Arquivo mensais:setembro 2017

Viu algo, Faça algo! – 8º sinal clínico: Lesões na pele ou coceira excessiva

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Coceiras, vermelhidão, erupções na pele: são alterações que deixam o tutor bem preocupado. A saúde dos nossos pets é coisa séria e merece nossa atenção até mesmo em situações que, aparentemente, não oferecem riscos. A questão principal que precisa ficar bem clara é que as doenças de pele se parecem muito entre si e com outras doenças que não são necessariamente de pele. Junto com todas as informações da nossa campanha Viu Algo, Faça Algo! temos objetivos de explicar um pouco mais sobre as principais doenças de pele em cães e gatos, saber identificar os sinais clínicos, e dessa forma agir o mais rápido possível, sem oferecer riscos mais graves ao seu pet.

Os principais problemas de pele (dermatopatias)

  • Infecções bacterianas: Podem proliferar com lesões de pele inflamada, pela umidade (secagem inadequada da pele e pelos em banho) e até por falta de higiene.
  • Infecções fungicas: o animal se infecta por contato com objetos, locais e outros animais que já tem a infecção.
  • Infecções parasitárias: ácaros (sarna) se alimentam das descamações da pele e assim causam inflamações. Pulgas e carrapatos, quando picam para sugar o sangue do bichinho, provocam coceira e inflamações na pele.
  • Acne Felina: ocorre pelo estresse, má higiene de vasilhames, alergia aos vasilhames de plástico, pode ser identificada pelos pontos pretos que surgem ao redor do queixo e também nas bordas dos lábios.
  • Processos alérgicos: contatos com borrachas, plástico, alguns tipos de tecido, época do ano (pólens), produtos tópicos (inseticidas, shampoos e sabonetes) e até alimentos, são potenciais fontes de alergia.
  • Alopecia psicogênica: não menos comum, pode ocorrer em animais com alto grau de estresse, que ficam lambendo o pelo de forma compulsiva, podendo até morder a pele, mastigar os pelos, causando irritação, infecção e queda de pelos.
  • Desiquilíbrios hormonais: Diabetes, hiperadrenocorticismo, hiper/ hipotireoidismo são doenças sistêmicas, porém podem também apresentar lesões de pele como sinal clínico da doença.
  • Dermatites atópicas: Vale lembrar que existem dermatites que não tem uma causa específica para acontecer e não tem cura. São muito raros os casos, porém quando ocorre, o médico veterinário irá indicar o tratamento para conter os sinais clínicos apresentados durante as crises.
  • Doenças auto-imunes: Lúpus, pênfigo
  • Tumores de pele: animais com idade mais avançada podem apresentar tumores e cistos, mesmo que nem todos sejam malignos. Mesmo assim, eles requerem cuidado e acompanhamento frequente, para que não se torne um problema mais grave.

Sinais Clínicos nas dermatopatias

  • Lesões avermelhadas ou escurecidas na pele
  • Coceira (Prurido) pelo corpo e/ou orelhas
  • Perda de pelo (Alopecia)
  • Presença de bolhas/ bolhas com pus
  • Descamação da pele
  • Machas/hematomas
  • Infecções frequentes nos ouvidos

É importante levá-lo para um veterinário para identificar o tratamento adequado e possivelmente alguma medicação específica.

Não tente, de forma alguma, auto medicar o seu pet! Muitos tutores buscam tratamentos tópicos e sem recomendações de um profissional, aplicam no seu animal sem qualquer orientação. Isso pode levar a intoxicações graves. (LEIA MAIS SOBRE INTOXICAÇÃO).

Leve ao veterinário para avaliação. As lesões de pele são parecidas entre várias doenças e para fechar o diagnóstico é necessário realizar exames específicos. Com o diagnóstico correto, o tratamento se torna mais eficaz e aumentam as chances de cura.

Os exames incluem basicamente hemograma e exames bioquímicos (para avaliar se existe doença sistêmica), raspado de pele (detecção de sarna), culturas bacterianas, culturas fúngicas, teste de sensibilidade a alérgenos. Podem ser solicitados outros exames complementares para avaliação mais complexa.

Conforme diagnóstico, pode ser recomendado shampoos específicos, alimentação com ômega 3 e 6 para fortalecer o pelo e corrigir a oleosidade da pele se for o caso. O tratamento adequado dependerá principalmente do agente causador (bactéria, fungos ou parasitos), podendo ser feito com uso de antialérgicos, antibióticos, antifúngicos ou antiparasitários, que deve ser prescrito por um profissional.

Para os casos de estresse, em alguns casos podem ser recomendados medicamentos contra a ansiedade.

Prevenção

  • Higiene do seu pet é fundamental: Banhos e tosas regulares irão reduzir as chances de ter alguma alteração de pele. Mas cuidado! A pele precisa da oleosidade natural, então banhos com alta frequência também não são adequados. Podem ser indicados banhos semanais, quinzenais e até mensais, pois cães (independente da raça) podem variar a frequência, pois existem outros fatores como clima, umidade, tamanho do pelo e tipo de pelo.
  • Manter limpo o ambiente que seu pet vive. Controlar sempre a proliferação de pulgas e carrapatos do ambiente também.
  • Evitar o stress: passeios e enriquecimento ambiental pode ser a chave para melhorar a qualidade de vida nos animais.
  • Visitas regulares ao veterinário: principalmente os mais idosos, que podem ter problemas hormonais (ainda não detectado), mas que iniciam com problemas de pele.

Podemos agora identificar que existe um problema de pele, alguns sinais deixam claro que o pet precisa ir ao veterinário. Não demore para tomar providências e ajudar seu animalzinho!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 7º sinal clínico: Secreção nasal ou ocular

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Correlacionando mais sinais clínicos às doenças que nossos pets podem ter, a campanha Viu Algo Faça Algo! traz mais duas alterações que são a secreção nasal e/ou ocular, que podem ser observadas juntas ou não, dependendo da doenças acometida.

Sempre tenha em mente que essas alterações são importantes, pois, pode ser desde algo simples como alergias como a quadros mais graves como infecções e processos neoplásicos (câncer).

Presença de secreções (corrimento) nasal ou ocular translúcida e incolor sem a presença de outros sinais clínicos normalmente não leva a uma preocupação pelo tutor. No entanto, dependendo da imunidade do pet, essa secreção pode se tornar opaca, e apresentando outras colorações (amarelada, purulenta) e até com presença de sangue, além de poder estar associado com outras alterações como febre, tosse ou espirros. Nesse momento é crucial levar seu animal para uma avaliação veterinária.

 

Principais causas de secreção nasal

  • Processos alérgicos: podendo ocorrer durante períodos específicos do ano, como a primavera ou no outono, indica alergia ao pólen.
  • Agentes infecciosos (bactérias/fungos/vírus/parasitos)
  • Gripe Canina/ Tosse dos canis (Traqueobronquite infecciosa canina)
  • Inalação de gases nocivos/tóxicos
  • Tumores nasais: podem ser causas obstrutivas, e estar acompanhado com secreção ocular
  • Corpo estranho: plantas, gravetos, pedra, restos de ossos podem ficar alojados nas cavidades nasais. Não tente removê-lo por conta própria, pois pode causar ferimentos ao nariz.
  • Doenças dentárias: periodontites podem causar abscessos espalhar para as cavidades nasais.
  • Desordem na deglutição ou no trato digestivo devido a alguma doença (ex. vômitos crônicos). Essas secreções podem ser forçadas a ir para área pós-nasal.
  • Complexo respiratório felino – a “gripe do gato”. É uma doença infecciosa, que abrange doenças provocadas por mais de um agente causador (herpesvírus felino tipo 1 e calicivírus), e também porque os sinais clínicos causados por cada um destes agentes se confundem.
  • Neoplasia (câncer): mais provável em cães de médio a grande porte, com focinhos longos.

 

Principais causas de secreção ocular

  • Processos alérgicos
  • Alterações oftálmicas: Uveítes, glaucomas, conjuntivites (bactérias/fungos/ vírus/parasitos), úlcera de córnea (Saiba mais aqui)
  • Otites graves que levam alterações em nervos
  • Entrópio (pálpebra virada para dentro) ou ectrópio (pálpebra se mantém virada para fora) causa lesões oculares significativas
  • Obstrução no canal nasolacrimal, impedindo assim que a lágrima seja drenada (tumores, corpo estranho), ou má formação anatômica, causando uma falha na drenagem.

 

Sinais clínicos relacionados a secreção nasal e/ou ocular

Preste atenção nas mudanças de comportamento, sinais de dor levam os animais a apresentar mais apáticos, arredios ou até mais agressivos.

  • Redução do fluxo de ar nasal
  • Problemas dentários, úlceras orais/gengivite
  • Inchaço da face ou palato duro (tumor ou abscesso)
  • Focinho seco
  • Febre
  • Espirros
  • Tosse
  • Salivação
  • Perda de apetite
  • Secreção acastanhada nos olhos. É chamado de epífora, e bastante comum em animais de pelagem branca (poodle, boxer, persa).  Ocorre uma alteração do ducto nasolacrimal, extravasamento de lágrimas, deixando área bastante úmida, sofrendo oxidação e deixando aquela região acastanhada.
  • Olhos inflamados, Irritação nos olhos (vermelhidão)
  • Alteração na cor dos olhos
  • Coça os olhos com as patas com frequência

 

O diagnóstico é importante que seja feito por um Médico Veterinário.

Dependendo da causa pode ser de fácil diagnóstico, caso contrário só com um exame minucioso. Muito importante a realização de uma anamnese e o exame clínico, direcionando os exames específicos para ajudar a fechar o diagnóstico e iniciar o tratamento. Podem ser solicitados os seguintes exames:

  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem: Radiografia, ultrassonografia, Rinoscopia/broncoscopia
  • Cultura microbiológica (bactérias e fungos)
  • Biópsia (para os casos de tumores)
  • Exames oftálmicos específicos (fundoscopia, teste de Schirmer, pressão ocular, colírios reagentes)

 

É importante ressaltar que os animais devem ser sempre tratados pelo veterinário.

O tratamento se baseia em combater os sinais clínicos e evitar as infecções secundárias, sendo necessário a utilização de antibióticos, mucolíticos, inalação, colírios. A partir do diagnóstico pode haver possibilidade de intervenções cirúrgicas (retirada de tumores, tratamento para entrópio/ectrópio, entre outros)

Muitas vezes o tutor querer medicar o animal em casa e não sabe que muitos remédios usados em humanos podem não ser os mais adequados, e acabam piorando o quadro dos animais.

 

Prevenção

  • Vacinas anuais que deve ser orientada e aplicada pelo médico veterinário
  • Visitas frequentes ao veterinário, realizações de check ups, principalmente animais acima dos 5 anos de idade (em média)
  • Banhos e tosas com frequência: algumas raças tem muito pelo ao redor dos olhos e podem causar lesões oftálmicas. Após o banho, secar bem.

 

Não existe nenhum método para deixar o seu pet livre de qualquer doença respiratória ou oftálmica.  Podemos minimizar os riscos de infecção mantendo o pet sempre bem cuidado e no sinal de qualquer mudança de comportamento e sinal clínico, procurar o Médico Veterinário.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 6º sinal clínico: Dificuldade de respirar

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A nossa campanha Viu Algo, Faça Algo aborda um outro tema super importante: A dificuldade respiratória. Precisamos saber identificar qual é a alteração especifica, como podemos diferenciar algumas causas para agirmos rapidamente. Devemos levar muito a sério as alterações de comportamento e sinais clínicos apresentados por nossos peludos pois o tempo pode ser crucial.

As causas da dificuldade respiratória são várias, mas só uma visita ao
veterinário pode identificar corretamente o problema.

  • Raças: Pug, Shih tzu, Buldogue francês, gatos persas são animais braquicefálicos (pets com o focinho achatado). São raças mais suscetíveis a doenças respiratórias, pois possuem anormalidades estruturais no seu trato respiratório, fazendo com que suas vias de entrada de oxigênio se tornem estreitas.
  • Estenose de traquéia (colapso de traquéia): mais comuns em cães do que em gatos. Os braquicefálicos podem ser acometidos, e também cães da raça Yorkshire terrier, Poodle, Chihuahua, Lhasas apso e Lulu da pomerânia (Spitz alemão). Podem fazer ruídos estranhos ao respirar, que vão se agravando, podendo ter períodos de paradas respiratórias durante o sono, engasgos, mudança na cor das mucosas (devido a falta de oxigenação), desmaios ou alterações na consciência.
  • Infecções bacterianas/fungicas/ virais: causando pneumonia, bronquite, tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina).
  • Intoxicação (organofosforados utilizados contra carrapatos/pulgas, opióides,
    etc).
  • Problemas cardíacos (Saiba mais)
  • Obesidade (Saiba mais)
  • Asma: mais comum em felinos
  • Aspiração de alimento ou conteúdo gástrico para o interior do pulmão
  • Inalação de fumaça e gases nocivos
  • Quase afogamento
  • Lesão pulmonar devido ao trauma
  • Anemia: número de hemácias reduzidas levam a diminuição da troca de oxigênio pelos pulmões.
  • Altas temperaturas, calor excessivo
  • Neoplasias pulmonares (metástases principalmente)
  • Síndrome da Angústia Respiratória Aguda (SARA) refere-se a uma condição de falha respiratória súbita devido à acumulação de fluido e uma grave inflamação nos pulmões.

Sinais Clínicos relacionados a problemas respiratórios:

  • Esforços extremos para respiração.
  • Tossir.
  • Engasgos.
  • Descarga das narinas ou expectoração (secreções serosas, purulentas ou
    sanguinolentas).
  • Febre.
  • Cianose (coloração arroxeada na língua e mucosas).
  • Letargia e fraqueza.
  • Anorexia.
  • Ortopnéia (posição com pescoço esticado para respirar melhor).
  • Padrão respiratório restritivo (respiração “curta”).
  • Respiração de boca aberta.

O que fazer nesses casos?

Os sinais clínicos citados acima devem servir de alerta para os tutores.
Não dê nenhum medicamento sem a prescrição de um profissional. Você não sabe o real motivo desses problemas respiratórios, e em alguns casos, podem acabar agravando o quadro do seu pet.
De modo geral, aliviar a crise inicial é a melhor conduta a ser seguida é tentar deixar o pet o mais calmo possível, evitar que ele se agite e colocar em ambiente mais ventilado. Procurar um médico imediatamente.
Durante avaliação, o veterinário irá fazer uma avaliação clínica, e diagnóstico deve ser definido. Poderão ser solicitados painéis de exames, como exames de sangue, exames de imagem (radiografia de tórax, ecocardiograma e endoscopia, por exemplo).
Iniciando o tratamento emergencial, a causa principal deverá estabelecida e tratada especificamente de modo a evitar complicações ou morte. Colocar no oxigênio suplementar para minimizar o desconforto respiratório. Poderá ser feito tratamento com uso de antibióticos, analgésicos, fluidoterapia, e corticosteróides para reduzir a inflamação e inchaço pulmonar, se houver. Avaliações clinicas constantes deve ser feitas como temperatura, pulso, taxa de respiração, e da pressão sanguínea durante internação.

Algumas recomendações são úteis para evitar problemas respiratórios
futuros e a manutenção da qualidade de vida para os que já sofrem desse
mal.

  • Evitar uso de coleiras cervicais. Mais indicado utilizar peitorais.
  • Ventilação adequada, manter a temperatura do ambiente agradável, umidade
    do ar.
  • Evitar estresse e atividades físicas bruscas em animais predispostos (braquicefálicos), pois o animal pode ficar com dificuldade respiratória.
  • Elevar a altura dos bebedouros e comedouros para evitar engasgos.
  • Sempre controlar alimentação nos animais obesos.
  • Vacinas sempre atualizadas. Realizar exames veterinários periódicos.

Uma das melhores maneiras de identificar problemas de saúde do seu pet é prestar atenção no seu comportamento e nos sinais clínicos que ele apresenta.

Apenas um detalhe e você pode salvar a vida dele. Lembre-se disso!

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

Viu algo, Faça algo! – 5º sinal clínico: Dificuldade de urinar ou ausência de urina

A dificuldade de urinar (incontinência/oligúria) ou ausência de urina (anúria) são sinais clínicos muito importantes que devem ser tratados como alerta. A nossa campanha Viu algo, Faça algo! irá auxiliar os tutores na tomada de decisões e saber o momento certo para tomar uma atitude e levá-lo ao veterinário.

Estas alterações podem estar relacionadas diretamente com o tempo de evolução da doença, são alterações comuns e podem nos levar a acreditar que o nosso animal simplesmente tem problemas de comportamento. Quando o quadro já está avançado, muitas vezes o dano causado é irreversível e o animal corre risco de óbito.

 Principais causas que levam a dificuldade de urinar ou ausência de urina

  • Cistite: Fêmeas tem a uretra mais curta e larga, o que facilita a entrada de bactérias e parasitos. Elas urinam muito menos que os machos, facilitando assim também a formação de cristais urinários.
  • Cálculos urinários: Mais comum em macho, pois tem a uretra mais longa e fina. Dependendo do tamanho, os cálculos podem obstruir canais como ureter e uretra, impedindo a passagem da urina.
  • Tumores benignos (pólipos e divertículos) ou tumores malignos podem obstruir parcial ou totalmente o canal urinário.
  • Insuficiência renal aguda: pode ocorrer nas obstruções, intoxicações (LEIA MAIS SOBRE INTOXICAÇÃO) ou infecções como leptospirose por exemplo (LEIA MAIS SOBRE LEPTOSPIROSE).
  • Outras causas menos comuns: lesões do sistema nervoso, mal-formações congênitas, lesões adquiridas na bexiga e nos esfíncteres (trauma), doenças prostáticas e desequilíbrios hormonais.

 

Quais são as principais alterações que os animais apresentam?

A mudança de comportamento do seu pet pode nos dizer de uma maneira ou outra, dando a entender que podem estar sofrendo:

  • Mudança na posição para urinar (sinal de dor)
  • Fica muito tempo em posição, mas urina pouco ou não consegue urinar. Isso pode acontecer por causa dos cálculos, que friccionam a parede do órgão, causando irritações, sangramentos e até o bloqueio parcial ou total do fluxo urinário.
  • Presença de sangue na urina
  • Urina que cheira pior do que o habitual (urina turva)
  • Apatia e Perda de apetite
  • Lamber repetitivamente a genitália (dor e inflamação)

Se perceber qualquer uma dessas alterações, leve-o ao veterinário.

Durante a avaliação clínica, o profissional vai determinar quais são as suspeitas ou até o diagnóstico clínico. Muito importante realizar exames de uma amostra de urina (avaliação qualitativa e urocultura com antibiograma). Podem ser solicitados exames de sangue, radiografia e ultrassonografia dependendo do caso. Se animal estiver obstruído será necessário realizar a sondagem uretral, que consiste em introduzir um pequeno tubo pelo aparelho urinário, com objetivo de desobstruir a passagem da urina. Muitas vezes pode ser necessário sedá-lo para realizar o procedimento.

O tratamento de maneira geral poderá se basear em uso de antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos. O tratamento para os cálculos urinários vai depender do tipo, pois alguns podem ser dissolvidos com dieta e medicação, enquanto outros precisam ser removidos cirurgicamente.

Os tumores como pólipos e divertículos e até os tumores malignos algumas vezes podem ser removidos cirurgicamente e enviar a amostra para exame histopatológico (esta informação é muito importante para determinar o melhor tratamento para cada tipo de tumor).

Para o caso de insuficiência renal aguda, a terapia consiste no uso de fluidos (soro) e eletrólitos em medidas de purificação extra-renal (diálise peritoneal). Em alguns casos respondem bem à essas medidas terapêuticas, porém existem casos que são irreversíveis e o prognóstico é mais reservado.

E a prevenção?

No caso das cistites, não há prevenção específica. Entretanto, pode-se adotar alguns hábitos simples que podem diminuir bastante o risco do seu pet desenvolver a complicação.

  • Passear com os cães rotineiramente: pode ser uma boa ideia, pois além de deixá-lo mais tranquilo, você pode observar o seu comportamento enquanto ele urina e ver o quanto está urinando. Dessa forma ficará acostumado com o que é “normal”.
  • Estimular ingestão de água: sempre estimular a ingestão de água utilizando fontes (gatos) e bebedouros grandes.
  • Acompanhar comportamento de micção nos felinos. Sempre colocar uma caixa de areia extra para o número de gatos no ambiente. Exemplo, se existem 2 gatos no ambiente, colocar 3 caixas de areia a disposição.
  • Evitar dar rações de baixa qualidade e alimentação inadequada, pois podem alterar o pH urinário, aumentando as chances de infecção urinária e formação de cálculos.
  • Se o seu pet já foi diagnosticado com cálculo, e partir da análise do cálculo, será possível reajustar a alimentação, para evitar uma urina mais ácida, ou mais alcalina.

Mantenha-se sempre atento nos sinais clínicos do seu pet e entre em contato com o veterinário caso ocorra qualquer mudança.

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320