a pele ou mamas

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Estamos chegando ao último sinal clínico abordado na nossa campanha Viu Algo, Faça Algo!, com objetivo de explorar aspectos da saúde dos peludos para facilitar uma detecção precoce de doenças, por meio da avaliação cuidadosa dos tutores. É muito comum vermos nódulos, aumentos de volume, “caroços” ou “bolinhas” nos nossos animais, e devemos sempre estar atentos, pois podem ter significados importantes!

Principais doenças que podem se manifestar em aumentos de volume (“caroços” e “bolinhas”):

  • Tumores: são nossa principal preocupação quando encontramos nódulos. Abordamos o câncer e seus aspectos em outros textos aqui no blog, e você pode conferi-los aqui. Quando nos deparamos com aumentos de volume, exames adicionais serão necessários para definir a natureza da lesão, sua classificação e tratamento necessário. O médico veterinário pode solicitar exames como a citologia ou a biópsia.
  • Abcessos/flegmões: são lesões de caráter inflamatório/infeccioso causadas pela inoculação de bactérias no tecido subcutâneo ou em camadas mais profundas, como a musculatura. Podem se demonstrar como aumento de volume doloroso ao toque, quente, e o paciente pode demonstrar grande desconforto e dor na região.
  • Hérnias: Se demonstram em regiões específicas do corpo (como a virilha ou região umbilical), quando órgãos da cavidade abdominal acabam se posicionando em locais erráticos, por um defeito na parede muscular. Podem ter grande tamanho e normalmente o paciente não sente desconforto na palpação.

Os sinais clínicos apresentados dependerão muito do diagnóstico do paciente.

Tumores podem não ter nenhum sinal clínico e estarem localizados em qualquer local do corpo, por isso a importância da avaliação minuciosa do tutor. Dependendo de quais estruturas estiverem acometidas, bem como o tamanho, pode haver dor e desconforto. Lesões infecciosas normalmente cursam com febre, dor, prostração e anorexia. Podem haver fístulas drenando secreção purulenta nestes casos. Hérnias normalmente não causam sintomas, apenas em situações muito específicas como o encarceramento, quando há dor intensa e comprometimento da vida do paciente, sendo necessário atendimento imediato.

A prevenção é a medicina do futuro

Falando principalmente dos nódulos mamários, o câncer mamário é uma triste realidade em nossos pacientes, tendo uma alta incidência nas espécies canina e felina. Porém podemos prevenir esta doença realizando a castração precoce, antes do primeiro cio ou entre o primeiro e o segundo cio, e dessa maneira podemos diminuir a incidência dos tumores mamários em até 95%. É uma maneira efetiva de evitarmos uma doença que pode trazer muito sofrimento ao paciente e aos familiares.
Pela característica traumática que os outros aumentos de volume podem ter (abcessos e hérnias), é sempre bom reforçar os cuidados com nossos peludos. Os animais muitas vezes não sabem o perigo que estão correndo ao atravessarem uma rua movimentada, ou ao pularem de um local alto. Como crianças, necessitam de supervisão constante para que não se machuquem. Devemos estar sempre atentos, dessa maneira evitando acidentes!

Este é o cerne da nossa campanha, detecção precoce para podermos prevenir. Cuidado para evitar o sofrimento. Esta é a Viu Algo, Faça Algo!

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799