Arquivo mensais:junho 2016

Hipertermia por insolação e intermação

water dogsSabe aqueles passeios com seu pet em dias quentes? Eles podem causar hipertermia por insolação e até mesmo levar ao óbito. Esses casos são mais comuns do que imaginamos, e acontece principalmente pelo desconhecimento do tutor.

Tanto a hipertermia por insolação quanto por intermação ocorrem devido a exposição excessiva ao calor.

A insolação é a exposição aos raios solares por tempo prolongado.

A intermação é a ação do calor em ambientes pouco arejados (dentro do carro, por exemplo), ou quando o animal realiza esforço físico intenso.

Ambas as complicações resultam em aumento da temperatura corporal e pelo mau resfriamento do corpo. A temperatura normal de um cão varia de 37 a 39ºC. Temperaturas acima de 41ºC podem ser fatais, pois o animal pode entrar em choque e ter falência múltipla de órgãos. A temperatura elevada, combinada com fatores como falta de ingestão de líquidos (hidratação) e má circulação do ar podem levar o seu pet a ter várias complicações e até levar ao óbito.

Os principais fatores que desencadeiam a hipertermia são:

– Umidade: Quanto maior a umidade relativa do ar, mais difícil será a evaporação, conseqüentemente, o corpo acumula maior quantidade de calor.

– Ventilação: Sem circulação constante do ar o resfriamento torna-se difícil, provocando aumento da temperatura corporal.  Além disso, algumas raças têm maior predisposição a hipertermia, tais como o buldogue,  pug, shih tzu, entre outros. Essas raças são braquicefálicas (cabeça e focinho curtos) e possuem vias respiratórias mais curtas, então o ar não tem muito tempo para resfriar até chegar aos pulmões.

– Condições físicas: O esforço físico em excesso aumenta a produção de calor pelo organismo, enquanto a fadiga muscular acumula substâncias tóxicas nos tecidos. A associação de ambas predispõe o organismo a problemas de circulação sanguínea;

– Pelagem: animais com pelagem escura favorecem o acúmulo de calor, com conseqüente elevação da temperatura corporal.

 

Fique atento aos sinais de hipertermia:

– Salivação excessiva e espessa;

– Respiração extremamente ofegante;

– Fraqueza e andar cambaleante

– Nos casos mais graves, podem apresentar respiração fraca, quadros de diarréia, vômito, vermelhidão nas patas, boca, orelhas e na língua, até convulsões e inconsciência.

 

O que fazer?

Caso seu pet apresente algum destes sintomas, leve prontamente ao veterinário. Enquanto isso tente resfriá-lo com uma toalha molhada (fria) ou deixe-o em ambiente fresco com ventilador ou ar-condicionado. Ofereça água fresca. Evite colocar o animal em contato direto com água corrente, pois leva a vaso constrição periférica (contração dos vasos sanguíneos) e isso dificulta ainda mais a dispersão do calor podendo causar problemas mais graves em outros órgãos.

Seguem abaixo os principais cuidados com nossos animais nos dias quentes:

– Se nós muitas vezes ficamos incomodados com o calor, imagina seu pet, coberto de pelos. Os animais também precisam se adaptar ao calor.

– Evite passeios e exercícios intensos com seu pet entre 10h e 17h. Nestes horários, o sol está muito quente. Brincadeiras e esportes devem ser monitorados, pois o animal pode ficar ofegante e superaquecer.

– Antes de passear na rua com seu pet, sempre verifique a temperatura do chão. Teste primeiro com sua mão, ou pés por alguns segundos. Assim como nós, os pets também podem criar bolhas e até queimaduras sérias nas patinhas.

– Nunca deixe seu animal preso dentro do carro em dias de sol, mesmo que a janela esteja aberta. O calor excessivo pode causar uma situação de estresse e aumentar a temperatura corporal.

– Tosas e banhos podem ajudar.

– Os animais devem ter acesso a ambientes com sombra e água fresca disponível.

A prevenção é sempre o melhor caminho!  Pequenos cuidados e melhorias na rotina garantem a saúde do seu pet.

Veterinária Fernanda Xavier

 

Fernanda Xavier
Médica Veterinária
CRMV/RS 09420

 

 

 

 

Kellem Grings
Estagiária de
Medicina veterinária

 

Úlcera de córnea

dog-eyeÚlcera de córnea é uma lesão (ferida) na córnea que pode afetar qualquer espécie animal. A lesão pode ser causada por traumas, pelos encostando-se à córnea (distiquíase), malformações palpebrais (entrópio), produtos irritantes que entraram em contato com o olho como xampus, conjuntivites bacterianas dentre outros.

Das raças de cães as mais acometidas são: Shih tzus, Pug, Pequinês, Cocker Spaniel. Dentre os felinos: Persas , Exóticos e Himalaios, mas também outros mascotes como coelhos e chinchilas, além de potros e pôneis.

A prova de fluoresceína é o teste mais utilizado para visualizar a lesão corneana. Porém apenas um oftalmologista veterinário está capacitado para avaliar a gravidade ou não da lesão corneana e empregar o tratamento mais correto para a mesma, sendo este clínico ou cirúrgico.

A úlcera de córnea é uma afecção ocular grave, que provoca dor e desconforto, levando o pet a apatia e muitas vezes perda do apetite, uma vez que a córnea possui muitas terminações nervosas. Quando instituído um tratamento inadequado ou não diagnosticada em seu início, a úlcera de córnea pode se tornar mais extensa ou profunda e levar a perfuração ocular ou até mesmo a necessidade de remoção do globo ocular.

Um dos procedimentos cirúrgicos mais utilizados para auxílio na cicatrização das úlceras corneanas é o flap de terceira pálpebra. Diferente dos humanos, cães, gatos e outras espécies possuem a terceira pálpebra muito desenvolvida.  Porém é importante enfatizar que a avaliação de um especialista é imprescindível para o sucesso do tratamento. Nesse procedimento, a terceira pálpebra do paciente é utilizada como uma “lente de contato natural”, fornecendo vascularização, suporte e nutrientes para a córnea.

 

Lídia Clerot
Médica Veterinária
CRMV/RS 6864

 

 

Saiba mais sobre Oncologia Veterinária

family-with-petNos dias de hoje, nossos pets são membros da família, vivendo muitos anos conosco e trazendo imensas alegrias durante este período. Contudo, com o aumento da longevidade dos animais, uma doença mortal tem acontecido com mais freqüência do que gostaríamos, o Câncer.

O estigma do câncer acompanha a humanidade e nossos companheiros desde tempos imemoriais, trazendo dor e sofrimento para os pacientes acometidos, bem como para suas famílias. Durante muito tempo a doença foi considerada uma sentença de morte, onde a esperança dava lugar à desolação frente a um prognóstico desfavorável. Porém, isso está mudando.

A medicina teve uma evolução exponencial no último século, e a Oncologia é a área onde se concentram os maiores esforços e pesquisas na atualidade, trazendo tratamentos inovadores que melhoram a qualidade de vida de pacientes humanos, bem como de nossos peludos. Nesta perspectiva, o Oncologista se faz profissional essencial dentro da clínica de animais de companhia, promovendo conhecimento e atendimento altamente qualificado para lidar com uma doença tão complexa como o câncer. Como o câncer se origina das células que um dia foram normais dentro do nosso organismo, virtualmente qualquer sistema orgânico pode ser afetado, e a doença pode se manifestar de inúmeras maneiras, demonstrando os mais variados sintomas. Uma das apresentações mais comuns em cães é a neoplasia mamária, afetando fêmeas de meia idade e idosas, onde o tutor poderá perceber a presença de nódulos nas mamas.

Uma neoplasia maligna é caracterizada pela proliferação descontrolada de células alteradas, que sofreram mutações pelos mais diversos fatores (exposição a agentes carcinogênicos, fatores ambientais, predisposição genética) e, devido a este processo, não são mais reguladas pelo organismo. As células saudáveis apresentam e respondem a diversos mecanismos que controlam sua divisão e, quando estes falham, temos o afloramento do câncer. Através destas mutações a neoplasia também pode enganar o sistema imunológico e se espalhar pelo organismo, dando origem as metástases.

Citando nosso exemplo anterior de neoplasia mamária, tanto em mulheres quanto em cadelas, se a doença for descoberta precocemente e o tratamento adequado for instaurado, temos grandes chances de atingir a cura da paciente afetada! Estes tratamentos incluem a cirurgia, modalidade terapêutica muito utilizada em Oncologia, mas também podem ser necessários tratamentos adjuvantes como a quimioterapia. Esta modalidade terapêutica vem sendo muito utilizada em ambas as espécies, promovendo sequência ao tratamento cirúrgico e melhores chances de aumento na sobrevida. Um dado importante, a quimioterapia em animais de companhia costuma demonstrar poucos efeitos colaterais e, quando apresenta, são reversíveis e de fácil tratamento, diferindo dos tratamentos em seres humanos que são mais agressivos com efeitos mais deletérios ao paciente. Se houver a indicação de quimioterapia, não se assuste! A tendência é que seu companheiro reaja muito bem.

Finalizando, caso seu peludo tenha o diagnóstico de uma neoplasia maligna, procure o Oncologista! Ele é o profissional mais capacitado para avaliar o caso e promover o mais importante para todos os pacientes, independente da doença: Qualidade de Vida!

Guilherme Cirino

 

 

Guilherme Azevedo Cirino
Médico Veterinário
CRMV/RS 11799