Arquivo mensais:julho 2016

OBESIDADE EM CÃES E GATOS

 

Obesidade-em-cães-e-gatosA obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo gordura em níveis maiores que os necessários para o bom funcionamento do organismo, prejudicando suas funções fisiológicas.

Atualmente, esse distúrbio é uma questão de saúde pública e uma preocupação mundial tanto para humanos quanto para os pets. Cães e gatos já são considerados parte da família, e com isso estão mais próximos dos hábitos alimentares e estilo de vida do seus tutores.

A prevalência de casos de obesidade nos animais tem aumentado significativamente, e já estima-se que a obesidade no Brasil varie na faixa de 6 a 12% da população de gatos e 25 a 45% da população de cães.

A maioria dos tutores não reconhece ou simplesmente ignora o excesso de peso do seu pet e por isso não se preocupa em levá-lo ao Veterinário. É muito importante ter em mente que, o controle da obesidade não é somente para tratar um problema estético e sim para prevenir várias doenças.

 

FATORES QUE LEVAM À OBESIDADE

Alimentação: Hábitos alimentares incorretos relacionados à baixa qualidade da dieta oferecida pelos tutores (muitas vezes até com alimentos caseiros) e número de refeições influenciam no aumento de peso do animal.  Existe também a superalimentação, que é o fornecimento do alimento em excesso, oferta de petiscos calóricos e sobras de refeições.

Sedentarismo: A falta de exercício é um dos principais fatorem que levam o animal a ficar obeso.

Genética do animal: Animais que são predispostos à obesidade são: Cocker Spaniel, Labrador, Golden Retriever, Shetland Sheepdog, Dachshund, Basset Hound, Schnauzer, Springer Spaniel, Chihuahua e Pug. Não há relatos de predisposição à obesidade entre as raças de gatos.

Castração: A obesidade é duas vezes mais frequente em animais castrados. Contudo, os benefícios desse procedimento ainda são mais importantes e ele é recomendado. É necessário apenas um maior cuidado com o sobrepeso.

Idade: A incidência deste distúrbio metabólico aumenta com a idade, sendo que o intervalo de idade de maior prevalência se situa entre 5 a 10 anos.

Distúrbios endócrinos: Diabetes Mellitus, hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo são os principais distúrbios associados à obesidade.

Sexo: para os cães, a obesidade é mais comum nas fêmeas quando comparadas a machos da mesma faixa etária, já para os gatos, os machos têm maior predisposição.

 

AS DOENÇAS ASSOCIADAS

Não só pelo fator estético, a obesidade deve ser combatida porque leva a várias alterações sistêmicas oferecendo risco à saúde do animal:

– Doenças cardiovasculares

– Doenças osteoarticulares

– Doenças de pele

– Lipidose hepática (acúmulo de gordura no fígado) que ocorre principalmente nos felinos

Além dessas doenças, o animal tem deficiências na imunidade, aumentam os riscos cirúrgicos e anestésicos e diminui a expectativa de vida.

 

DIAGNÓSTICO

Animais são considerados obesos quando o seu peso corporal ultrapassa 20% do ideal de sua raça.

O veterinário realiza uma série de exames físicos que incluem avaliar o escore corporal, realizar a pesagem, inspeção visual e palpação da gordura tecidual. O animal também deve passar por uma série de exames laboratoriais incluindo hemograma, urinálise, bioquímicos e hormonais, para verificar a saúde geral e descartar outras doenças associadas.

 

PREVENÇÃO

Devemos mudar alguns hábitos:

– Fornecer alimentos balanceados e nas quantidades adequadas a sua necessidade diária. Para isso é essencial consultar um médico veterinário, pois é ele quem vai indicar o alimento adequado e específico para seu pet;

– Estimular exercícios físicos regularmente;

– É importante sempre levar seu pet ao médico veterinário para consultas e check ups, ao menos uma vez por ano.

 

CONCLUSÃO

Entendendo um pouco mais sobre esse distúrbio nutricional, conclui-se que o excesso de peso é uma condição debilitante da saúde, e que o Médico Veterinário é o profissional capacitado para identificar, diagnosticar e estabelecer metas para reverter o quadro o mais rápido possível.

Pelo bem do seu pet, é importante instituir um plano de emagrecimento e incentivar a mudança de hábitos e comportamentos.

 

Paula Bassi

 

Paula Boeira Bassi
Médica Veterinária
CRMV/RS 13320

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sequestro de córnea

Green-eyed-PersianO sequestro de córnea ou também chamado” mumificação corneana”, “córnea nigra” ou “necrose corneana”,  é um acúmulo de pigmento no estroma da córnea de felinos. As raças braquicefálicas, como Persas, são as mais acometidas. Porém cavalos e cães também podem ser afetados. A causa exata de seu aparecimento não está definida, mas se sabe que está relacionada com infecções por herpes vírus felino, falta de lubrificação corneana e por pelos tocando a córnea (distiquíase).

Esse pigmento pode variar de pequenos pontos a grandes placas negras no centro da córnea, podendo ou não estar associada à conjuntivite. Em sua maioria ocorre desconforto ocular e conjuntivite recorrente, o que leva a necessidade de remoção do sequestro. A recidiva é frequente.

A ceratectomia (remoção de segmento da córnea) é o procedimento cirúrgico indicado. Esse pigmento só deve ser removido por oftalmologistas veterinários experientes. Há necessidade de utilização do microscópio cirúrgico para que se magnifique as estruturas e se consiga uma remoção precisa do pigmento e preservação da córnea saudável.

Lidia-oftalmologista-pet-center-canoas

 

Lídia Clerot
Médica Veterinária
CRMV/RS 6864